Pirenópolis by Night — Parte Zero
A Água Ruim · v1
Vampiro: A Máscara — 5ª Edição
⚖️ Princípios da Crônica
- Não mate quando existir outra saída.
- Não mate nem fira inocentes para proteger a Máscara.
- Não traia a coterie.
Valem desde esta parte. Violar um Princípio gera Máculas, e o Narrador arbitra quantas conforme a gravidade: 1 para violação menor ou justificável, 2 ou mais para ato grave. As Convicções entram depois e reduzem as Máculas, se o personagem violou o Princípio a serviço de uma delas.
Inocente, aqui, é quem não escolheu estar nisso: mortal comum, doente, romeiro, carniçal descartado.
🌙 As noites
| Noite | |
|---|---|
| 0 | Anápolis |
| 1 | A Chegada |
| 2 | A Rua do Lazer |
| 3 | O Ernestina |
| 4 | O Guia |
| ⟡ | A Reunião |
| 5 | O Festival |
| Fecho | De volta ao Elísio |
As noites correm em ordem. A Reunião acontece assim que a coterie tiver o endereço da fazenda — pode cair no fim da Noite 4 ou tomar uma noite inteira, conforme a mesa demore.
🎯 O que esta parte é
Um prólogo de investigação. A coterie chega a Pirenópolis sem cargo, sem território, sem nome e sem ninguém que se importe com ela.
A pergunta que a parte responde: de onde vêm os doentes.
A resposta: de uma nascente dentro de uma fazenda particular, em território que a Torre não pisa.
O que a coterie não descobre: quem é a mulher que reza em cima daquela água, para que serve o que ela faz, e o que acontece com os doentes que não melhoram.
🧠 O que está acontecendo de verdade
Só para o Narrador. Ninguém na cidade sabe isso inteiro.
A Santa Dica consagrou a nascente do Poço do Cruzeiro, dentro da Fazenda Bonsucesso, na serra a noroeste. A água funciona. Febre baixa, ferida fecha, dor passa. Não é fé, não é sugestão: funciona mesmo, e qualquer médico da cidade já viu exame melhorar.
E é exatamente por isso que ela mata.
O ciclo
| Ida | O que acontece | Quanto dura |
|---|---|---|
| 1ª | Melhora forte. A pessoa volta a andar, a trabalhar, a comer | Três, quatro semanas |
| 2ª | Melhora de novo, e é real | Uns dias |
| 3ª | Alivia | Uma tarde |
| 4ª em diante | Alivia menos, e a pessoa sobe assim mesmo | Horas |
A água nunca deixa de aliviar. Alivia menos, e por menos tempo, a cada volta. E entre uma ida e a seguinte, o corpo fica pior do que estava antes de tudo começar.
Ninguém acusa a fonte, porque a fonte é a única coisa que faz melhorar.
Culpam a doença, que é traiçoeira. Culpam a demora em voltar. Culpam a falta de fé. E fazem a única coisa que faz sentido fazer: voltam.
O doente vira romeiro, e sobe até não conseguir mais subir. Quando não consegue mais, vai parar no Ernestina. Quando o Ernestina o desengana, a família leva para o Hospital Nossa Senhora do Rosário, onde a Irmã Doracy oferece a cura pelo sangue.
Por isso os leitos do Ernestina estão cheios: ali estão os que já não conseguem subir. Os que ainda andam estão na fazenda, e são muito mais.
Quem bebe sem estar doente não sente nada. O filtro é a necessidade.
A epidemia é o funil de captação do hospital. A fonte não fabrica Flagelante. A fonte fabrica candidato.
Quebrar a nascente fecha a porta de entrada e não encosta na fábrica. O rebanho de sangue-fracos das celas continua rendendo, o Ismael continua trabalhando na estrada de Lagolândia, e a escala do Rosário não perde um turno.
A coterie vai sair desta parte achando que resolveu alguma coisa.
🕵️ O caso, em ordem
| Elo | O que é | Onde a coterie pega |
|---|---|---|
| 1 | Existe uma doença que médico nenhum entende | Noite 1, pela boca da Rosa e pelo boletim oficial |
| 2 | Os doentes têm um histórico em comum: a fonte | Noite 3, nas entrevistas |
| 2b | Quanto mais sobem, pior ficam — e nenhum deles vê isso | Noite 3, e é dedução da mesa |
| 3 | Só se chega à fonte com o guia | Noite 3 |
| 4 | O guia está morto e ainda anda | Noite 4 |
| 5 | A fonte fica na Fazenda Bonsucesso, território fechado | Noite 4, no que o guia carrega |
| 6 | Há data marcada na fonte: dia 13, lua cheia | Noite 3 (cartaz) e Noite 4 (confirmação) |
🕯️ Noite 0 — Julgamento em Goiânia
— Vocês não são Camarilla. Vocês estão sob provação. — Provação é isso: eu mando, vocês fazem, e no fim eu digo se prestou.
— Quem serve bem em Pirenópolis volta.
(Raciocínio + Intuição, Dif. 4:) ela não disse "sai". Disse "volta". E disse isso do jeito de quem já mandou gente para lá antes.
🎴 Rosa — Ventrue, Príncipe de Anápolis
| Clã Ventrue · Geração 9ª · Potência de Sangue 4 · Humanidade 5 | |
| Ataque 10 · Defesa 7 · Vitalidade 10 · Vontade 10 | |
| Perícias | Política 5, Liderança 5, Intimidação 4, Etiqueta 4, Finanças 4 |
| Disciplinas | Dominação 4 · Presença 3 · Fortitude 3 |
| Paradas prontas | Encerrar uma audiência 10 · Detectar mentira 8 · Não responder 10 |
| Nesta parte | Aparece uma vez e some. Não é contatável de Pirenópolis |
| O que ela quer | Saber se a Celina perdeu o controle da própria cidade |
| O que ela não diz | Que ninguém sai de Pirenópolis, e que ela sabe disso há meses |
| Fala | — Quem serve bem em Pirenópolis volta. |
🏛️ Noite 1 — A Chegada
No Elísio
📍 Mateus para em frente à Igreja Matriz e não desce do carro.
— É ali. Pousada das Cavalhadas. — Daqui pra frente é com vocês. Eu não subo aquela escada.
🍷 O Elísio
📍 Pousada das Cavalhadas. Pé-direito alto, retrato a óleo em toda parede, cera escorrida na mesa grande. A Vittoria administra o lugar como terreno neutro.
Cinco cadeiras. Quatro ocupadas. A quinta está posta, com taça e tudo, e ninguém senta nela a noite inteira.
Eles não param de discutir quando a coterie entra. Isso é de propósito.
Comendador: — Você tinha que levar todos os lotes, Vittoria. O dinheiro já estava no Circuito.
Vittoria: — Eu paguei e não recebi. É diferente de não ter levado.
Comendador: — A nota saiu no seu nome. O resto é assunto seu.
Celina: (sem levantar a voz) — Depois.
A apresentação
Celina apresenta a mesa, e é só o que ela faz esta noite:
— Rosa mandou vocês para servir. Servir é o que vocês vão fazer. — Este é o Comendador, nossa Hárpia. O que ele anota, a cidade sabe. — Vittoria di San Martino, Guardiã deste Elísio. — Dr. Henrique Curado, nosso Xerife. — Falta o Padre Luciano Fleury, nosso Algoz. Está indisposto há três semanas.
Se disserem a que vieram:
Celina: — Doente. A Rosa mandou quatro pessoas atravessarem a serra por causa de doente. — Façam o que ela mandou. Não me tragam isso.
Se perguntarem quando podem voltar para Anápolis:
— Quando eu disser que podem.
Não há papel. Não há prazo. É palavra dela, e palavra dela não existe se ela decidir que não existe.
