Pirenópolis by Night — Pt. 3
O Bispo Partido · v1
Vampiro: A Máscara — 5ª Edição
Pirenópolis by Night — Pt. 3
O Bispo Partido · v2
Vampiro: A Máscara — 5ª Edição
📐 Antes de começar
Regras, terminologia e Frenesi estão no topo da Parte Zero. A mecânica do Flagelante e o Relógio do Retorno estão no Apêndice da Pt. 2 e valem aqui sem alteração.
Habilidades — Sagacidade, Percepção, Persuasão, Subterfúgio, Ladroagem.
Dano — lâmina, bala e pancada são Superficial. Fogo, sol e certos ataques sobrenaturais são Agravado. Armas naturais de Metamorfose causam Agravado a mortais e Superficial não reduzido contra vampiros.
Torpor usa Potência de Sangue, não geração.
🧩 Os cinco elementos
Leia isto antes de rodar qualquer cena. Cinco coisas diferentes, e a mesa vai confundi-las se você confundir primeiro.
1. O corpo do Pompeu. Está num compartimento secreto do Museu da Família Pompeu, em torpor ritual, incompleto. Não teve Morte Final — foi partido, e o que sobrou continua deitado ali há vinte e seis anos.
2. O Yam'Gorá. É a parcela expulsa do Pompeu em 2000, sem corpo, deformada por vinte e seis anos soltos no Cerrado. É o que os Garou querem morto, e é por isso que a estrada está fechada.
3. A âncora. A relíquia enterrada sob a gameleira de Lagolândia. Prende o Yam'Gorá àquele lugar e recebe a carga de cada combustão.
4. A amostra sagrada. Fragmentos retirados da âncora, usados como quarto componente do Soro do Retorno. Eram as ampolas do Jatobá.
5. O Relógio do Retorno. Treze cargas válidas. É o que a Santa Dica está juntando há quatro meses, uma combustão por vez.
A espinha: soro → Flagelantes → combustões válidas → carga na âncora → treze cargas → corpo e âncora reunidos no Teatro → o Yam'Gorá volta ao corpo.
⏳ O Relógio do Retorno
Calcule antes da sessão, em segredo, e nunca mostre.
| Evento anterior | Cargas |
|---|---|
| Parte Zero, festival — Estágio II queimado | +1 |
| Pt. 1, Rua do Lazer | +4 |
| Pt. 1, Jatobá — os três acorrentados | +0. Fogo alheio, desperdiçado |
| Pt. 2, hospital — cada Estágio II que queimou | +1 |
| Pt. 2, Santa Rita destruído | −2 Flagelantes disponíveis no Teatro |
No Teatro:
| O que acontece | Cargas |
|---|---|
| Estágio I queimado pela ladainha completa, com a linha íntegra | +1 |
| Estágio I destruído ou incendiado antes da conclusão | +0. Desperdiçado |
| Estágio II destruído ou comandado a queimar, dentro do círculo | +1 |
| Flagelante afastado da âncora, ou linha rompida antes de aquecer | +0, e sai do rito |
| Âncora destruída | Nenhuma carga nova chega |
| Corpo destruído | Não existe recipiente. O rito acaba |
🎚️ O que cada faixa produz
| Cargas | Resultado |
|---|---|
| 0 a 7 | A chamada fracassa. O Yam'Gorá não alcança nada |
| 8 a 10 | O Yam'Gorá se manifesta fora do corpo |
| 11 a 12 | O Pompeu desperta incompleto |
| 13 | O Pompeu desperta inteiro |
A mesa não sabe o número e não pode saber. O que ela pode fazer é reduzir o que ainda vai entrar.
🌙 As noites
| # | Noite |
|---|---|
| 1 | A Carta |
| 2 | Lagolândia |
| 3 | A Volta |
| 4 | O Elísio |
| 5 e 6 | As noites livres |
| 7 | O Teatro |
O calendário é fechado. A partir da Noite 3 há data marcada, e ela não muda.
✉️ Noite 1 — A Carta
📍 Igreja do Carmo, sacristia. A Celina recebe sozinha, e é a primeira vez em toda a crônica que ela chama alguém.
Sobre a mesa, uma carta aberta. Papel de receituário, letra de máquina. A coterie reconhece o papel.
— Chegou há quatro noites, por baixo da porta desta sacristia. Ninguém viu quem trouxe.
— Diz que o Bispo volta. E diz quando, do jeito que essa gente diz as coisas.
Ela empurra o papel pela mesa. Está escrito uma linha só:
"Quando Pirenópolis aplaudir de novo o nome do Bispo, o Sopro voltará ao que está vazio."
— Eu li isso trinta vezes. Não é data. É charada de beata.
— Mas quem escreveu isso escreveu com a certeza de quem já marcou no calendário. É esta semana. Disso eu não duvido.
🧠 Narrador · a mesa não tem como decifrar a frase agora, e não deve. Ela só faz sentido na Noite 4, quando a Vittoria disser o nome do Teatro em voz alta. Não ajude.
O que ela quer
— Eu preciso saber se isso é blefe.
— Se for delírio de beata morta, eu ignoro e sigo governando esta cidade.
— Se não for, eu tenho menos de uma semana para decidir se luto ou se negocio.
— E eu ainda não sei qual das duas.
A ordem: ir a Lagolândia, ver se há gente, estrutura e prazo.
E a segunda metade, que ela repete duas vezes:
— Não toquem no que for do Bispo. Nada que tenha o nome dele, nada que tenha o sinal dele.
— Se acharem coisa assim, deixem onde está e me digam.
🤥 A mentira dela
🧠 Narrador · a Celina sabe onde está o corpo. Ela o encontrou anos depois do desaparecimento e o escondeu ela mesma, no compartimento do Museu da Família Pompeu. É por isso que ela manda a coterie para longe, é por isso que ela não quer que ninguém toque em nada do Bispo, e é por isso que ela não manda o Xerife.
Admitir isso seria admitir que manteve o antigo Bispo do Sabá guardado dentro de um domínio da Camarilla, por seis anos, enquanto governava em nome da Torre.
Se alguém perguntar diretamente se o corpo apareceu algum dia:
— Não.
🎲 Raciocínio + Sagacidade, Dif. 4 — foi rápido demais, e ela já estava com a resposta pronta. Não dá nada além disso.
🕯️ Quem foi o Bispo
A coterie não sabe quem é esse homem. Se perguntarem — e vão perguntar —, ela responde. É a única vez em toda a crônica que a Celina fala longo, e ela fala baixo.
— Sebastião Pompeu de Pina. Vocês já leram esse nome nesta cidade e nem repararam.
