quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Pirenópolis by Night — Pt. 3

 

Pirenópolis by Night — Pt. 3

O Bispo Partido · v1

Vampiro: A Máscara — 5ª Edição




Pirenópolis by Night — Pt. 3

O Bispo Partido · v2

Vampiro: A Máscara — 5ª Edição


📐 Antes de começar

Regras, terminologia e Frenesi estão no topo da Parte Zero. A mecânica do Flagelante e o Relógio do Retorno estão no Apêndice da Pt. 2 e valem aqui sem alteração.

Habilidades — Sagacidade, Percepção, Persuasão, Subterfúgio, Ladroagem.

Dano — lâmina, bala e pancada são Superficial. Fogo, sol e certos ataques sobrenaturais são Agravado. Armas naturais de Metamorfose causam Agravado a mortais e Superficial não reduzido contra vampiros.

Torpor usa Potência de Sangue, não geração.


🧩 Os cinco elementos

Leia isto antes de rodar qualquer cena. Cinco coisas diferentes, e a mesa vai confundi-las se você confundir primeiro.

1. O corpo do Pompeu. Está num compartimento secreto do Museu da Família Pompeu, em torpor ritual, incompleto. Não teve Morte Final — foi partido, e o que sobrou continua deitado ali há vinte e seis anos.

2. O Yam'Gorá. É a parcela expulsa do Pompeu em 2000, sem corpo, deformada por vinte e seis anos soltos no Cerrado. É o que os Garou querem morto, e é por isso que a estrada está fechada.

3. A âncora. A relíquia enterrada sob a gameleira de Lagolândia. Prende o Yam'Gorá àquele lugar e recebe a carga de cada combustão.

4. A amostra sagrada. Fragmentos retirados da âncora, usados como quarto componente do Soro do Retorno. Eram as ampolas do Jatobá.

5. O Relógio do Retorno. Treze cargas válidas. É o que a Santa Dica está juntando há quatro meses, uma combustão por vez.

A espinha: soro → Flagelantes → combustões válidas → carga na âncora → treze cargas → corpo e âncora reunidos no Teatro → o Yam'Gorá volta ao corpo.


⏳ O Relógio do Retorno

Calcule antes da sessão, em segredo, e nunca mostre.

Evento anterior Cargas
Parte Zero, festival — Estágio II queimado +1
Pt. 1, Rua do Lazer +4
Pt. 1, Jatobá — os três acorrentados +0. Fogo alheio, desperdiçado
Pt. 2, hospital — cada Estágio II que queimou +1
Pt. 2, Santa Rita destruído −2 Flagelantes disponíveis no Teatro

No Teatro:

O que acontece Cargas
Estágio I queimado pela ladainha completa, com a linha íntegra +1
Estágio I destruído ou incendiado antes da conclusão +0. Desperdiçado
Estágio II destruído ou comandado a queimar, dentro do círculo +1
Flagelante afastado da âncora, ou linha rompida antes de aquecer +0, e sai do rito
Âncora destruída Nenhuma carga nova chega
Corpo destruído Não existe recipiente. O rito acaba

🎚️ O que cada faixa produz

Cargas Resultado
0 a 7 A chamada fracassa. O Yam'Gorá não alcança nada
8 a 10 O Yam'Gorá se manifesta fora do corpo
11 a 12 O Pompeu desperta incompleto
13 O Pompeu desperta inteiro

A mesa não sabe o número e não pode saber. O que ela pode fazer é reduzir o que ainda vai entrar.


🌙 As noites

# Noite
1 A Carta
2 Lagolândia
3 A Volta
4 O Elísio
5 e 6 As noites livres
7 O Teatro

O calendário é fechado. A partir da Noite 3 há data marcada, e ela não muda.



✉️ Noite 1 — A Carta

📍 Igreja do Carmo, sacristia. A Celina recebe sozinha, e é a primeira vez em toda a crônica que ela chama alguém.

Sobre a mesa, uma carta aberta. Papel de receituário, letra de máquina. A coterie reconhece o papel.

— Chegou há quatro noites, por baixo da porta desta sacristia. Ninguém viu quem trouxe.

— Diz que o Bispo volta. E diz quando, do jeito que essa gente diz as coisas.

Ela empurra o papel pela mesa. Está escrito uma linha só:

"Quando Pirenópolis aplaudir de novo o nome do Bispo, o Sopro voltará ao que está vazio."

— Eu li isso trinta vezes. Não é data. É charada de beata.