📰 O boletim
Henrique corta o assunto antes que vire discussão. Tira do bolso interno uma folha dobrada — recorte de jornal de Anápolis, três semanas atrás.
— Contaminação de nascente. Vigilância sanitária, coleta, laudo, tudo publicado. — A cidade tem explicação. A cidade acredita na explicação. Não há Máscara quebrada aqui.
A pergunta que vale a noite
Se alguém perguntar qual nascente, ou onde foi a coleta:
— Não interessa. Interessa que saiu no jornal.
(Raciocínio + Intuição, Dif. 3:) ele não desviou. Ele não sabe. Publicou a versão porque a versão fechava o caso, e nunca mandou ninguém verificar.
Para o Narrador: o Henrique acertou por acaso. A água está contaminada. Ele plantou uma mentira que era verdade e nunca soube. Isso não é revelado nesta parte — é a piada mais amarga da crônica e ela não tem plateia.
📋 A ordem do Xerife
— Enquanto estiverem nesta cidade, vale uma regra. — Qualquer coisa que vocês descobrirem, vocês trazem para mim antes de trazer para qualquer outra pessoa. — Não é pedido.
Anote isso. É essa ordem que obriga a coterie a voltar ao Elísio na Reunião, com o endereço da fazenda na mão, e a ouvir "não".
🔑 Os quartos
Vittoria di San Martino, saindo da sala:
— Se vocês não tiverem onde ficar, podem se hospedar na minha pousada. Tenho quartos preparados para membros. Só cobrarei depois da primeira semana (ela pisca). — Bem como para se alimentarem em meu território — quero dizer, no território do Clã Toreador —, desde que não quebrem a Máscara.
Ela traz três chaves, para três quartos de casal.
Os quartos de cima são deles, pelo tempo que a Guardiã permitir. Dormir dentro do Elísio significa que qualquer um da corte sabe exatamente onde a coterie está.
⛪ O Pastor no pátio
Pastor Elias Montenegro está sentado no pátio interno, esperando alguém com quem falar.
— Ei, você. Já sei quem são vocês. Vocês são cainitas, não? Não me enrola, eu trabalho para um vampiro também. Não se preocupe com a Máscara. — É muito bom conversar com algum membro. Muito difícil, esses encontros. Eu sou um carniçal. — Carniçal é quem toma sangue de um cainita por algum tempo e se torna seu servo. É muito bom beber vitae, é viciante. Não existe droga melhor que essa. — Não posso dizer, mas estou em uma missão secreta para meu Mestre. Não posso dizer quem é meu mestre. — Tranquilo, se não quiser conversar.
Ele não tem nada sobre o caso. É textura, é solidão, e é o primeiro nome que a coterie vai reconhecer na Pt. 1.
🔍 O que a noite deixa
| Pista | Como se pega | O que vale |
|---|---|---|
| A versão oficial existe e é rasa | Raciocínio + Intuição, Dif. 3 | Ninguém foi à nascente. Nem a vigilância, nem o Xerife |
| Ninguém da corte se importa | Automático | O caso é da coterie e de mais ninguém |
| A quinta cadeira | Automático | Só faz sentido na Pt. 1 |
| "Indisposto há três semanas" | Raciocínio + Intuição, Dif. 2 | Mentira educada. Fecha na Pt. 1 |
🎴 Irmã Celina — Lasombra, Príncipe interina
| Clã Lasombra · Geração 10ª · Potência de Sangue 3 · Humanidade 7 | |
| Ataque 8 · Defesa 6 · Vitalidade 9 · Vontade 9 | |
| Perícias | Intimidação 4, Erudição 4, Etiqueta 4, Ocultismo 3, Política 4 |
| Disciplinas | Oblívio 4 (Braços do Abismo, Manto da Sombra) · Dominação 3 · Potência 2 |
| Paradas prontas | Resistir a intimidação 9 · Detectar mentira 7 · Dominar um mortal 7 |
| Nesta parte | Apresenta a corte e recusa o caso. Não aparece de novo |
| O que ela quer | Que a cidade fique quieta até Anápolis esquecer que ela é interina |
| Se ouvir a palavra "Sabá" | (ver adiante) Encerra o assunto e não volta a ele |
| Fala | — Eu não governo esta cidade. Eu seguro a porta dela. |
🎴 Dr. Henrique Curado — Ventrue, Xerife
| Clã Ventrue · Geração 11ª · Potência de Sangue 2 · Humanidade 6 | |
| Ataque 9 · Defesa 6 · Vitalidade 9 · Vontade 8 | |
| Perícias | Intimidação 4, Investigação 4, Política 5, Liderança 4, Medicina 4 |
| Disciplinas | Dominação 3 (Mesmerismo, Esquecer) · Fortitude 3 · Presença 2 |
| Paradas prontas | Detectar mentira 7 · Intimidar 8 · Encerrar um assunto 9 |
| Nesta parte | Dá a ordem, planta a versão oficial, e recusa a fazenda na Reunião |
| O que ele quer | Que ninguém olhe para prédio de saúde, e que a cidade continue calada |
| O que ele não sabe | Qual nascente. Ele publicou sem verificar |
| Fala | — Anarca não é crime. Anarca é tendência. |
🎴 Vittoria di San Martino — Toreador, Guardiã do Elísio
| Clã Toreador · Geração 11ª · Potência de Sangue 2 · Humanidade 7 | |
| Ataque 7 · Defesa 6 · Vitalidade 8 · Vontade 6 | |
| Perícias | Etiqueta 4, Lábia 4, Prontidão 4, Erudição 3, Ofícios 3 |
| Disciplinas | Presença 3 · Auspícios 3 · Ligeireza 2 |
| Paradas prontas | Convencer 7 · Mentir 5 (ela mente mal) · Avaliar objeto 8 |
| Nesta parte | A única da corte minimamente incomodada. Doente espanta turista |
| O que ela quer | Que a temporada não afunde, e as quatro peças que nunca chegaram |
| Fala | — Beleza é a única coisa que sobrevive à política. |
🎴 Joaquim "O Comendador" de Oliveira — Toreador, Hárpia
| Clã Toreador · Geração 10ª · Potência de Sangue 3 · Humanidade 6 | |
| Ataque 6 · Defesa 5 · Vitalidade 8 · Vontade 7 | |
| Perícias | Etiqueta 5, Subterfúgio 5, Erudição 5, Prontidão 4, Finanças 5 |
| Disciplinas | Presença 4 · Auspícios 3 · Ligeireza 2 |
| Nesta parte | Só a discussão de abertura. Anota os quatro nomes |
| Fala | — Eu não julgo ninguém. Eu só anoto. |
🎴 Pastor Elias Montenegro — Carniçal do Algoz
| Ataque 4 · Defesa 3 · Vitalidade 5 · Vontade 4 | |
| Perícias | Lábia 4, Liderança 3, Erudição 3 (Teologia) |
| Paradas prontas | Pregar 7 · Resistir a coação 4 · Guardar segredo 2 |
| Nesta parte | Textura. Não sabe nada sobre os doentes |
| Fala | — É que ninguém conversa comigo. |
🍻 Noite 2 — A Rua do Lazer
📍 A Vittoria convida a coterie para uma conversa mais descontraída num bar de esquina com velas e música ao vivo.
Vittoria: — Senhores, permitam-me apresentar o anarquista mais fofo de Pirenópolis. Rafa "Canela-Fina" Monteiro — motoqueiro, poeta e o pesadelo de qualquer xerife.
Rafa "Canela-Fina": — Fofo, Vittoria? Vai acabar com minha fama. Mas é isso aí, camaradas... sejam bem-vindos. — Quando se cansarem da Camarilla, venham ao Boteco do Tiano, território Brujah e anarquista da cidade. Se quiserem ouvir umas verdades — ou mentiras boas —, é pra lá que a revolução vai acontecer.