— Está na fachada do Teatro. Está na placa do Museu. Está na pedra da Ponte do Carmo, que ele levantou entre 1899 e 1903, e que vocês atravessaram para chegar aqui.
— Ele era o Bispo do Sabá de Luz. E antes que perguntem: não, não era o que vocês estão pensando.
— O Sabá que vocês conhecem de história queima cidade. Ele governou e Pirenópolis nunca soube que era governada.
— Não porque fosse bom. Porque ele achava que rebanho bem tratado dura mais.
— Em 2000 ele desapareceu. Sem corpo, sem bilhete, sem sucessor. A cidade acordou órfã e não percebeu.
🏅 O pagamento
— A saída não é minha para dar. Isso é assunto da Rosa, e eu não falo pela Rosa.
— O que eu tenho é território. Tragam o que encontrarem, e vocês têm o de vocês nesta cidade, com meu selo.
— Sudoeste, região do Bar do Tiano.
🎲 Inteligência + Política, Dif. 2 — a Celina não controla aquela área de fato, e não controla há anos.
🎲 Raciocínio + Manha, Dif. 2 — é território de caça do Canela-Fina, e ele caça ali desde antes de a Camarilla chegar.
Vitória crítica em qualquer dos dois: o papel ainda serve. Não como posse — como arma política. Um selo da Príncipe cedendo território que ela não tem é prova de que o domínio dela é ficção, e isso vale em Anápolis.
🧠 Narrador · deixe aceitarem sabendo. É mais interessante do que a armadilha cega: eles pegam o papel entendendo que é papel.
🎴 Irmã Celina — Lasombra, Príncipe interina
Clã Lasombra · Geração 10ª · Potência de Sangue 3 · Humanidade 7
Resumo Ataque 8 · Defesa 6 · Vitalidade 9 · Vontade 9
Perícias Intimidação 4, Erudição 4, Etiqueta 4, Ocultismo 3, Política 4
Disciplinas Oblívio 4 (Braços do Abismo, Manto da Sombra, Toque do Abismo) · Dominação 3 · Potência 2
Paradas prontas Resistir a intimidação 9 · Detectar mentira 7 · Esconder o que sente 5
Nesta parte Dá a única ordem da crônica, e na Noite 3 cai
O que ela quer Duas coisas que não cabem juntas: o cargo, e que ele volte
O que ela esconde Que escondeu o corpo dele no Museu, e que sabe exatamente onde
Fala — O Sabá me ensinou a temer Deus. A Camarilla me ensinou a imitá-Lo.
🕯️ Ainda na Noite 1 — o Algoz
Ao sair da sacristia, o Pastor Elias está esperando no adro.
— O padre quer conversar. Não é convite da Torre, é convite dele.
— Ele mora ali, na casa do lado. E ele já sabe pra onde vocês vão.
📍 Casa de dois cômodos ao lado da igreja. Mais livro que móvel. Pe. Luciano Camargo Fleury não recebe de batina, e continua com as marcas do fogo da Pt. 1.
— Vocês vão a Lagolândia. A Celina mandou, e eu não perguntei como sei.
— Eu não vou impedir. Eu quero o que vocês vão achar lá.
Se a coterie entregou o caderno de transcrições na Pt. 2
— Aquele caderno de vocês provou uma coisa: a chama não é falha. É pagamento.
— Mas aquilo é cópia de cópia, e quem copiou não entendia o que copiava.
— Eu preciso do que ela copiou. Quantas entregas, em que ordem, e onde se corta o vínculo. Sem os originais eu tenho metade de uma frase.
Se não entregou
— Alguém nesta cidade descobriu como tirar a alma de um corpo e deixar o sangue funcionando.
— Tragam papel. Livro, caderno, folha solta, margem rabiscada.
— Sem isso eu só tenho cadáveres impossíveis, e cadáver impossível não me diz o que fazer na quinta-feira.
⚠️ Ele é o Algoz, e não é ingênuo
Ele investiga o que ouve. Não acredita automaticamente em confissão, e não age sem checar — o que o torna mais perigoso, não menos.
Se a coterie contar demais — que protegeu sangue-fracos, que deixou o hospital de pé, que negociou com anarcas, que soltou o Ismael — ele não reage na hora. Anota, confere, e cobra depois, por cargo.
(Isso só entra se a mesa jogou a trama política opcional da Pt. 2. Se não jogou, o assunto não existe.)
É a única conversa da Parte 3 em que dizer a verdade toda custa caro.
⚔️ Onde a Celina e o Algoz se cruzam
| Celina | Luciano | |
|---|---|---|
| Quer | Saber se é real | Saber como funciona |
| Sobre os papéis | Nem pensou neles | É a única coisa que quer |
| Sobre o que tem o nome do Bispo | Deixar onde está | Trazer, se estiver escrito |
| Se destruírem o culto | Perde a margem. Fica furiosa | Cumpriu o cargo. Aprova |
O conflito só aparece se a coterie for honesta com os dois. Levar os livros ao Algoz é obedecer ao cargo e desobedecer à Príncipe — e ninguém vai avisar que essas duas coisas são a mesma pilha de papel.
🌳 Noite 2 — Lagolândia
📍 Distrito a trinta quilômetros do centro. Estrada de terra, cerrado dos dois lados.
Não tem nada.
Centro do distrito. A gameleira está lá. O túmulo da Santa Dica está lá. E mais nada.
🎲 Raciocínio + Percepção, Dif. 1 — marca de pneu fresca, muitos veículos, todas saindo. Mudança, não fuga.
🎲 Raciocínio + Investigação, Dif. 1 — ampolas quebradas e caixas de papelão vazias atrás da capela. Isto era depósito.
🎲 Raciocínio + Percepção, Dif. 2 — cera derretida no chão, em círculo, ainda mole. Houve reunião faz três noites.
🎲 Raciocínio + Investigação, Dif. 2 — cinza com forma de gente, em três pontos do terreno. Iguais às da estrada.
Automático — prancheta pendurada num prego, ao lado da porta da capela: escala de embarque, nomes de batismo, e a inicial D. no rodapé.
🌳 O buraco sob a gameleira
📍 Na raiz maior, do lado que dá para o poente, a terra foi cavada e recolocada. Mal. Ainda está fofa.
🎲 Raciocínio + Investigação, Dif. 2 — cavaram fundo, tiraram alguma coisa e não se deram ao trabalho de disfarçar.
🎲 Inteligência + Ocultismo, Dif. 3 — o buraco não é de saque. Aquilo era um ponto fixado, e alguém desfez a fixação com cuidado antes de levar o que estava dentro.
🧠 Narrador · era a âncora. Está a caminho de Pirenópolis. É por isso que o distrito está vazio, e é por isso que a coterie não tem mais o que fazer aqui.