— Mas quem escreveu isso escreveu com a certeza de quem já marcou no calendário. É esta semana. Disso eu não duvido.

🧠 Narrador · a mesa não tem como decifrar a frase agora, e não deve. Ela só faz sentido na Noite 4, quando a Vittoria disser o nome do Teatro em voz alta. Não ajude.

O que ela quer

— Eu preciso saber se isso é blefe.

— Se for delírio de beata morta, eu ignoro e sigo governando esta cidade.

— Se não for, eu tenho menos de uma semana para decidir se luto ou se negocio.

— E eu ainda não sei qual das duas.

A ordem: ir a Lagolândia, ver se há gente, estrutura e prazo.

E a segunda metade, que ela repete duas vezes:

— Não toquem no que for do Bispo. Nada que tenha o nome dele, nada que tenha o sinal dele.

— Se acharem coisa assim, deixem onde está e me digam.

🤥 A mentira dela

🧠 Narrador · a Celina sabe onde está o corpo. Ela o encontrou anos depois do desaparecimento e o escondeu ela mesma, no compartimento do Museu da Família Pompeu. É por isso que ela manda a coterie para longe, é por isso que ela não quer que ninguém toque em nada do Bispo, e é por isso que ela não manda o Xerife.

Admitir isso seria admitir que manteve o antigo Bispo do Sabá guardado dentro de um domínio da Camarilla, por seis anos, enquanto governava em nome da Torre.

Se alguém perguntar diretamente se o corpo apareceu algum dia:

— Não.

🎲 Raciocínio + Sagacidade, Dif. 4 — foi rápido demais, e ela já estava com a resposta pronta. Não dá nada além disso.

🕯️ Quem foi o Bispo

A coterie não sabe quem é esse homem. Se perguntarem — e vão perguntar —, ela responde. É a única vez em toda a crônica que a Celina fala longo, e ela fala baixo.

— Sebastião Pompeu de Pina. Vocês já leram esse nome nesta cidade e nem repararam.

— Está na fachada do Teatro. Está na placa do Museu. Está na pedra da Ponte do Carmo, que ele levantou entre 1899 e 1903, e que vocês atravessaram para chegar aqui.

— Ele era o Bispo do Sabá de Luz. E antes que perguntem: não, não era o que vocês estão pensando.

— O Sabá que vocês conhecem de história queima cidade. Ele governou e Pirenópolis nunca soube que era governada.

— Não porque fosse bom. Porque ele achava que rebanho bem tratado dura mais.

— Em 2000 ele desapareceu. Sem corpo, sem bilhete, sem sucessor. A cidade acordou órfã e não percebeu.

🏅 O pagamento

— A saída não é minha para dar. Isso é assunto da Rosa, e eu não falo pela Rosa.

— O que eu tenho é território. Tragam o que encontrarem, e vocês têm o de vocês nesta cidade, com meu selo.

— Sudoeste, região do Bar do Tiano.

🎲 Inteligência + Política, Dif. 2 — a Celina não controla aquela área de fato, e não controla há anos.

🎲 Raciocínio + Manha, Dif. 2 — é território de caça do Canela-Fina, e ele caça ali desde antes de a Camarilla chegar.

Vitória crítica em qualquer dos dois: o papel ainda serve. Não como posse — como arma política. Um selo da Príncipe cedendo território que ela não tem é prova de que o domínio dela é ficção, e isso vale em Anápolis.

🧠 Narrador · deixe aceitarem sabendo. É mais interessante do que a armadilha cega: eles pegam o papel entendendo que é papel.

🎴 Irmã Celina — Lasombra, Príncipe interina

Clã Lasombra · Geração 10ª · Potência de Sangue 3 · Humanidade 7

Resumo Ataque 8 · Defesa 6 · Vitalidade 9 · Vontade 9

Perícias Intimidação 4, Erudição 4, Etiqueta 4, Ocultismo 3, Política 4

Disciplinas Oblívio 4 (Braços do Abismo, Manto da Sombra, Toque do Abismo) · Dominação 3 · Potência 2

Paradas prontas Resistir a intimidação 9 · Detectar mentira 7 · Esconder o que sente 5

Nesta parte Dá a única ordem da crônica, e na Noite 3 cai

O que ela quer Duas coisas que não cabem juntas: o cargo, e que ele volte

O que ela esconde Que escondeu o corpo dele no Museu, e que sabe exatamente onde

Fala — O Sabá me ensinou a temer Deus. A Camarilla me ensinou a imitá-Lo.