🚫 A noite sem pistas
Para o Narrador: esta noite não entrega nada, e é de propósito. Ela existe para a mesa aprender que nem todo NPC se liga à trama, e para que a Noite 3 doa mais quando o único que se importa for um rato de rua.
Se perguntarem ao Canela-Fina sobre os doentes:
— Doente? Mano, morre gente todo dia. Morria antes de mim, morria antes de você. — Meu problema é vampiro velho mandando em quem tá vivo. O resto é hospital.
(Se insistirem — Manipulação + Lábia, Dif. 3:)
— Olha, se você quer mesmo saber: eu não fui atrás. Vou ser sincero com vocês, porque mentira é coisa de Torre. — E se der merda, eu tô aqui.
A Vittoria é a única que dá alguma coisa, e ela dá porque é comercial:
— Está péssimo para os negócios. Duas pousadas fecharam a temporada mais cedo. — Vem gente doente, vai gente doente, e agora todo mundo em Goiânia acha que a água daqui mata. — Eu perguntei. Ninguém sabe de nada. É a única coisa nesta cidade que ninguém está escondendo — todo mundo simplesmente não olhou.
🤫 A palavra proibida
Se alguém da mesa disser "Sabá" — por dedução, por chute ou por já conhecer o cenário —, a reação é uniforme e ensaiada, e é isso que a torna estranha:
| Quem | Resposta |
|---|---|
| Celina | — Não se diz essa palavra no meu Elísio. E encerra |
| Henrique | — Isso é boato de anarca querendo desestabilizar a Torre. Não repita |
| Vittoria | Muda de assunto, e mal |
| Comendador | Anota. Não responde |
| Canela-Fina | (rindo) — Ah, então já contaram essa pra vocês? Essa cidade adora história de assombração |
Para o Narrador: ninguém da Torre vai falar disso nesta parte, em nenhuma circunstância. A resposta padrão é sempre "boato de anarca". A coterie sai da Parte Zero sem o nome Pompeu e sem saber que a cidade já foi do Sabá. Isso é entrega do Mateus na Pt. 2 e da Celina na Pt. 3.
🎴 Rafa "Canela-Fina" Monteiro — Brujah, anarca
| Clã Brujah · Geração 12ª · Potência de Sangue 1 · Humanidade 7 | |
| Ataque 8 · Defesa 6 · Vitalidade 8 · Vontade 6 | |
| Perícias | Manha 4, Briga 4, Lábia 4, Condução 3, Liderança 3 |
| Disciplinas | Potência 2 · Presença 2 · Ligeireza 2 |
| Nesta parte | Simpático e inútil. Só se importa com a política dos mortos |
| O que ele quer | Que ninguém morra à toa — mas ainda não considera isso "à toa" |
| Fala | — A revolução não dorme. Ela só espera a próxima noite. |
🏥 Noite 3 — O Ernestina
🐀 Quem procura eles
📍 Na saída da pousada, encostado num poste, um homem magro de uns quarenta anos, roupa surrada, mochila. Está esperando há horas e não esconde isso.
Zed: — Vocês são os de fora, né? Os que vieram na caminhonete do Mateus.
Ele começa por aí de propósito. É a credencial dele, é a única que tem, e ele sabe que serve.
— Mateus Sampaio. É meu amigo há uns doze anos. Foi ele que falou de vocês. — Ele disse que vocês vieram por causa dos doente. Se for verdade, a gente quer a mesma coisa.
(Se perguntarem quem é:)
— Zed. Só Zed. — Eu durmo onde dá. Isso não me faz burro, faz informado. — Não sou dessa política de vocês, não sou de lado nenhum. Ando por aí. Conheço muita gente que não tem pra quem contar.
(Se perguntarem por que ele se importa:)
— Porque tá morrendo gente que ninguém conta. — Vocês entraram nessa cidade ontem e já viram que ninguém aqui em cima levantou um dedo. Eu tô nisso faz três meses, sozinho. — Agora chegou quatro que foram mandados. Eu não vou desperdiçar isso.
Para o Narrador: a mesa pode conferir com o Mateus, e o Mateus confirma — só isso, e sem entusiasmo: — Zed? Conheço. Gente boa. Não pergunta muito, não. O Mateus não sabe o que ele é.
Se a coterie tiver queimado o Mateus com o Xerife na Noite 1, o Zed sabe disso e entra mais frio, mas entra do mesmo jeito. Ele precisa deles.
(Se perguntarem o que ele é — Raciocínio + Intuição, Dif. 5:) alguma coisa não fecha. Ele não cheira a mortal comum e não cheira a Kindred. Nada mais que isso, e ele não ajuda.
— Sou gente. Que nem você já foi.
Para o Narrador: o Zed é Garou, Roedor de Ossos. Ele não revela isso em hipótese nenhuma antes da Noite 5, nem sob Dominação — que falha nele. Se a mesa apertar, ele fica seco, muda de assunto, e some por uma noite.
O que ele traz:
— Hospital municipal. O Ernestina. Tá cheio, e não é de gripe. — Fui lá três vezes. Ninguém me deixa passar da recepção, porque eu sou eu. — Vocês passam.
🏚️ O hospital
📍 Hospital Municipal Ernestina Lopes Jaime. Público, sucateado, corredor com maca encostada na parede porque não há quarto. Duas enfermeiras para a ala inteira. Ninguém pergunta quem são vocês.
| Como entrar | Teste |
|---|---|
| Andar como se trabalhasse ali | Manipulação + Subterfúgio, Dif. 2 |
| Jaleco e prancheta | Sem teste, se tiverem |
| Dominação na recepção | Funciona, e é desnecessário |
| Visita normal, no horário | Sem teste. A porta está aberta |
💬 As entrevistas
Cinco leitos, cinco histórias, e a mesma história.
(Cada conversa: Carisma + Empatia, Dif. 2. Falha não fecha a porta — o doente responde menos e fala mais de si.)
🛏️ Dona Ivonete, 68 — artrose, e depois outra coisa
— Eu subi de perua com mais onze pessoa. Foi em maio. — Menina, eu desci daquela pedra andando sem bengala. Trinta e dois anos com bengala. — Aí passou. Voltei. Passou de novo, mas passou mais depressa. Eu já subi sete vez.
(Se perguntarem se ela acha que a água fez mal — Carisma + Empatia, Dif. 3:)
— Que isso, meu filho. A água é a única coisa que me alivia. — Eu tô assim porque eu demorei demais pra voltar da última vez. Foi culpa minha.
🛏️ Sr. Damião, 54 — pedreiro
— Eu não sou de crendice. Eu fui porque o médico falou que não tinha mais o que fazer. — Melhorei. Melhorei mesmo, doutor, eu voltei a trabalhar duas semana. — Da terceira vez em diante já não segurava um dia inteiro. Da quinta, eu subi e desci pior do que subi.
(Se perguntarem por que continuou subindo:)
— E ia fazer o quê? Parar?
🛏️ Bruna, 23 — turista, de Goiânia
— Postaram num grupo. "Cachoeira secreta", "água que cura", essas coisas. Eu fui pela foto, juro. — Tinha uns quarenta na fila. Gente de muleta. Gente com criança no colo. — Não é um lugar público, sabe? Tem porteira. Tem gado. É fazenda de alguém. — E olha, eu vi gente lá que claramente já tinha ido muitas vezes. Sabiam onde sentar, sabiam a hora.
🛏️ Seu Tonho, 71 — lavrador, da região
— Aquela água é do Poço do Cruzeiro. Todo mundo aqui sabe o nome, ninguém sabe o caminho. — De primeiro era proibido. O dono não deixava entrar ninguém. — Agora deixa. Mudou de ideia de uma hora pra outra, e ninguém sabe por quê.