👤 O que ficou para trás
Sentado na raiz da gameleira, de crachá ainda no bolso do uniforme, há um Flagelante. Estágio I.
É um dos rostos do Hospital Nossa Senhora do Rosário — escolha entre Aparecida, Nivaldo, Sebastiana, Simon ou Gideão. A mesa conhece o nome dele.
Ele reconhece a coterie e cumprimenta. Com educação.
— A Santa foi pra cidade. Foi derrotar o mal que paira ali.
— Ela disse que ia ser rápido. Disse que era três dias, e que depois disso ninguém mais ia adoecer em Pirenópolis.
— Eu fiquei pra cuidar daqui.
Se perguntarem há quanto tempo:
— Faz três noites. Ela disse três dias, e faz três noites.
— Então já era pra ter acontecido, né? Já era pra eu não estar mais aqui.
— Vocês vieram me buscar?
🧠 Narrador · ele perdeu a conta e não sabe. A data dele está errada — falta quase uma semana. Não corrija na mesa: deixe a coterie sair de Lagolândia com um prazo que já venceu, e descobrir sozinha que não venceu.
Ele não está aqui por acaso. O círculo final precisa de oito, e havia mais que oito. A Santa deixou uma reserva para vigiar o buraco e atrasar quem viesse atrás.
Ele tem mente, e é isso que dói
🎲 Carisma + Persuasão, Dif. 3 — acalmá-lo.
🎲 Manipulação + Sagacidade, Dif. 3 — fazê-lo reconhecer, em voz alta, que foi deixado para trás. Funciona, e é a coisa mais cruel que a mesa pode fazer nesta noite.
Dominação — obrigá-lo a ficar parado, ou a repetir a ordem que recebeu, palavra por palavra. Funciona. Ele ainda tem mente.
Se a conversa falhar, ele agarra alguém e tenta cumprir a última instrução que recebeu, que era ficar. Não persegue. Não usa arma.
🎲 Frenesi, Dif. 2 — se alguém lhe causar dano Agravado. Ele entra em combustão de três turnos, conforme o Apêndice da Pt. 2.
| Se a mesa | Resultado |
|---|---|
| Destrói com Agravado | +0 no Relógio. Fogo fora do rito é desperdício, e ninguém sabe |
| Derruba com Superficial | Ele cai e para. Sobra corpo. A Santa perde a reserva |
| Conversa e deixa ali | Ele continua sentado na raiz até o fim da crônica |
| Leva junto | Possível, e ele obedece. Vale muito no Teatro |
🧠 Narrador · levá-lo é a jogada que quase ninguém tenta e que muda a Noite 7: um Flagelante que responde perguntas, dentro do Teatro, é a única fonte viva sobre o compasso.
📚 A casa da Dica
Casa baixa na beira do distrito, portas escancaradas. Levaram os móveis e deixaram os livros — porque quem levou não sabia ler o que estava levando.
Automático — tratados de ocultismo em latim e português, coleção de décadas.
🎲 Inteligência + Ocultismo, Dif. 3 — três volumes Baali, de invocação e sacrifício espiritual. Não é literatura Lasombra: é de outra linhagem, e é muito mais velha.
Automático, se acharem os volumes — o rito de invocação com o nome da entidade riscado e o do Pompeu escrito por cima, várias vezes, em tinta diferente.
🧠 Narrador · ela não confundiu tradições. Substituiu o nome do que se invoca pelo do Pompeu, e usou Oblívio para abrir o caminho. O Abismo é dela por sangue; a técnica do sacrifício ela foi buscar em livro alheio, de propósito.
📓 As quatro linhas
🎲 Raciocínio + Investigação, Dif. 2 — nas margens, em letra dela, quatro anotações soltas. Nenhuma explica nada sozinha.
"Treze retornos."
"O que arde fora da palavra é desperdiçado."
"A parte precisa estar perto da âncora."
"O corpo só recebe quando a cidade reconhecer o nome."
🧠 Narrador · não explique nada disso. Ninguém em cena entende, e a única boca disponível pertence a alguém que repete sem compreender. Quem transforma as quatro linhas em plano é o Luciano, nas noites livres.
O que a coterie sai sabendo
| Confirmado | Ainda não |
|---|---|
| O culto existe, e é grande | Onde está agora |
| Já se mudou para Pirenópolis | Qual é o alvo |
| Tiraram alguma coisa de baixo da árvore | O que era, e para quê |
| Há um prazo curto | Que a data do Flagelante está errada |
🔥 Noite 3 — A Volta
Trinta quilômetros de volta com a resposta no bolso. E a cidade já aconteceu sem eles.
📍 O Museu da Família Pompeu está queimando. Bombeiros na rua, gente de pijama na calçada, telhado cedendo.
🚒 Entrar no incêndio
🎲 Destreza + Atletismo, Dif. 3 — atravessar até a sala dos fundos.
🎲 Frenesi, Dif. 3 — permanecer dentro do prédio em chamas.
Dano: 2 Agravado por turno em área tomada pelo fogo, 3 se completamente envolvido.
Numa derrota no teste de entrada, o personagem entra assim mesmo — e perde um turno, ou sofre dano, ou se separa do grupo. Nunca fica do lado de fora.
A pista é automática para quem chegar à sala: o compartimento onde o corpo estava, aberto, revirado e vazio. Alvenaria antiga, feito para não ser encontrado, e aberto por quem sabia exatamente onde ficava.
🎲 Inteligência + Investigação, Dif. 2 — o compartimento não foi arrombado. Foi aberto com a chave, ou por alguém que conhecia o mecanismo.
🩸 Na calçada dos fundos
O Coronel Ventura está saindo do fogo com a Celina nos braços. Fardado, sem quepe, com o ombro do uniforme ainda queimando. Põe o corpo no chão da calçada, senta ao lado e tosse até vomitar fuligem.
Um mortal entrou num prédio em chamas para tirar de lá uma criatura que ele sabe muito bem o que é.
🎲 Manipulação + Sagacidade, Dif. 2:
— Eu não pensei. Se eu pensasse eu não entrava.
— Não fui mandado, não. Foi por conta.
O Henrique chega depois, de paletó, limpo, sem uma marca. Ajoelha ao lado da Príncipe, examina, e não faz nada.
Ela está em torpor por dano Agravado. Corpo rígido, queimaduras profundas, olhos abertos e secos.
— Eu não posso fazer nada. O sangue dela é mais forte que o meu.
— Alguém atacou o Museu e a pegou de surpresa. Não foi um.
— Amanhã, no Elísio. Todos. Isso não se resolve numa calçada.
🎲 Inteligência + Medicina ou Ocultismo, Dif. 2 — ele está certo sobre a regra e mentindo sobre a conclusão. Torpor por dano se repara sozinho: um Agravado por noite. Ela acordaria em algumas semanas por conta própria.