🕯️ Ainda na Noite 1 — o Algoz

Ao sair da sacristia, o Pastor Elias está esperando no adro.

— O padre quer conversar. Não é convite da Torre, é convite dele.

— Ele mora ali, na casa do lado. E ele já sabe pra onde vocês vão.

📍 Casa de dois cômodos ao lado da igreja. Mais livro que móvel. Pe. Luciano Camargo Fleury não recebe de batina, e continua com as marcas do fogo da Pt. 1.

— Vocês vão a Lagolândia. A Celina mandou, e eu não perguntei como sei.

— Eu não vou impedir. Eu quero o que vocês vão achar lá.

Se a coterie entregou o caderno de transcrições na Pt. 2

— Aquele caderno de vocês provou uma coisa: a chama não é falha. É pagamento.

— Mas aquilo é cópia de cópia, e quem copiou não entendia o que copiava.

— Eu preciso do que ela copiou. Quantas entregas, em que ordem, e onde se corta o vínculo. Sem os originais eu tenho metade de uma frase.

Se não entregou

— Alguém nesta cidade descobriu como tirar a alma de um corpo e deixar o sangue funcionando.

— Tragam papel. Livro, caderno, folha solta, margem rabiscada.

— Sem isso eu só tenho cadáveres impossíveis, e cadáver impossível não me diz o que fazer na quinta-feira.

⚠️ Ele é o Algoz, e não é ingênuo

Ele investiga o que ouve. Não acredita automaticamente em confissão, e não age sem checar — o que o torna mais perigoso, não menos.

Se a coterie contar demais — que protegeu sangue-fracos, que deixou o hospital de pé, que negociou com anarcas, que soltou o Ismael — ele não reage na hora. Anota, confere, e cobra depois, por cargo.

(Isso só entra se a mesa jogou a trama política opcional da Pt. 2. Se não jogou, o assunto não existe.)

É a única conversa da Parte 3 em que dizer a verdade toda custa caro.

⚔️ Onde a Celina e o Algoz se cruzam

Celina Luciano
Quer Saber se é real Saber como funciona
Sobre os papéis Nem pensou neles É a única coisa que quer
Sobre o que tem o nome do Bispo Deixar onde está Trazer, se estiver escrito
Se destruírem o culto Perde a margem. Fica furiosa Cumpriu o cargo. Aprova

O conflito só aparece se a coterie for honesta com os dois. Levar os livros ao Algoz é obedecer ao cargo e desobedecer à Príncipe — e ninguém vai avisar que essas duas coisas são a mesma pilha de papel.



🌳 Noite 2 — Lagolândia

📍 Distrito a trinta quilômetros do centro. Estrada de terra, cerrado dos dois lados.

Não tem nada.

Centro do distrito. A gameleira está lá. O túmulo da Santa Dica está lá. E mais nada.

🎲 Raciocínio + Percepção, Dif. 1 — marca de pneu fresca, muitos veículos, todas saindo. Mudança, não fuga.

🎲 Raciocínio + Investigação, Dif. 1 — ampolas quebradas e caixas de papelão vazias atrás da capela. Isto era depósito.

🎲 Raciocínio + Percepção, Dif. 2 — cera derretida no chão, em círculo, ainda mole. Houve reunião faz três noites.

🎲 Raciocínio + Investigação, Dif. 2 — cinza com forma de gente, em três pontos do terreno. Iguais às da estrada.

Automático — prancheta pendurada num prego, ao lado da porta da capela: escala de embarque, nomes de batismo, e a inicial D. no rodapé.

🌳 O buraco sob a gameleira

📍 Na raiz maior, do lado que dá para o poente, a terra foi cavada e recolocada. Mal. Ainda está fofa.

🎲 Raciocínio + Investigação, Dif. 2 — cavaram fundo, tiraram alguma coisa e não se deram ao trabalho de disfarçar.

🎲 Inteligência + Ocultismo, Dif. 3 — o buraco não é de saque. Aquilo era um ponto fixado, e alguém desfez a fixação com cuidado antes de levar o que estava dentro.

🧠 Narrador · era a âncora. Está a caminho de Pirenópolis. É por isso que o distrito está vazio, e é por isso que a coterie não tem mais o que fazer aqui.

👤 O que ficou para trás

Sentado na raiz da gameleira, de crachá ainda no bolso do uniforme, há um Flagelante. Estágio I.