(Ele é o único que diz isto, e diz baixo:)
— Meu compadre subiu doze vez. Doze. Da última, teve que levar carregado. — Eu falei pra ele: cumpadre, cê tá pior desde que começou. — Ele falou que era o contrário. Que sem a água já tinha morrido. E pode ser que seja verdade, moço. Eu não sei.
🛏️ Leito 12 — vazio
Lençol trocado, prontuário na grade.
(Raciocínio + Investigação, Dif. 1:) alta a pedido, três noites atrás. Motivo anotado à mão pela enfermeira: "transferência para o Rosário — família insistiu".
(Se perguntarem à enfermeira — Carisma + Empatia, Dif. 2:)
— Ah, esse vai muito. Quando a gente diz que não tem mais o que fazer, a família leva pro Rosário. — Lá é particular, mas eles aceitam quem não pode pagar. Dizem que fazem milagre.
Para o Narrador: essa é a linha que costura a Parte Zero na Pt. 2, e ela passa em dez segundos. Não sublinhe.
🔍 O que as entrevistas entregam
| # | Pista | Como se fecha |
|---|---|---|
| 1 | Todos foram à mesma fonte: o Poço do Cruzeiro | Automático, se ouvirem dois ou mais |
| 2 | Todos voltaram várias vezes, e cada vez durou menos | Automático |
| 2b | Nenhum deles culpa a água. Todos culpam a si mesmos | Automático, e é o que assusta |
| 3 | A fonte fica dentro de propriedade particular | Bruna e Seu Tonho |
| 4 | Todos pagaram a mesma pessoa para subir | Raciocínio + Investigação, Dif. 2, cruzando os relatos |
| 5 | O dono liberou o acesso do nada, faz alguns meses | Seu Tonho |
| 6 | O Rosário recebe os desenganados | Leito 12 |
Para o Narrador — a dedução que a mesa tem que fazer sozinha: nenhum doente vai dizer que a água faz mal, porque para eles ela é a única coisa que funciona. Quem tem que fechar essa conta é a coterie, cruzando cinco relatos que dizem a mesma coisa com palavras diferentes: quanto mais sobe, pior fica, e quanto pior fica, mais sobe.
Se a mesa disser isso na cara de um doente, ele não acredita. A Dona Ivonete se ofende. O Damião responde com a pergunta que não tem resposta: e ia fazer o quê, parar?
🎫 O nome do guia, e o cartaz
A pista 4 é a que move a parte. Todos dizem o mesmo apelido, e ninguém sabe o sobrenome:
— Divino. O Divino da Serra. — Cobra cinquenta por cabeça, leva de perua, sai da rodoviária de madrugada.
E na bolsa da Bruna, dobrado em quatro, um cartaz impresso em gráfica rápida:
✨ FESTA DA SANTA ✨
Poço do Cruzeiro · Fazenda Bonsucesso
DIA 13 · LUA CHEIA Bênção das Águas à meia-noite A Santa vem em pessoa abençoar a fonte Música ao vivo · Fogueira · Entrada franca Informações: procurar o Divino na rodoviária
(Raciocínio + Prontidão, Dif. 1:) "Entrada franca." Até agora era cinquenta por cabeça, com guia, com autorização. Agora é de graça e está impresso.
Para o Narrador: é a mudança de fase, e a mesa não tem como saber disso ainda. Enquanto era só a água, precisava de guia e de segredo. Agora que ela vai aparecer, virou romaria — e o guia ficou obsoleto. É por isso que ele pôde ser gasto.
📅 A data
Cheque o calendário da mesa. O dia 13 deve cair duas noites depois desta. Se a mesa demorar, a Noite 4 e a Reunião cabem no mesmo dia sem apertar.
🎴 Zed — "só Zed"
| Aparência Homem magro, quarenta e poucos, roupa surrada, cheiro de rua | |
| Ataque 6 · Defesa 5 · Vitalidade 7 · Vontade 8 | |
| Perícias | Manha 4, Sobrevivência 4, Prontidão 4, Furtividade 3, Empatia 3, Briga 3 |
| Paradas prontas | Achar alguém na rua 8 · Notar vigilância 8 · Não responder 9 · Aguentar dor 7 |
| Vantagens | Contatos 4 (morador de rua, catador, camelô, motorista de perua) |
| Ligação | Amigo do Mateus Sampaio há doze anos. É como ele chega à coterie. O Mateus não sabe o que ele é |
| Imunidades | Dominação e Presença falham nele. Ele não comenta, e não explica |
| O que ele quer | Que pare de morrer gente que ninguém conta |
| O que ele esconde | É Garou, Roedor de Ossos. Só sai na Noite 5, e sai porque não teve escolha |
| Nesta crônica | Aparece só na Parte Zero. Some depois do festival e não volta |
| Fala | — Sou gente. Que nem você já foi. |
⚠️ Se a mesa testar o Zed
| O que tentam | O que acontece |
|---|---|
| Dominação / Presença | Falha. Sem explicação, sem reação dele. Ele finge que não notou |
| Auspícios / sentir a aura | A aura não é de mortal e não é de Kindred. É quente, e o leitor sente desconforto |
| Provar o sangue dele | Ele recusa, e recusa de um jeito que encerra o assunto. Se forçarem, ver abaixo |
| Violência | Ele apanha, aguenta, e não revida. Some por duas noites e volta mais frio |
| Seguir — Destreza + Furtividade, Dif. 4 | Ele dorme em barracão de reciclagem, com mais oito pessoas. Nada suspeito |
Se a mesa insistir em forçá-lo fisicamente: ele não se transforma, não ameaça e não denuncia. Ele vai embora, e a coterie perde o único acesso ao festival — e vai ter que achar a Fazenda Bonsucesso sozinha, sem quem conheça a serra. Isso é permitido, e custa uma noite inteira de mato.
🎭 Noite 4 — O Guia
📍 Rodoviária de Pirenópolis, uma da manhã. A perua está estacionada no pátio de sempre. Chave na ignição. Porta aberta.
Zed: — Ele não pega mais ninguém faz uma semana. E não saiu daqui.
📍 Ele mora nos fundos de um lote na Vila Matutina, casa de dois cômodos, quintal de chão batido.
🕯️ O que está lá dentro
Divino Ramos está de pé no meio da sala, no escuro, virado para a parede.
Não se move quando a porta abre. Não olha. Está de camisa limpa, calça de trabalho, chinelo — vestido para trabalhar, num horário em que ninguém trabalha.
A televisão está ligada, sem som, sem canal. Há um prato de comida na mesa, intocado, com mofo.
(Auspícios, ou Raciocínio + Prontidão, Dif. 3:) ele não respira. Não respira há dias.
🗣️ Se tentarem falar com ele
Não há resposta, e é isso que a cena precisa entregar.
| O que tentam | O que acontece |
|---|---|
| Chamar pelo nome | Nada. Ele não vira |
| Tocar no ombro | Ele vira devagar. Olha através da pessoa. E volta a olhar a parede |
| Dominação | Falha. Não há mente para pegar |
| Presença | Falha |
| Interrogar, ameaçar, subornar | Nada. Nunca |
| Perguntar da fonte, ou da Santa | Uma única reação: ele repete a hora. — Meia-noite. Lua alta. |
Para o Narrador: ele é Flagelante, Estágio I. Foi à fonte, adoeceu, foi ao Rosário, recebeu a cura pelo sangue e voltou andando. Está cumprindo uma escala que ninguém mais mantém — porque o trabalho dele acabou quando o festival virou público.
Ele não é ameaça e não ataca. Só reage se tentarem tirá-lo do lugar ou levá-lo embora.