🧠 Narrador · ele sabe disso. E é por isso que ele vai ao jazigo naquela mesma madrugada.
🚚 Na saída — o Mateus
Ele não entra em prédio da Camarilla nem chega perto de bombeiro. Espera duas quadras adiante, com a caminhonete ligada.
— Os lobos mandaram recado pelas matas. Quatro luas.
— E eles não contam em calendário, contam em lua mesmo. Pode ser antes.
— Se o sopro que come o Cerrado não parar até lá, eles entram na cidade. E não vão perguntar quem é quem.
— Eu não tenho como tirar vocês daqui antes disso. Sinto muito.
🧠 Narrador — alinhe os relógios aqui. O Mateus fala em quatro luas nesta noite. A Vittoria, na noite seguinte, marca a apresentação para três noites depois. É a mesma noite, e nenhum dos dois percebe. Quem percebe é a mesa.
🏛️ Noite 4 — O Elísio
📍 Pousada das Cavalhadas. Corte reunida às pressas: Henrique, Vittoria, Luciano, e a coterie.
O Comendador não vem. A Vittoria avisa, e a frase importa depois:
— Ele está cuidando de outros assuntos. Não está disponível, e não disse até quando.
A proposta
— Houve furto no Museu. Levaram alguma coisa, e eu ainda não sei o quê.
— A cidade não pode ficar sem autoridade com o Sabá em movimento.
— Eu proponho a mim mesmo como Senescal interino, e vou levar isso à Rosa esta noite.
— Não é tomada de poder. É assinatura.
🔔 A data, e a frase da carta
Vittoria — A hora não podia ser pior. Daqui a três noites tem apresentação no Teatro Sebastião Pompeu de Pina, com o prefeito, o juiz, o delegado e meia câmara de vereadores.
— A cidade inteira que importa vai estar sentada numa sala. E vai bater palma pro nome na fachada, como bate todo ano.
🧠 Narrador · é aqui que a carta se abre. Quando Pirenópolis aplaudir de novo o nome do Bispo. Não sublinhe, não repita a carta, não pergunte se alguém percebeu. Se ninguém perceber, o Luciano percebe nas noites livres.
Henrique — Então é a noite perfeita. Até lá a Rosa responde, eu assumo diante de quem precisa ver, e a cidade continua funcionando.
Luciano — Voto a favor.
(O Luciano não explica. A razão é simples: um Xerife ocupado com política não pergunta o que o Algoz anda fazendo no laboratório.)
✍️ A assinatura
Assinam os que têm cargo: Vittoria, Luciano, e a procuração do Comendador que chega por portador.
A coterie assina em que qualidade? Escolha antes, e diga em voz alta:
Testemunhas — sem implicação política. Só estiveram lá.
Coterie reconhecida, por serviço prestado ao Xerife na Pt. 1 — assinam como apoiadores.
Beneficiários da administração interina, se aceitaram a concessão da Celina — assinam como parte interessada.
| Se assinam | Custo real |
|---|---|
| Como testemunhas | Nenhum. E nenhum ganho |
| Como apoiadores | Ele deve um favor. Se ele cair, respingam — reputação e suspeita, não queda automática |
| Como beneficiários | Ele deve mais, e a cumplicidade é documentada |
| Se recusam | Ele os trata como obstáculo a partir daí |
🧠 Narrador · assinar não faz a coterie cair junto com o Henrique. Faz com que precisem explicar por que assinaram. É caro, e é sobrevivível.
⚔️ E se impedirem a confirmação
É possível. Basta o Luciano mudar o voto, ou a Rosa ser alertada antes, ou a Vittoria ser convencida de que o Henrique é passivo demais.
Se ele não for confirmado:
Ele ainda pode ser capturado no Teatro, mas não representa a autoridade da cidade — e o sangue dele vale menos no círculo.
A Santa Dica precisa de outro ofertante: a Celina, se alguém a tirar do jazigo, ou uma improvisação que atrasa o rito.
O rito começa com penalidade. Some duas rodadas ao relógio da ladainha, e a coterie ganha esse tempo.
🌒 Noites 5 e 6 — As noites livres
Duas noites, e mais coisa para fazer do que cabe. Cada rota entrega alguma coisa de verdade. Nenhuma é beco.
| Onde investem | O que ganham |
|---|---|
| Rastrear o corpo desde o Museu | O Teatro, e a entrada técnica pelos fundos |
| Vigiar o Teatro | Quantos Flagelantes, e onde cada um fica |
| Alertar as autoridades mortais | Os duzentos saem da conta |
| Levar os livros ao Luciano | O Relógio, a âncora e o círculo |
| Procurar a Celina | A estaca, e o que o Henrique fez |
| Chantagear o Henrique | Convite, arma dentro do prédio, ou planta do edifício |
| Pedir ao Canela-Fina | Equipe do lado de fora, e rota de fuga |
| Pedir ao Mateus | Transporte, e contenção do cerco por uma noite |
🚚 Rastrear o corpo
🎲 Teste prolongado. Raciocínio + Investigação, Dif. 3, meta de 4 sucessos. Uma rolagem por noite, e o Canela-Fina ou o Rael dão um dado extra.
Caminhão de mudança contratado em Anápolis, sem nota. Descarregou numa doca de serviço na madrugada de terça. A doca é dos fundos do Teatro.
Isso entrega a planta: doca, corredor técnico, caixa de cena, e a claraboia acima do palco.
📣 A rodada de avisos
| Quem | Reação |
|---|---|
| Mateus | Acredita. Ouve falar da Santa desde os anos 40. Não entra em prédio da Camarilla — mas dá caminhonete, estrada e o que precisar do lado de fora |
| Luciano | Acredita, e é o único que entende. Ferido, vai como quem estuda, não como quem luta |
| Canela-Fina | E daí? Deixa a corte queimar junto com o prefeito. Mas se pedirem gente do lado de fora, ele manda |
| Vittoria | Não cancela. O evento é dela. Passa para o cumprimento e vai para a Rua do Lazer |
| Henrique | Não acredita. Vai ser confirmado naquela noite. Nada vai atrapalhar isso |
| Comendador | Indisponível |
📞 Cancelar o evento
É a jogada mais inteligente disponível, e o texto tem que recompensá-la.
🎲 Manipulação + Subterfúgio, Dif. 3 — ameaça de bomba anônima, ou denúncia de risco estrutural ao Corpo de Bombeiros.
🎲 Carisma + Persuasão, Dif. 4 — convencer a Vittoria a adiar. Dif. 3 se tiverem o que oferecer.