É um dos rostos do Hospital Nossa Senhora do Rosário — escolha entre Aparecida, Nivaldo, Sebastiana, Simon ou Gideão. A mesa conhece o nome dele.

Ele reconhece a coterie e cumprimenta. Com educação.

— A Santa foi pra cidade. Foi derrotar o mal que paira ali.

— Ela disse que ia ser rápido. Disse que era três dias, e que depois disso ninguém mais ia adoecer em Pirenópolis.

— Eu fiquei pra cuidar daqui.

Se perguntarem há quanto tempo:

— Faz três noites. Ela disse três dias, e faz três noites.

— Então já era pra ter acontecido, né? Já era pra eu não estar mais aqui.

— Vocês vieram me buscar?

🧠 Narrador · ele perdeu a conta e não sabe. A data dele está errada — falta quase uma semana. Não corrija na mesa: deixe a coterie sair de Lagolândia com um prazo que já venceu, e descobrir sozinha que não venceu.

Ele não está aqui por acaso. O círculo final precisa de oito, e havia mais que oito. A Santa deixou uma reserva para vigiar o buraco e atrasar quem viesse atrás.

Ele tem mente, e é isso que dói

🎲 Carisma + Persuasão, Dif. 3 — acalmá-lo.

🎲 Manipulação + Sagacidade, Dif. 3 — fazê-lo reconhecer, em voz alta, que foi deixado para trás. Funciona, e é a coisa mais cruel que a mesa pode fazer nesta noite.

Dominação — obrigá-lo a ficar parado, ou a repetir a ordem que recebeu, palavra por palavra. Funciona. Ele ainda tem mente.

Se a conversa falhar, ele agarra alguém e tenta cumprir a última instrução que recebeu, que era ficar. Não persegue. Não usa arma.

🎲 Frenesi, Dif. 2 — se alguém lhe causar dano Agravado. Ele entra em combustão de três turnos, conforme o Apêndice da Pt. 2.

Se a mesa Resultado
Destrói com Agravado +0 no Relógio. Fogo fora do rito é desperdício, e ninguém sabe
Derruba com Superficial Ele cai e para. Sobra corpo. A Santa perde a reserva
Conversa e deixa ali Ele continua sentado na raiz até o fim da crônica
Leva junto Possível, e ele obedece. Vale muito no Teatro

🧠 Narrador · levá-lo é a jogada que quase ninguém tenta e que muda a Noite 7: um Flagelante que responde perguntas, dentro do Teatro, é a única fonte viva sobre o compasso.

📚 A casa da Dica

Casa baixa na beira do distrito, portas escancaradas. Levaram os móveis e deixaram os livros — porque quem levou não sabia ler o que estava levando.

Automático — tratados de ocultismo em latim e português, coleção de décadas.

🎲 Inteligência + Ocultismo, Dif. 3 — três volumes Baali, de invocação e sacrifício espiritual. Não é literatura Lasombra: é de outra linhagem, e é muito mais velha.

Automático, se acharem os volumes — o rito de invocação com o nome da entidade riscado e o do Pompeu escrito por cima, várias vezes, em tinta diferente.

🧠 Narrador · ela não confundiu tradições. Substituiu o nome do que se invoca pelo do Pompeu, e usou Oblívio para abrir o caminho. O Abismo é dela por sangue; a técnica do sacrifício ela foi buscar em livro alheio, de propósito.

📓 As quatro linhas

🎲 Raciocínio + Investigação, Dif. 2 — nas margens, em letra dela, quatro anotações soltas. Nenhuma explica nada sozinha.

"Treze retornos."

"O que arde fora da palavra é desperdiçado."

"A parte precisa estar perto da âncora."

"O corpo só recebe quando a cidade reconhecer o nome."

🧠 Narrador · não explique nada disso. Ninguém em cena entende, e a única boca disponível pertence a alguém que repete sem compreender. Quem transforma as quatro linhas em plano é o Luciano, nas noites livres.

O que a coterie sai sabendo

Confirmado Ainda não
O culto existe, e é grande Onde está agora
Já se mudou para Pirenópolis Qual é o alvo
Tiraram alguma coisa de baixo da árvore O que era, e para quê
Há um prazo curto Que a data do Flagelante está errada


🔥 Noite 3 — A Volta

Trinta quilômetros de volta com a resposta no bolso. E a cidade já aconteceu sem eles.

📍 O Museu da Família Pompeu está queimando. Bombeiros na rua, gente de pijama na calçada, telhado cedendo.