⚔️ O combate, se houver
Só há combate se a mesa provocar — arrastar, algemar, imobilizar, ou atacar.
Aí ele agarra, e não solta, e não sente nada.
⚠️ Atenção à mecânica
Estágio I não pega fogo sozinho. Se a mesa aplicar dano agravado ou fogo, ele começa a queimar por dentro — chamas negras, três turnos, e não apaga. A casa é de madeira e telha.
| Situação | Consequência |
|---|---|
| Imobilizam sem dano agravado — Força + Briga, Dif. 3 | Ele para de lutar quando param de puxar. Continua em pé |
| Dano comum até 0 de Vitalidade | Ele cai e não se mexe. Não queima. O corpo fica |
| Dano agravado ou fogo | Queima. Três turnos, 2 de dano agravado em adjacentes por turno |
| Deixam a casa pegar fogo | Vizinhança acordada, bombeiros, e o Xerife na manhã seguinte |
Rötschreck: quem estiver adjacente às chamas negras testa Vontade, Dif. 2.
O corpo importa. Se sobrar corpo, a coterie carrega a prova mais concreta da parte: um homem morto há dias que estava de pé, vestido para trabalhar. Se queimou, sobra cinza com forma de gente — e a Pt. 3 vai mostrar mais três dessas em Lagolândia.
📦 O que ele carrega, e é isto que move a parte
Sem teste. Quem procurar, acha. O teste serve para entender.
| # | Achado | Onde | O que diz |
|---|---|---|---|
| 1 | Caderno de capa dura, encardido | Bolso da calça | Nome, telefone e valor pago. Cento e quarenta e três pessoas em cinco meses. Muitos nomes do Ernestina |
| 2 | Autorização de acesso, folha datilografada | Dobrada dentro do caderno | Fazenda Bonsucesso · Estrada do Cruzeiro, km 18 · Portador autorizado a conduzir visitantes ao Poço do Cruzeiro |
| 3 | Assinatura do dono | Rodapé da autorização | Osvaldo Peixoto Vilela. Firma reconhecida em cartório, sete meses atrás |
| 4 | Cartaz do festival, igual ao da Bruna | Pregado na parede | Dia 13, lua cheia, entrada franca |
| 5 | Um rosário de contas de osso | No pescoço, por dentro da camisa | (Inteligência + Ocultismo, Dif. 3:) não é devocional católico. As contas estão marcadas, uma a uma |
| 6 | Pulseira hospitalar cortada | Fundo do bolso | Nome dele, e um código de setor. Não é do Ernestina |
🔍 A pulseira
(Inteligência + Investigação, Dif. 3, ou Medicina, Dif. 2:) o código não bate com o Ernestina nem com nenhum posto público. É numeração de prédio de saúde particular.
Para o Narrador: guarde essa pulseira. Se a mesa ficar com ela, é a segunda — e na Pt. 1 o Xerife vai recolher uma idêntica do braço de um cantor em chamas e travar meio segundo antes de guardar no bolso.
🧾 O cruzamento
(Inteligência + Investigação, Dif. 2, com o caderno e as entrevistas:)
Os nomes dos cinco doentes do Ernestina estão no caderno do Divino. Todos com data. E o próprio Divino está na última página, escrito por ele mesmo, com a data de dois meses atrás e sem valor pago.
Ele levou cento e quarenta e duas pessoas e, na última linha, levou a si mesmo.
🎴 Divino Ramos, "o Divino da Serra" — Flagelante, Estágio I
| Era Guia turístico e motorista de perua. Trinta e oito anos. Devoto | |
| Ataque 5 · Defesa 3 · Vitalidade 6 · Vontade 3 | |
| Imune a Dominação e Presença. Não há mente para pegar | |
| Sem disciplinas. Não fala, não foge, não negocia | |
| Combustão | Só com dano agravado ou fogo. Queima por dentro, três turnos, e não se apaga |
| O que ele quer | Cumprir a escala. A escala acabou e ninguém avisou |
| Única fala | — Meia-noite. Lua alta. |
⟡ A Reunião
Obrigatória. O Xerife mandou que toda informação passasse por ele antes de qualquer outra pessoa. Se a mesa tentar pular esta cena, o Henrique fica sabendo de qualquer jeito — a corte é pequena — e a conversa acontece do mesmo jeito, mais fria.
📍 Elísio, Pousada das Cavalhadas. Henrique recebe sozinho. Ouve o relato inteiro sem interromper.
O endereço
Quando disserem "Fazenda Bonsucesso, Estrada do Cruzeiro, km 18", ele para.
— Repete o quilômetro.
(Ele repete para si mesmo, e não escreve.)
— Não. — Aquilo ali é serra. Aquilo ali, a partir do km 12, não é nosso.
🐺 A recusa
— Existe um acordo nesta região que é mais velho que esta Torre, e ele é simples: eles ficam lá em cima, nós ficamos aqui embaixo. — Não é medo. É aritmética. Nós somos cinco. — A Torre não sobe naquela serra. Nem eu, nem o Algoz, nem a Príncipe.
Se insistirem:
— Vocês estão me pedindo autorização para entrar num lugar de onde ninguém volta, por causa de gente que está morrendo de qualquer jeito. — A resposta é não.
| Se a coterie | Então |
|---|---|
| Aceita e encerra | Ele agradece a diligência. E a parte acaba aqui, sem nada resolvido (ver adiante) |
| Pede recurso, arma, apoio | — Não vou equipar ninguém para uma coisa que eu proibi |
| Diz que vai mesmo assim | — Então não me diga. Eu não ouvi isso. E é uma permissão, e os dois sabem |
| Mente e diz que não achou nada | Manipulação + Subterfúgio, Dif. 4 contra parada 7. Se colar, saem livres |
| Entrega o caderno e a autorização | Ele guarda. Some. E não faz nada com aquilo |
| Menciona o cartaz e a data | — Festa de igreja. A cidade tem uma por semana |
Para o Narrador: o Henrique não está protegendo nada aqui. Ele não sabe da Santa, não sabe da Doracy, não sabe do Rosário. Ele está genuinamente cumprindo um acordo com os Garou que mantém esta cidade de pé há décadas — e está, sem saber, deixando uma nascente consagrada funcionando por mais quatro meses.
🐀 Na saída
Zed está esperando na esquina. Não perguntou como foi.
— Falaram não, né? — Falaram não pra mim também, e eu nem cheguei a perguntar.
(Ele acende um cigarro e demora.)
— Eu subo aquela serra. Já subi. Eu conheço gente lá em cima. — Não me pergunta como, que eu não vou responder. Mas se vocês forem, vocês voltam. Isso eu garanto.
| Se perguntarem | Ele responde |
|---|---|
| Como ele sobe | — Andando |
| Que gente ele conhece | — Gente que não gosta de vocês. Mas gosta menos daquela água |
| Por que está ajudando | — Porque tá morrendo gente que ninguém conta. Já falei isso |
| Se ele garante mesmo | — Garanto que vocês sobem e descem. O meio é com vocês |
Se a coterie decidir ir sozinha, sem ele: podem. A subida custa uma noite a mais (Raciocínio + Sobrevivência, Dif. 4, ou perdem o dia 13), e o Zed aparece lá em cima de qualquer jeito.
🔥 Noite 5 — O Festival
📍 Estrada do Cruzeiro, km 18. Porteira aberta, com um menino cobrando estacionamento. Pasto, curral, sede de fazenda com luz acesa. Da sede sai uma trilha de terra batida que desce meia hora até a água.
📍 Poço do Cruzeiro. Uma queda d'água de uns doze metros caindo numa bacia de pedra, com um paredão atrás. Na margem larga, uma fogueira grande e umas oitenta pessoas.
🎪 O que a coterie encontra
Nada de sobrenatural. Nada. Por três horas.