Se conseguirem:
Os duzentos mortais não estão lá. Some da conta a plateia inteira, o Relógio do Pânico e o risco de Máscara.
A Santa Dica ainda faz o rito no Teatro — precisa do prédio, do nome e da âncora, e não tem outro lugar que sirva.
Mas não há aplauso. A quarta linha do caderno não se cumpre: o corpo só recebe quando a cidade reconhecer o nome. O rito começa com uma penalidade permanente: −2 no Relógio do Retorno.
E o Henrique pode não estar lá. Se a confirmação foi adiada junto, ela perde o ofertante.
🧠 Narrador · cancelar é vitória parcial de verdade. Não puna quem pensou. A Dica não some para um lugar desconhecido — ela ainda precisa daquele palco.
📖 O Algoz traduz
Se a coterie entregou os livros, o Luciano passa as duas noites em cima deles e entrega o que ninguém mais tem.
O Yam'Gorá é a metade do Pompeu que ficou sem corpo em 2000. Não é espírito de bicho. É o que os lobos querem morto, e é por isso que a estrada fechou.
Treze. — "Treze retornos". Ela precisa de treze entregas, e vem juntando faz meses. Eu não sei quantas ela já tem. Ela também não tem certeza.
A âncora. — "A parte precisa estar perto da âncora". O que ela tirou de baixo daquela árvore é onde a metade dele mora. Sem aquilo no palco, não há para onde as chamas irem.
O círculo. — Ela não vai deixar aquilo queimar solto em cima dela. Vai ter contenção desenhada no chão, e a contenção vai ter uma linha para cada oferta.
O aplauso. — "O corpo só recebe quando a cidade reconhecer o nome". É o Teatro. É o nome na fachada. É depois dos aplausos.
Se esconderam os livros, ele descobre sozinho na madrugada da Noite 7, tarde demais. E não perdoa.
🧠 Narrador · as feridas do Luciano não são dano comum. Ele repararia um Agravado por noite. É cicatriz ritual — a munição incendiária do Krug era abençoada, e o que ela deixou não fecha. Ele anda, lê e pensa. Não luta, e não vai lutar.
⚰️ O jazigo
📍 Cemitério São Miguel, jazigo da família Curado.
🎲 Destreza + Ladroagem, Dif. 3 — a fechadura é velha, e qualquer um arromba com tempo.
A Celina está deitada na laje. Queimada, rígida — e com uma estaca de madeira no peito.
Ninguém estacou a Celina no incêndio. A estaca é limpa, cortada à máquina, e foi colocada depois.
🎲 Raciocínio + Sagacidade, Dif. 2 — o Henrique não a estacou para protegê-la. Estacou para que ela não acordasse antes da confirmação dele.
Tirar a estaca não a acorda. Ela continua em torpor por dano e repara um Agravado por noite — semanas, não horas.
Para abreviar isso é preciso vitae de Potência de Sangue 4 ou mais. Não há ninguém em Pirenópolis com isso. O Comendador tem 3.
Quem sabe a regra é a Vittoria, e a informação não é de graça:
— Não é geração, é força de sangue. E o sangue dela é mais forte que o de todo mundo que ainda está de pé nesta cidade.
— Eu sou onze porque ele quis assim. E ele não vem antes de cinco dias, e não vem nem por mim.
O preço é um favor menor, e ela faz questão de dizer que é menor:
— Uma coisa pequena. Depois de tudo isso passar, eu vou precisar de quatro pessoas que digam a mesma coisa ao mesmo tempo.
— Não pergunto agora o quê. Vocês também não.
🧠 Narrador · o favor nunca é cobrado dentro desta crônica. Fica pendurado, e é a única coisa que sobrevive a todos os finais.
O que a estaca vale: é prova de que o Henrique manobrou a sucessão. Vale contra ele no Teatro, e vale no Relato.
🎟️ O convite
| Como entram | Custo |
|---|---|
| Convidados pelo Henrique | Devem a ele, e entram desarmados — é noite de gala |
| Pela Vittoria, como acompanhantes | Ela cobra depois, e cobra caro |
| Chantageando o Henrique com a estaca | Entram armados, e ele os odeia |
| Por fora — doca, corredor técnico, claraboia | Destreza + Furtividade, Dif. 3. Ninguém sabe que estão lá |
| Não entram | A noite final é do lado de fora, e é muito pior |
👁️ Vigiar o Teatro
🎲 Raciocínio + Percepção, Dif. 2, uma noite de vigília — funcionários novos, contratados esta semana. Educados, limpos e mortos.
Rende a contagem e a posição: quantos são, quem fica em qual porta, e quais deles a coterie já conhece pelo nome.
🎭 Noite 7 — O Teatro
📍 Teatro Sebastião Pompeu de Pina. Casa cheia. Prefeito, juiz, delegado, vereadores, empresários, imprensa de Goiânia. Duzentas pessoas — a menos que a coterie tenha esvaziado a sala.
Nada acontece de errado durante a apresentação. É bonita. Os funcionários são impecáveis — recebem, conduzem, servem, sorriem. E estão mortos.
A coterie reconhece os rostos. Aparecida com a bandeja de taças, Nivaldo na porta do camarote, Sebastiana recolhendo casacos, Gideão no corredor. De uniforme de gala, com a mesma cordialidade de sempre, e nenhum deles acha estranho ver a coterie ali.
Não há o que fazer com esse reconhecimento, e é esse o ponto.
👤 No saguão
A Irmã Doracy está recebendo os convidados, se sobreviveu à Pt. 2. De vestido, sem touca, cumprimentando o prefeito pelo primeiro nome.
— Boa noite. Vieram ver, então.
— Eu falei que ela ia buscar vocês.
Se perguntarem por que deixou um deles em Lagolândia:
— Ele ficou de guarda, meu filho. Alguém tinha que ficar.
— Ele entendeu. Eles entendem tudo. É isso que ninguém quer acreditar.
📐 A contagem de Flagelantes
Monte a tabela antes da sessão. O número não é fixo.
| O que aconteceu antes | Efeito no Teatro |
|---|---|
| Porta de aço do hospital não foi aberta | Os quatro Estágio II estão aqui, nas portas |
| Estágio II queimaram no hospital | Não aparecem — e já entraram no Relógio |
| Estágio II escaparam no incêndio | Aparecem, e como guardas soltos, não nas portas |
| Santa Rita destruído na Pt. 2 | Dois Estágio I a menos no círculo |
| Doracy escapou da Pt. 2 | +2 Estágio I, produzidos nas semanas seguintes |
| Doracy presa ou destruída | Nenhuma reposição |
| Flagelante de Lagolândia destruído | Reserva perdida. Nada muda no círculo |
Padrão, se nada disso se aplicar: oito Estágio I no círculo do palco, quatro Estágio II nas portas.