🚒 Entrar no incêndio

🎲 Destreza + Atletismo, Dif. 3 — atravessar até a sala dos fundos.

🎲 Frenesi, Dif. 3 — permanecer dentro do prédio em chamas.

Dano: 2 Agravado por turno em área tomada pelo fogo, 3 se completamente envolvido.

Numa derrota no teste de entrada, o personagem entra assim mesmo — e perde um turno, ou sofre dano, ou se separa do grupo. Nunca fica do lado de fora.

A pista é automática para quem chegar à sala: o compartimento onde o corpo estava, aberto, revirado e vazio. Alvenaria antiga, feito para não ser encontrado, e aberto por quem sabia exatamente onde ficava.

🎲 Inteligência + Investigação, Dif. 2 — o compartimento não foi arrombado. Foi aberto com a chave, ou por alguém que conhecia o mecanismo.

🩸 Na calçada dos fundos

O Coronel Ventura está saindo do fogo com a Celina nos braços. Fardado, sem quepe, com o ombro do uniforme ainda queimando. Põe o corpo no chão da calçada, senta ao lado e tosse até vomitar fuligem.

Um mortal entrou num prédio em chamas para tirar de lá uma criatura que ele sabe muito bem o que é.

🎲 Manipulação + Sagacidade, Dif. 2:

— Eu não pensei. Se eu pensasse eu não entrava.

— Não fui mandado, não. Foi por conta.

O Henrique chega depois, de paletó, limpo, sem uma marca. Ajoelha ao lado da Príncipe, examina, e não faz nada.

Ela está em torpor por dano Agravado. Corpo rígido, queimaduras profundas, olhos abertos e secos.

— Eu não posso fazer nada. O sangue dela é mais forte que o meu.

— Alguém atacou o Museu e a pegou de surpresa. Não foi um.

— Amanhã, no Elísio. Todos. Isso não se resolve numa calçada.

🎲 Inteligência + Medicina ou Ocultismo, Dif. 2 — ele está certo sobre a regra e mentindo sobre a conclusão. Torpor por dano se repara sozinho: um Agravado por noite. Ela acordaria em algumas semanas por conta própria.

🧠 Narrador · ele sabe disso. E é por isso que ele vai ao jazigo naquela mesma madrugada.

🚚 Na saída — o Mateus

Ele não entra em prédio da Camarilla nem chega perto de bombeiro. Espera duas quadras adiante, com a caminhonete ligada.

— Os lobos mandaram recado pelas matas. Quatro luas.

— E eles não contam em calendário, contam em lua mesmo. Pode ser antes.

— Se o sopro que come o Cerrado não parar até lá, eles entram na cidade. E não vão perguntar quem é quem.

— Eu não tenho como tirar vocês daqui antes disso. Sinto muito.

🧠 Narrador — alinhe os relógios aqui. O Mateus fala em quatro luas nesta noite. A Vittoria, na noite seguinte, marca a apresentação para três noites depois. É a mesma noite, e nenhum dos dois percebe. Quem percebe é a mesa.



🏛️ Noite 4 — O Elísio

📍 Pousada das Cavalhadas. Corte reunida às pressas: Henrique, Vittoria, Luciano, e a coterie.

O Comendador não vem. A Vittoria avisa, e a frase importa depois:

— Ele está cuidando de outros assuntos. Não está disponível, e não disse até quando.

A proposta

— Houve furto no Museu. Levaram alguma coisa, e eu ainda não sei o quê.

— A cidade não pode ficar sem autoridade com o Sabá em movimento.

— Eu proponho a mim mesmo como Senescal interino, e vou levar isso à Rosa esta noite.

— Não é tomada de poder. É assinatura.

🔔 A data, e a frase da carta

Vittoria — A hora não podia ser pior. Daqui a três noites tem apresentação no Teatro Sebastião Pompeu de Pina, com o prefeito, o juiz, o delegado e meia câmara de vereadores.

— A cidade inteira que importa vai estar sentada numa sala. E vai bater palma pro nome na fachada, como bate todo ano.

🧠 Narrador · é aqui que a carta se abre. Quando Pirenópolis aplaudir de novo o nome do Bispo. Não sublinhe, não repita a carta, não pergunte se alguém percebeu. Se ninguém perceber, o Luciano percebe nas noites livres.

Henrique — Então é a noite perfeita. Até lá a Rosa responde, eu assumo diante de quem precisa ver, e a cidade continua funcionando.

Luciano — Voto a favor.