- Música ao vivo — viola, caixa, gente cantando junto.
- Cerveja, pinga, churrasco de espeto vendido por família da região.
- Gente rezando, gente dançando, gente chorando, gente em transe leve.
- Doentes. Muitos. Cadeira de rodas na areia, criança no colo, muleta encostada na pedra.
- Um cartaz igual ao da Bruna, pregado numa árvore.
Para o Narrador: deixe a mesa circular. Deixe conversarem. Deixe se convencerem de que erraram o lugar. Esta hora tranquila é o que faz o resto funcionar.
💬 O que se colhe circulando
(Carisma + Lábia, Dif. 2, ou só conversar.)
| Pergunta | Resposta típica |
|---|---|
| Que horas chega a Santa? | — Meia-noite. Quando a lua tiver alta |
| Quem é a Santa? | — A Santa, uai. A Santa. Ninguém diz um nome, e ninguém acha isso estranho |
| Alguém já viu? | — Minha comadre viu. Diz que ela não pisa no chão molhado |
| Quem organizou isso? | — O pessoal da Irmã. E apontam para a sede da fazenda |
| Cadê o Divino? | — Sumiu. Nem precisa mais dele, né? Agora é aberto |
| É sua primeira vez aqui? | — Primeira? (riem) Quase ninguém ali está na primeira vez. Há quem esteja na décima |
| Você não acha que piorou? | — Piorei foi de doença, moço. Sem essa água eu já tinha ido |
👤 Seu Osvaldo, o dono
Setenta e poucos anos, sentado numa cadeira de plástico perto da fogueira, recebendo todo mundo como anfitrião de festa de igreja.
(Carisma + Empatia, Dif. 2:)
— Eu tinha um câncer no pâncreas, meu filho. Quatro meses de vida, o médico deu. — Isso foi em outubro. Eu tô aqui. — A terra é minha, mas a água não é. A água é dela. Eu só abri a porteira.
(Se perguntarem quando ele conheceu a Santa:)
— Ela veio aqui. Sentou onde cê tá sentado. — Pediu licença, ó. Pediu licença pra usar a minha água. Quem é que faz isso hoje em dia?
(Raciocínio + Prontidão, Dif. 3, ou Medicina, Dif. 2:) ele bebe daquela água todo dia, e faz isso há dez meses. Está sempre no pico do alívio e nunca no fundo do intervalo — é por isso que parece curado.
E ele não está bem. A pele é de doente. A mão treme. Ele emagreceu tanto que a aliança gira no dedo, e atribui isso à idade.
Ele é mortal, é inocente, e é o exemplo perfeito do que a fonte faz. Não sabe de nada. Se a mesa o machucar, é Princípio 2.
Se destruírem a bica, ele morre em algumas semanas. A coterie nunca fica sabendo.
🌑 Meia-noite
A música para. Ninguém mandou parar.
A fogueira baixa — não apaga, baixa, e a luz fica alaranjada e curta. As oitenta pessoas se viram para a trilha, e ninguém precisou avisar.
A procissão
Descem em fila, um atrás do outro, sem lanterna:
| Quem | Quantos | O que fazem |
|---|---|---|
| Flagelantes, Estágio I | 6 | Descem, se espalham na margem e rezam |
| Flagelante, Estágio II | 1 | Fica na boca da trilha. Não desce |
| O Irmão (Kindred) | 1 | Desce até a beira da pedra e conduz a bênção |
A multidão se ajoelha. Alguns choram. Ninguém foge, ninguém acha ruim, ninguém percebe que os que rezam não respiram.
(Auspícios, ou Raciocínio + Prontidão, Dif. 2:) nenhum dos seis pisca. Nenhum dos seis respira. A coterie é a única pessoa naquela margem que sabe o que está olhando.
🕯️ A silhueta
Ela não desce.
Em cima do paredão, no alto da queda, à esquerda da água, aparece uma figura de véu. A lua está atrás dela. Ninguém consegue ver rosto, ninguém consegue medir altura, e ninguém consegue dizer há quanto tempo ela está ali.
E a voz chega. Chega limpa, por cima de doze metros de água caindo, o que é impossível.
— Vocês vieram doentes. — Esta cidade adoece há vinte e seis anos e ninguém aqui sabe por quê. Eu sei. — Bebam. E quem tiver fé, levanta.
(Inteligência + Ocultismo, Dif. 3:) aquilo que ela desenha no ar com a mão, devagar, para que todos vejam, não é o sinal da cruz.
Para o Narrador — regra dura desta cena: a Santa Dica não é alcançável. Não desce, não é atingida, não é tocada, não responde a ninguém e não tem nome nesta parte.
Se alguém atirar, subir, invocar disciplina ou avançar: ela já não está lá. Sem barulho, sem transição, sem efeito visual. Um segundo tem véu contra a lua, no outro tem lua.
A coterie sai desta noite jurando que viu a Santa e sem poder provar nada a ninguém. É lenda. É para ser. O encontro de verdade é no Teatro, na Pt. 3, e é o único.
⚔️ O que acontece depois que ela some
No instante em que ela desaparece, os seis Estágio I param de rezar ao mesmo tempo.
E viram para a coterie. Só para a coterie.
Para o Narrador: eles não sabem quem a coterie é. Eles reagem a quem quebrou o compasso. Se ninguém tiver avançado, eles viram assim mesmo — porque o Irmão apontou.
O Irmão: — Estes aqui não vieram beber.
🚨 O problema real da cena
Não é o combate. São as oitenta pessoas.
A multidão entra em pânico assim que a primeira criatura pegar fogo, e a trilha de subida é estreita, de terra, no escuro, com doente e cadeira de rodas no meio.
A coterie tem três problemas simultâneos e não consegue resolver os três bem:
| # | Problema | O que está em jogo |
|---|---|---|
| 1 | A multidão | Máscara, e Princípio 2. Oitenta mortais, muitos sem andar |
| 2 | Os Flagelantes | Sobrevivência |
| 3 | A fonte | A única vitória concreta da parte |
🧯 Tirar a multidão dali
| Ação | Teste | Resultado |
|---|---|---|
| Gritar fogo / gritar polícia antes de tudo começar | Carisma + Liderança, Dif. 3 | A melhor jogada da noite. Esvazia metade da margem antes |
| Organizar a subida durante o pânico | Carisma + Liderança, Dif. 4 | Ninguém morre pisoteado |
| Presença em área | Conforme a disciplina | Funciona, e é caro |
| Tirar gente da água e da pedra | Destreza + Atletismo, Dif. 2 | Uma pessoa por sucesso |
| Impedir filmagem | Manipulação + Intimidação, Dif. 3 | Há uns quinze celulares gravando. Cada um que sobrar volta na Pt. 1 |
| Não fazer nada | — | Três mortos na trilha, e vídeo no grupo da cidade |
Máscara: se a coterie usar disciplina ostensiva na frente da multidão, é quebra. O Xerife encerra o caso na manhã seguinte de qualquer jeito — mas passa a acompanhá-los, e isso vale na Pt. 1.
⚔️ Os Flagelantes
Seis Estágio I e um Estágio II. Não é para ser difícil. É para ser sujo.
| Inimigo | Como se comporta |
|---|---|
| Estágio I (6) | Agarram. Não sentem dano. Só queimam se levarem agravado ou fogo |
| Estágio II (1) | Fecha a trilha. Não deixa ninguém subir. Combustão espontânea a 0 de Vitalidade |
| O Irmão (Kindred, 12ª) | Não luta até precisar. Tenta chegar à pedra da nascente e defendê-la |
⚠️ Cuidado com o fogo perto da multidão. Cada Estágio I que a mesa incendiar espalha chama negra numa margem cheia de gente. É a armadilha da cena, e ela é honesta: a maneira mais rápida de vencer é a que mata inocente.