⭕ O Círculo do Retorno
📍 No palco, sob o cenário retirado, dois círculos concêntricos desenhados no assoalho.
Círculo interno — a Santa Dica, o corpo do Pompeu deitado numa mesa de madeira, e a âncora, uma caixa de pedra do tamanho de um tijolo, aberta.
Círculo externo — onde os Estágio I vão se posicionar.
Entre os dois, treze linhas. Traçadas com cinza das combustões anteriores, terra da gameleira, pó da amostra sagrada, e sangue.
O que o círculo faz
Quando um Flagelante entra em combustão dentro dele, a chama não se espalha. É puxada pela linha e absorvida pela âncora.
A chama negra sobe do corpo, inclina-se contra o ar como se houvesse vento onde não há, e escorre pelo chão. A linha de cinza acende até chegar à caixa de pedra.
Enquanto o círculo estiver íntegro:
- A Dica e o corpo não sofrem dano das combustões.
- A chama ritual não incendeia cortina, palco nem cenário.
- Cada combustão válida acrescenta uma carga.
O que o círculo NÃO faz: não é barreira. Não impede tiro, não impede que alguém atravesse, e fogo comum funciona normalmente dentro dele.
Entender o círculo
🎲 Inteligência + Ocultismo, Dif. 3 — o círculo contém e conduz a combustão, em vez de deixá-la se espalhar.
Com um sucesso a mais — cada Flagelante corresponde a uma linha.
Vitória crítica — romper a linha antes de o Flagelante aquecer o retira do rito sem provocar incêndio.
Se o Luciano traduziu os livros, tudo isso é automático.
Romper o círculo
É a decisão da cena, e ela tem tempo certo.
| Quando | O que acontece |
|---|---|
| Antes de aquecerem | A linha morre. Aquele Flagelante sai do rito. Sem incêndio |
| Durante o aquecimento | Ele queima fora do compasso: +0 no Relógio, e 2 Agravado por turno em adjacentes, por três turnos |
| Na última rodada | Impede as últimas cargas e solta todas as chamas ativas de uma vez |
Romper cedo é seguro e é pouco. Romper tarde salva o Pompeu de acordar e pode condenar o Teatro.
Outras formas de sabotar
- Apagar uma linha com o pé, água ou casaco.
- Deslocar fisicamente um Flagelante para fora do círculo externo.
- Retirar a âncora do círculo interno.
- Tirar o corpo de cima da mesa.
- Forçar a Dica a cruzar o limite.
🩸 O sacrifício do Henrique
A apresentação termina. A plateia aplaude de pé. A cortina sobe de novo, e não devia.
A Santa Dica está de pé ao lado do corpo, e é a única vez que ela aparece na crônica.
— Não vim castigar ninguém. Vocês não entendem, mas eu vim curar.
— Esta cidade adoece há vinte e seis anos e ninguém aqui sabe por quê. Eu sei.
— Quem estiver vazio, o Sopro há de encher.
Dois Flagelantes trazem o Henrique, amordaçado e amarrado, ainda de terno.
— Este aqui a cidade acabou de reconhecer como autoridade. O sangue de quem manda é o que abre a porta.
⚠️ A coterie tem uma rodada
Uma rodada inteira de ações, antes de ela encostar nele. Diga isso à mesa: vocês têm um turno.
| O que fazem | Resultado |
|---|---|
| Atacam a Dica | Ela se defende, e o sacrifício atrasa um turno |
| Arrancam o Henrique dali | Conseguem, com Força + Atletismo, Dif. 3, contra os dois Flagelantes |
| Rompem uma linha | Funciona, e ela vê |
| Gritam para a plateia | Antecipa o Relógio do Pânico em 2 |
| Nada | Ela o sacrifica |
Se o Henrique for salvo: o rito perde o catalisador político. −1 no Relógio do Retorno, e ele passa a lutar do lado da coterie, porque não tem outro lado.
Se morrer: morre. Mas por decisão da mesa, não do texto.
🔒 O trinco
As portas são trancadas por fora. Todas, ao mesmo tempo, sem barulho. Frente, serviço e lateral.
Os Estágio I deixam os postos e caminham até o palco, e ocupam o círculo externo, um por linha. Esse movimento é o primeiro sinal de que o rito começou.
Os Estágio II ficam nas portas. Os cultistas mortais, espalhados pela plateia, mantêm a ladainha e seguram o público.
⏱️ Os três relógios
Rode os três em paralelo, em voz alta. É isso que faz a cena.
1. O Relógio da Ladainha — dez segmentos
Não são dez rodadas. É um contador que avança por eventos:
| Evento | Avanço |
|---|---|
| Fim de cada rodada de combate | +1 |
| A Dica completa um verso sem ser interrompida | +1 |
| Uma falha relevante da coterie | +1 |
| Entrada atrapalhada, vinda de fora | +1 |
| Vitória crítica da coterie | −1 |
| Dica forçada a sair do círculo | Para |
| Segmento | O que se vê |
|---|---|
| 1–2 | A plateia acha que é parte do espetáculo. Alguns filmam |
| 3–4 | A pele dos Flagelantes esquenta. Cheiro de queimado |
| 5–6 | Os primeiros brilham por dentro, como brasa dentro de papel |
| 7–8 | A ladainha vira um som só |
| 9 | As linhas do círculo começam a acender sozinhas |
| 10 | Combustão |
2. O Relógio do Pânico — seis segmentos
| # | Estado |
|---|---|
| 1 | Filmam |
| 2 | Descobrem que as portas não abrem |
| 3 | Correria |
| 4 | Pisoteamento. Primeiros feridos |
| 5 | Fogo alcança gente |
| 6 | Mortes em massa, e a Máscara vai junto |
Como segurar:
🎲 Carisma + Liderança, Dif. 3 — conter o pânico por uma rodada.
🎲 Teste prolongado. Força + Atletismo, Dif. 3, meta de 3 — abrir uma saída.
🎲 Inteligência + Tecnologia ou Ofícios, Dif. 3 — destravar as portas pelo quadro, ou cortar a energia e abrir no escuro.
Dominação ou Presença em área — funciona, e avança a Máscara: há imprensa na terceira fileira.
Gastar uma ação contra a Dica para salvar gente — sempre disponível, e sempre caro.
3. O Relógio do Incêndio — quatro estados
| Estado | O que arde |
|---|---|
| 1. Contido | Só fumaça e calor ritual |
| 2. Palco | Cortina e cenário |
| 3. Auditório | Cadeiras e saídas |
| 4. Colapso | Teto, passarela e camarotes caindo |
| Avanço | Quando |
|---|---|
| +1 | Romper o círculo depois do aquecimento |
| +1 | Destruir um Estágio II perto de uma porta |
| +1 | Duas combustões fora do círculo |
| +1 ou +2 | Uso de fogo comum pela coterie |
| −1 | Ação bem-sucedida com hidrante, extintor ou Ofícios |
Nada apaga a chama negra. O que se consegue é impedir que ela acenda o resto.
🚪 Se estiverem do lado de fora
Todas as entradas funcionam. O que varia é o preço.
| Entrada | Teste | Numa derrota |
|---|---|---|
| Doca de serviço | Destreza + Ladroagem, Dif. 3 | Entram, e a Ladainha avança 2 |
| Claraboia do palco | Destreza + Atletismo, Dif. 3 | Entram, sofrendo 2 Superficial e caindo em posição ruim |
| Arrombar a frente | Força + Atletismo, Dif. 4 | Entram, com o Pânico já em 3 |
| Corredor técnico | Destreza + Furtividade, Dif. 3 | Entram, e são vistos |
Vitória crítica em qualquer uma: entram antes do sacrifício do Henrique.
🧠 Narrador · nenhuma rolagem impede a coterie de chegar ao clímax. A falha custa tempo e posição, nunca acesso.
⚔️ Os antagonistas
🎴 Santa Dica — Lasombra, 10ª geração
Clã Lasombra · Geração 10ª · Potência de Sangue 4 · Humanidade 4
Resumo Ataque 12 · Defesa 8 · Vitalidade 11 · Vontade 10
Braços do Abismo Ataque à distância, 12 dados, Superficial. Alcança qualquer ponto do palco
Defesa Destreza + Atletismo, 8 dados, com Manto da Sombra ativo
Perícias Ocultismo 5, Liderança 5, Intimidação 4, Erudição 4, Sagacidade 4
Disciplinas Oblívio 5 · Dominação 4 · Potência 3
O que ela quer Que o Bispo acorde e veja
O que ela não faz Não ataca primeiro. Tem tempo, tem gente e tem razão, do ponto de vista dela
Prioridade em combate Proteger o círculo, não se proteger. Ela fica no lugar mesmo levando dano
Fala — Eles rezam para Deus. Eu converso com Ele.
🧠 Narrador · ela é letal e não é invencível. Geração não é parada de ataque, e quatro personagens têm quatro ações por rodada contra a dela. O que a protege é o contexto: os relógios correndo, os reféns, os Flagelantes, e o fato de que ninguém pode gastar todas as ações nela. Apresente como adversária perigosa, não como suicídio anunciado.
🎴 Flagelante Estágio I — no círculo
Resumo Ataque 5 · Defesa 3 · Vitalidade 6 · Vontade 3
Agarrar Força + Briga, 5 dados, em disputa
Dominação e Presença FUNCIONAM. Ele tem mente, e é a fraqueza que quase ninguém usa
Não lutam. Rezam. Só reagem se alguém tentar tirá-los da linha
Combustão No segmento 10, ou antes se receberem Agravado. Três turnos, 2 Agravado por turno em adjacentes
Quantos Conforme a tabela de contagem
🧠 Narrador · Dominação sobre um Estágio I no círculo é a jogada mais eficiente da noite. Mandá-lo sair da linha o tira do rito, e não incendeia nada.
🎴 Flagelante Estágio II — nas portas
Resumo Ataque 7 · Defesa 4 · Vitalidade 8 · Vontade 4
Ataque Força + Briga, 7 dados, Superficial
Imunes a Dominação e Presença — a parcela do Pompeu protege o recipiente
Combustão Quando a trilha enche. Fora do círculo, e portanto sem contenção
⚠️ Destruí-los numa porta a bloqueia com fogo que não apaga. É a armadilha, e é honesta
Quantos Conforme a tabela de contagem
🏁 Como o rito termina
Faça a soma na hora, em segredo. O resultado depende do Relógio do Retorno.
0 a 7 — a chamada fracassa
As chamas apagam sem alcançar nada. A âncora racha. O Yam'Gorá se dispersa pelo Cerrado, e os Garou passam meses caçando restos.
A Dica fica de joelhos no palco olhando um corpo que não acorda. Se ninguém a impedir, ela foge. Se a impedirem, ela não se defende direito.
8 a 10 — o Yam'Gorá se manifesta fora do corpo
Alguma coisa entra naquele teatro e não é um homem. Não tem forma estável, não fala, e reconhece a Dica sem obedecê-la.
Não ataca a coterie primeiro. Ataca o corpo.
Os Garou entram na cidade naquela madrugada. É o que eles esperavam há quatro meses, e agora sabem onde está.
11 a 12 — o Pompeu desperta incompleto
Ele senta na mesa. Fala com duas vozes, e uma delas está fora do prédio.
Não reconhece a Dica direito, e não reconhece a Celina. Está debilitado — trate como 10ª geração com metade da Vitalidade e sem controle sobre Oblívio.
O Yam'Gorá continua vazando para o Cerrado, e os lobos entram para destruir corpo e sopro.
13 — o Pompeu desperta inteiro
Ele abre os olhos com Fome 5, e a primeira coisa que faz é comer quem estiver mais perto.
A Dica se ajoelha. É a única vez que ela parece pequena.
O cerco vira invasão antes do amanhecer. Todo Lasombra ligado a ele na região sente, incluindo a Celina no jazigo.
A coterie foge, negocia ou morre. Não há quarta opção nesta noite.
Se destruírem o corpo ou a âncora
O vínculo se rompe. O Yam'Gorá perde o caminho de volta: dissipa-se, ou fica preso e vulnerável aos Garou.
O culto perde o propósito no mesmo instante. Os Flagelantes que ainda não queimaram ficam parados, esperando ordem que não vem.
A Dica pode fugir, e sobreviver como antagonista de outra crônica.
🗣️ Depois — o Relato
Corre na mesma noite, com o teatro ainda queimando ou já apagado. É a última cena da crônica.
A coterie é a única testemunha que viu tudo. É por isso que os dois lados vêm atrás deles antes do sol nascer.
🍷 A Vittoria
Chega da Rua do Lazer com o vestido intacto, e é a única Kindred de cargo de pé em Pirenópolis.
— Foi o Sabá. Um culto de fora, que atacou uma cidade da Torre e foi contido pela Torre.
— Isso é verdade. É verdade e é limpo, e é o que Anápolis precisa ouvir.
O que ela quer, e diz claramente:
— Uma declaração oficial, assinada pelos quatro. E silêncio sobre o Xerife.
O que ela oferece: a concessão de território honrada com o selo da Celina reconhecido, status de verdade em Anápolis, e proteção contra o que sobrou do culto.
O que ela não pode dar:
— Sair? Isso continua sendo assunto da Rosa.