💧 A fonte
📍 Acima da queda, num patamar de pedra, há um cano de PVC e uma bica de pedra lavrada — a nascente real, canalizada. Em volta, cera derretida em círculo, e velas consumidas até o fim.
(Inteligência + Ocultismo, Dif. 3:) a consagração não está na água. Está na pedra. A pedra da bica tem inscrição raspada em latim e uma segunda camada por cima, mais recente, em português.
| Como destruir | Teste | Resultado |
|---|---|---|
| Quebrar a pedra da bica | Força + Briga, Dif. 4 (ou marreta, Dif. 2) | Resolve. A nascente volta a ser água |
| Fogo sobre a pedra | Sem teste, se tiverem como | Resolve |
| Entulhar a nascente | Destreza + Ofícios, Dif. 3 | Resolve por uns meses |
| Envenenar / desviar a água | — | Não resolve. O problema não é a água |
Se a mesa não subir até a bica, o festival é interrompido e mais nada. Os doentes param de vir por umas semanas, por medo, e depois voltam. Não é vitória.
🐺 O Zed
Quando a coterie estiver cercada, ou quando a multidão estiver na trilha, ou quando o Estágio II fechar a subida — o que vier primeiro.
Ele está a uns dez metros. Tira a mochila do ombro e a coloca no chão com cuidado, como quem vai voltar para pegar.
— Foi mal.
E ele se abre.
Não é transformação de filme. É rápido e é errado. O corpo abre onde não devia abrir. O que fica de pé tem quase três metros e não é lobo, não é homem e não é as duas coisas.
⚠️ Rötschreck
Todo Kindred que vê testa Vontade, Dif. 4.
| Resultado | Efeito |
|---|---|
| Sucesso | Nada, além de saber o que acabou de descobrir |
| Falha | Rötschreck. Frenesi de terror, conforme V5 p. 219 |
| Falha total | Frenesi, e o personagem foge morro abaixo pelo mato |
Isso não é injusto. Isso é o preço da informação, e a informação é: o cara que estava ajudando eles a semana inteira é um lobisomem.
O que ele faz
Ele não ataca a coterie. Passa por eles.
Arranca o Estágio II da boca da trilha em um golpe e o joga na pedra — e o Estágio II queima ao chegar a zero, o que abre a subida no meio das chamas.
Então ele para, olha para cima, para o alto da queda onde não tem mais ninguém, e diz a única frase que diz nesta forma:
— Ela é minha.
E sobe pelo paredão. Não volta.
| Se a coterie | Então |
|---|---|
| Esperar ele voltar | Ele não volta. Esperam até clarear e têm que descer correndo do sol |
| Tentar segui-lo | Destreza + Atletismo, Dif. 5 no paredão molhado. E não acham nada lá em cima |
| Atacá-lo | Ele revida uma vez e vai embora. Não persiste. Um golpe de Garou é agravado |
| Contar isso à Torre depois | (ver Fecho) |
Para o Narrador: o Zed jura que vai atrás dela, e ele acredita nisso. Não acontece nada. A Santa Dica reaparece inteira na Pt. 3, no Teatro, e o Zed nunca mais é mencionado por ninguém. Isso é alívio falso, e é deliberado. Não explique, não resolva, não traga de volta.
🌅 O amanhecer
A fogueira apagou sozinha. Sobrou margem molhada, sandália, muleta, cadeira de rodas virada, garrafa. Um cheiro que não sai da roupa.
Se destruíram a bica: a água desce transparente e comum, e ninguém ali sabe a diferença.
🎴 "O Irmão" — Kindred do culto, 12ª geração
| Geração 12ª · Potência de Sangue 2 · Humanidade 4 | |
| Ataque 9 · Defesa 6 · Vitalidade 9 · Vontade 6 | |
| Perícias | Ocultismo 3, Briga 3, Liderança 3, Intimidação 3 |
| Disciplinas | Oblívio 2 (Manto da Sombra) · Potência 2 · Fortitude 2 |
| Paradas prontas | Conduzir a bênção 8 · Fugir no escuro 8 · Proteger a pedra 9 |
| Comportamento | Defende a bica antes de defender a si mesmo. É o aviso de que a pedra importa |
| Se capturado | Não fala. Não implora. — A obra não se explica pro pedreiro |
| Se escapar | Some da crônica. Não reaparece |
| Fala | — Estes aqui não vieram beber. |
🎴 Zed — forma de guerra
| O que é Garou, Roedor de Ossos. Quase três metros | |
| Ataque 16 · Defesa 8 · Vitalidade 14 · Vontade 8 | |
| Dano | Agravado, sempre, contra Kindred |
| Regeneração | Cura dano comum entre turnos. Prata e fogo não curam |
| Efeito de presença | Rötschreck, Vontade Dif. 4, em todo Kindred que o vir |
| Imune a | Dominação, Presença, Dominação em área |
| Nesta cena | Não é oponente. Abre a trilha e sobe atrás dela |
| Depois | Nunca mais aparece na crônica. Não é resgatado, não é encontrado |
| Fala | — Ela é minha. |
🩸 Fecho — De volta ao Elísio
📍 Pousada das Cavalhadas, na noite seguinte. Henrique recebe sozinho, e é a única vez em toda a crônica que ele ouve a coterie até o fim sem interromper.
O relato
| O que contam | Consequência |
|---|---|
| Tudo, inclusive que subiram a serra | Ele não pune. Anota. — Eu não autorizei. Então não aconteceu |
| Que havia um lobisomem | Ele fica em silêncio por um tempo longo demais. — Vocês viram o quê, exatamente? |
| Que a fonte foi destruída | — Bom. Então acabou |
| Que havia uma mulher no alto da queda | — Havia oitenta pessoas bêbadas numa cachoeira. Metade jura que viu santa |
| Do rosário de osso, ou da pulseira | Ele estende a mão. Se entregarem, some. Se não, ele não insiste |
| Nada | Ele acredita, e passa a achar que são competentes. O que é pior |
A sentença
— Contaminação de nascente. Foi o que saiu no jornal, e foi o que aconteceu. — Uma fonte de fazenda, água ruim, um monte de crendice em volta. Está encerrado. — Vocês fizeram um bom trabalho para quem não devia ter subido lá.
E então, sem transição, o serviço que abre a Pt. 1:
— Vocês têm um serviço. Loja de Caça e Pesca, na Benjamin Constant. Procurem o homem que mora em cima, chamado Mercúrio. — Ele explica.
E é tudo que ele diz sobre o assunto a noite inteira.
💔 O que eles não ganharam
Não há elogio da Príncipe, não há status, não há território, não há saída.
Se perguntarem à Celina sobre voltar para Anápolis, a resposta é a mesma da primeira noite. Se mandarem relatório à Rosa, não há resposta — as estradas estão fechadas e nem carta desce.
A vitória é real e é pequena. A fonte parou. Ninguém mais vai adoecer daquela água.
E a fábrica não perdeu um turno. O Rosário continua recebendo desenganado, o rebanho das celas continua rendendo, e o Ismael continua trabalhando na estrada de Lagolândia toda quinta e todo domingo.
A coterie fechou a porta da frente de um prédio que tem porta nos fundos, e vai passar duas partes inteiras sem saber disso.
📦 O que sobrou na mão deles
| Item | Vale em |
|---|---|
| Pulseira hospitalar do Divino | Pt. 1 — é idêntica à que o Xerife recolhe do cantor |
| Caderno com 143 nomes | Pt. 2 — vários desses nomes acabam no Rosário |
| Rosário de contas marcadas | Pt. 3 — o Luciano sabe ler aquilo |
| Saber o que é um Flagelante antes de todos | Pt. 1 — quando quatro pegarem fogo na Rua do Lazer |
| Saber que existe uma "Santa" | Pt. 2 — quando a Doracy disser o nome dela |
| Saber que os Garou existem e são reais | Pt. 2 e Pt. 3 — o cerco deixa de ser abstrato |
| A dívida com o Mateus, pela carona | Pt. 2 |
| Ter subido a serra sem autorização | O Xerife guarda isso. Ele não esquece nada |
📕 Apêndice — O Flagelante
Esta é a única mecânica nova da crônica. Flagelante não existe no livro básico, e a regra abaixo substitui qualquer descrição anterior nas Partes 1, 2 e 3.
🧬 O que é
Um mortal desenganado que recebeu transfusão de vitae consagrada no Hospital Nossa Senhora do Rosário, apresentada como "a cura pelo sangue".
Não é vampiro. Não é sangue-fraco. Não é ghoul. É um corpo morto que continua funcionando, e a alma foi embora no processo.
| Sangue-fraco | Flagelante | |
|---|---|---|
| O que é | Vampiro de 14ª geração ou mais | Cadáver animado por vitae consagrada |
| Como se faz | Mordida. Abraço | Transfusão ritual |
| Tem alma? | Sim | Não |
| Para que serve | Insumo. É sangrado nas celas | Produto. É oferenda do ritual |
| Fome de sangue | Sim | Não. Não se alimenta |
| Dominação / Presença | Funciona | Falha. Não há mente |
A distinção é a coluna vertebral da crônica. A Pt. 2 depende dela.
🔥 Os dois estágios
Estágio I — uma transfusão
O recém-feito. Levanta, veste o crachá e cumpre a escala que a Irmã escrever. Não pensa, não fala além do necessário, não improvisa. Se a escala acabar, fica parado esperando ordem.
| Ataque 5 · Defesa 3 · Vitalidade 6 · Vontade 3 | |
| Perícias | Briga 1 |
| Imune a | Dominação, Presença, dor, medo, persuasão |
| Combate | Agarra e não solta. Não usa arma, não persegue longe |
| A 0 de Vitalidade por dano comum | Cai e para. Não queima. Sobra corpo |
🔥 Combustão — Estágio I
Não há combustão espontânea. Estágio I nunca pega fogo sozinho, em nenhuma circunstância, nem por comando ritual, nem a 0 de Vitalidade.
Só queima se receber dano agravado ou fogo. Aí a queima começa por dentro, com chama negra, e dura três turnos.
- 2 de dano agravado por turno em quem estiver adjacente
- Não se apaga — nem com água, nem abafando, nem com extintor
- Rötschreck, Vontade Dif. 2, em quem estiver adjacente
- Espalha fogo comum para o que estiver em volta
Estágio II — segunda transfusão
O que "vingou". Mais forte, mais rápido, e serve para conter e para guardar porta. É o que o Rosário mantém atrás da porta de aço.
| Ataque 7 · Defesa 4 · Vitalidade 8 · Vontade 4 | |
| Perícias | Briga 3, Atletismo 2 |
| Imune a | Dominação, Presença, dor, medo, persuasão |
| Especial | Não recua. Não foge. Não negocia |
| Aparência | Pele fria, olhos fundos, punção organizada no braço. Sangra escuro e devagar |
🔥 Combustão — Estágio II
A combustão espontânea é privilégio do Estágio II, e dispara em duas situações, e só nessas duas:
1. Ao chegar a 0 de Vitalidade, por qualquer tipo de dano. 2. Por comando ritual — uma ladainha, um sinal, uma palavra dita por quem tem autoridade sobre ele. À distância, sem contato, e sem que ele reaja.
Em qualquer dos dois casos: chama negra, 2 de dano agravado em todos os adjacentes, Rötschreck Vontade Dif. 2, o fogo se espalha e não se apaga.
🧨 O comando ritual
Isto é o que explica a Rua do Lazer na Pt. 1.
Quem tem o laço ritual sobre um Estágio II pode dispará-lo sem estar presente e sem tocá-lo. Não há teste de resistência: não há mente para resistir.
| Onde aparece na crônica | O que era |
|---|---|
| Pt. 1 — Rua do Lazer | Quatro Estágio II com alta hospitalar, disparados por comando, num bar cheio |
| Pt. 3 — O Teatro, nas portas | Seis Estágio II, escorando as portas |
| Pt. 3 — O Teatro, na plateia | Estágio I, e é por isso que a ladainha precisa de dez rodadas e de fila |
A diferença que fecha o Teatro: o Estágio I não queima sozinho. Para fazer um Estágio I arder, é preciso a ladainha completa, com todos no mesmo compasso, porque o rito está fazendo à força o que a natureza dele não faz.
É por isso que quebrar o compasso funciona. Tire um da fila e a chamada falha. Com Estágio II não daria — bastaria a palavra.
❌ O que não existe
- Não existe Estágio III.
- Flagelante não transmite a condição. Não morde, não contamina, não se reproduz.
- Flagelante não é feito pela água. A água só adoece.
- Flagelante destruído por dano comum não vira cinza. Sobra corpo, e corpo é prova.
📊 Contador da crônica
| Momento | Estágio I | Estágio II |
|---|---|---|
| Parte Zero — Noite 4 | 1 (o Divino) | — |
| Parte Zero — Noite 5 | 6 | 1 |
| Pt. 1 — Rua do Lazer | — | 4, por comando |
| Pt. 1 — Jatobá | 3, acorrentados | — |
| Pt. 2 — Rosário | 2 nos leitos, 3 de crachá | 4, atrás da porta de aço |
| Pt. 3 — Lagolândia | 1, sozinho | — |
| Pt. 3 — Teatro | O que restou da fábrica | 6, dois por porta |
⚠️ Continuidade
| Item | Como fica |
|---|---|
| A introdução da Pt. 1 | Migra para cá. Chegada, Elísio, apresentação da corte, Pastor Elias, quartos da Vittoria, Canela-Fina, problema do Mateus |
| A Pt. 1 passa a abrir | No Elísio, com o Henrique mandando procurar o Mercúrio. O incêndio da Rua do Lazer continua na Pt. 1 |
| A pulseira | A coterie pode sair daqui com uma. A do cantor, na Pt. 1, é a segunda. É a que o Xerife não consegue identificar |
| Santa Dica | Não é nomeada e não é alcançada. Silhueta e voz, de doze metros de altura. O encontro real é o Teatro, na Pt. 3 |
| Pompeu e o Sabá | Não aparecem. Resposta padrão da Torre: boato de anarca querendo desestabilizar a Torre |
| Zed | Só esta parte. Entra pela amizade com o Mateus, é revelado Garou na Noite 5, sobe atrás dela e nunca mais é mencionado. Alívio falso |
| A água | Nunca deixa de aliviar — alivia menos a cada volta, e o corpo piora no intervalo. Ninguém culpa a fonte. É dependência, não veneno |
| Os Garou | Continuam sem aparecer em pessoa nas Pts. 1–3. O Zed é a única exceção da crônica inteira |
| O Henrique | Recusa a serra por acordo, não por conspiração. Não sabe do Rosário nem da Santa nesta altura |
| O boletim da vigilância | Plantado por ele sem verificação. Estava certo por acidente, e ele nunca descobre |
| A fonte | Destruída ou não, a fábrica de Flagelantes não é afetada. A vitória é oca de propósito |
| O Mateus | Só a carona. Não reaparece nesta parte. A dívida vale na Pt. 2 |
| O Divino | Morre aqui. O caderno dele cruza com o Rosário na Pt. 2 |
| Lagolândia | Não é mencionada. Entra só na Pt. 2, pela boca da Doracy |
| A mecânica do Flagelante | O Apêndice substitui as descrições das Pts. 1, 2 e 3 |

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