🚚 O Canela-Fina
É ele que faz a acusação, não o Mateus. Está encostado na caminhonete, e é a primeira vez na crônica que ele fala sério.
— Foi o Sabá, foi. Ninguém tá negando.
— Mas o Xerife de vocês achou os corpos queimados naquela estrada, reconheceu a rota, e suspendeu a apuração porque não queria Anápolis olhando pro laboratório dele.
— Ele não criou o culto. Ele deixou o culto trabalhar enquanto vendia gente por fora.
— Isso não é desculpa de anarca. Tá escrito, com a letra dele e a assinatura do carniçal dele.
O Mateus confirma a parte dele, e só a parte dele:
— A rota é real. O capim queimado é real. Eu vi.
— Política é com ele. Eu só dirijo.
O que o Canela-Fina quer: que os documentos sejam publicados e mandados a Anápolis com a lista dos mortos.
O que ele oferece: a saída pelas matas antes do amanhecer, nome entre os anarcas de Goiás, e nunca mais dever favor a ninguém de cargo.
⚠️ E se a coterie não jogou a trama política
Sem os documentos, ele tem suspeita e não tem prova. A acusação não derruba ninguém, e a Vittoria controla a narrativa com facilidade.
A oferta de fuga continua de pé. O que muda é que ela não vem acompanhada de vitória política nenhuma.
🧭 A terceira posição
Recusar os dois é escolha válida, e tem custo próprio.
A coterie não assina nada, não publica nada e não pede carona. Fica sem proteção e sem estrada — e fica com tudo o que carrega: o rascunho, a estaca, o quadro, o caderno, e a única testemunha ocular do que aconteceu naquele palco.
Ninguém pode contar a versão completa sem eles, e os dois lados sabem disso. É pouco, é frágil, e é independência.
⚖️ O que a escolha realmente é
Nenhum dos dois está mentindo. A coterie não escolhe entre verdade e mentira — escolhe qual verdade vai ser contada.
| Camarilla | Anarcas | Nenhum | |
|---|---|---|---|
| A culpa fica com | O Sabá | O Xerife, e a Torre atrás dele | Ninguém decide |
| Ganham | Território, nome, cadeira | A estrada | O que carregam na mão |
| Perdem | A saída | Território e proteção | Proteção e estrada |
| A cidade vira | Domínio da Torre outra vez | Terra de ninguém por uma década | Disputada |
🎭 As variações
| Situação | O que muda |
|---|---|
| Henrique morreu no palco | Não pode se defender. O rascunho e a estaca valem mais |
| Henrique vivo | Ele aparece no meio da conversa. São três ofertas |
| Coterie assinou como apoiadora | Denunciá-lo exige explicar a própria assinatura |
| Rascunho já foi à Rosa na Pt. 2 | Anápolis já sabe. O Canela-Fina não tem o que oferecer |
| O rito deu 11 ou mais | Não há relato a dar. Os lobos entram, e ninguém escolhe nada |
| Silêncio total | A Vittoria conta a versão dela sozinha. E a coterie sobrevive |
🧠 Narrador · não anuncie isso como escolha final, mas também não esconda o que cada lado quer. Os dois dizem em voz alta o que exigem. O que fica implícito é o preço, não o pedido.
⛓️ Epílogo
Três noites depois, o chamado chega onde a coterie estiver.
Ele recebe sentado, e não é o que esperavam: um homem de meia-idade, sem imponência, com a voz de quem está com sono.
— Vocês viram. Isso é raro e isso vale.
— Eu não pergunto de que lado vocês estavam. Naquela noite não havia lados, havia gente na sala.
— Ajoelhem, e vocês têm um lugar. Recusem, e eu não protejo ninguém que eu não conheço.
Jurar é jogar outra crônica. Recusar é terminar esta de pé, e sozinho.
🕯️ E a Celina
Fica em torpor no jazigo dos Curado, reparando um Agravado por noite. Ela acordaria em semanas.
Ninguém a tira de lá, e não é por falta de chave.
Se a coterie contou a versão da Camarilla: a Vittoria sabe exatamente onde ela está, e prefere deixá-la ali. Sem o Henrique, ninguém com poder em Pirenópolis quer a antiga Príncipe de volta — e a Vittoria é quem tem o cargo agora.
Se contaram a versão anarca: também ninguém volta, e por outro motivo. Não sobrou Torre nesta cidade para se importar.
Se a coterie voltar e tirar a estaca, ela acorda em algumas semanas — e vai perguntar quem estacou. Isso é a crônica seguinte.
A concessão de território da Beira Rio continua assinada, selada e válida. Sobre um bairro que os anarcas nunca vão devolver, por uma Príncipe que ninguém quer acordar.
🍷 E a Vittoria
Ela sobreviveu porque estava trabalhando.
Se o Henrique caiu e o Pompeu foi destruído, ela é a única Kindred de cargo de pé em Pirenópolis — Guardiã, cria de 10ª geração, e com um favor menor pendurado no pescoço de quatro neonatos.
⚠️ Continuidade
| Item | Como ficou |
|---|---|
| Corpo do Pompeu | Museu, em torpor ritual. A Celina o escondeu lá, e mente sobre isso |
| Yam'Gorá | A metade expulsa em 2000. É o que os lobos caçam |
| Âncora | Sob a gameleira até a Noite 2, depois no Teatro |
| Relógio do Retorno | Treze cargas. Substitui a antiga regra do compasso |
| A fraqueza do rito | Não é "um fora do compasso e tudo falha". É reduzir o número de cargas |
| O círculo | Contém e conduz a chama. Romper é escolha com hora certa |
| A carta | Não traz data. Abre na Noite 4, com o nome do Teatro |
| Estágio I | Tem mente. Dominação e Presença funcionam |
| Estágio II | Imune, e a combustão fora do círculo não tem contenção |
| Torpor da Celina | Dano, um Agravado por noite. Encurtar exige Potência de Sangue 4+ |
| A estaca | Colocada pelo Henrique, depois do incêndio. É prova |
| Henrique | Tem uma rodada antes de morrer. E não criou o culto: deixou trabalhar |
| Cancelar o evento | Vitória parcial: salva os duzentos e tira 2 cargas |
| Luciano | Cicatriz ritual, não dano comum. Lê, não luta |
| Os Garou | Só entram se o rito passar de 8, ou se o corpo sobreviver intacto |
| Doracy | Se sobreviveu, recebe no saguão e repõe 2 Flagelantes |
| Comendador | Potência de Sangue 3. Não serve para acordar a Celina |
| O favor da Vittoria | Nunca cobrado. Sobrevive a todos os finais |
| Terceira posição | Existe. Recusar os dois lados é escolha, não punição |
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