(O Luciano não explica. A razão é simples: um Xerife ocupado com política não pergunta o que o Algoz anda fazendo no laboratório.)

✍️ A assinatura

Assinam os que têm cargo: Vittoria, Luciano, e a procuração do Comendador que chega por portador.

A coterie assina em que qualidade? Escolha antes, e diga em voz alta:

Testemunhas — sem implicação política. Só estiveram lá.

Coterie reconhecida, por serviço prestado ao Xerife na Pt. 1 — assinam como apoiadores.

Beneficiários da administração interina, se aceitaram a concessão da Celina — assinam como parte interessada.

Se assinam Custo real
Como testemunhas Nenhum. E nenhum ganho
Como apoiadores Ele deve um favor. Se ele cair, respingam — reputação e suspeita, não queda automática
Como beneficiários Ele deve mais, e a cumplicidade é documentada
Se recusam Ele os trata como obstáculo a partir daí

🧠 Narrador · assinar não faz a coterie cair junto com o Henrique. Faz com que precisem explicar por que assinaram. É caro, e é sobrevivível.

⚔️ E se impedirem a confirmação

É possível. Basta o Luciano mudar o voto, ou a Rosa ser alertada antes, ou a Vittoria ser convencida de que o Henrique é passivo demais.

Se ele não for confirmado:

Ele ainda pode ser capturado no Teatro, mas não representa a autoridade da cidade — e o sangue dele vale menos no círculo.

A Santa Dica precisa de outro ofertante: a Celina, se alguém a tirar do jazigo, ou uma improvisação que atrasa o rito.

O rito começa com penalidade. Some duas rodadas ao relógio da ladainha, e a coterie ganha esse tempo.



🌒 Noites 5 e 6 — As noites livres

Duas noites, e mais coisa para fazer do que cabe. Cada rota entrega alguma coisa de verdade. Nenhuma é beco.

Onde investem O que ganham
Rastrear o corpo desde o Museu O Teatro, e a entrada técnica pelos fundos
Vigiar o Teatro Quantos Flagelantes, e onde cada um fica
Alertar as autoridades mortais Os duzentos saem da conta
Levar os livros ao Luciano O Relógio, a âncora e o círculo
Procurar a Celina A estaca, e o que o Henrique fez
Chantagear o Henrique Convite, arma dentro do prédio, ou planta do edifício
Pedir ao Canela-Fina Equipe do lado de fora, e rota de fuga
Pedir ao Mateus Transporte, e contenção do cerco por uma noite

🚚 Rastrear o corpo

🎲 Teste prolongado. Raciocínio + Investigação, Dif. 3, meta de 4 sucessos. Uma rolagem por noite, e o Canela-Fina ou o Rael dão um dado extra.

Caminhão de mudança contratado em Anápolis, sem nota. Descarregou numa doca de serviço na madrugada de terça. A doca é dos fundos do Teatro.

Isso entrega a planta: doca, corredor técnico, caixa de cena, e a claraboia acima do palco.

📣 A rodada de avisos

Quem Reação
Mateus Acredita. Ouve falar da Santa desde os anos 40. Não entra em prédio da Camarilla — mas dá caminhonete, estrada e o que precisar do lado de fora
Luciano Acredita, e é o único que entende. Ferido, vai como quem estuda, não como quem luta
Canela-Fina E daí? Deixa a corte queimar junto com o prefeito. Mas se pedirem gente do lado de fora, ele manda
Vittoria Não cancela. O evento é dela. Passa para o cumprimento e vai para a Rua do Lazer
Henrique Não acredita. Vai ser confirmado naquela noite. Nada vai atrapalhar isso
Comendador Indisponível

📞 Cancelar o evento

É a jogada mais inteligente disponível, e o texto tem que recompensá-la.

🎲 Manipulação + Subterfúgio, Dif. 3 — ameaça de bomba anônima, ou denúncia de risco estrutural ao Corpo de Bombeiros.

🎲 Carisma + Persuasão, Dif. 4 — convencer a Vittoria a adiar. Dif. 3 se tiverem o que oferecer.

Se conseguirem:

Os duzentos mortais não estão lá. Some da conta a plateia inteira, o Relógio do Pânico e o risco de Máscara.

A Santa Dica ainda faz o rito no Teatro — precisa do prédio, do nome e da âncora, e não tem outro lugar que sirva.

Mas não há aplauso. A quarta linha do caderno não se cumpre: o corpo só recebe quando a cidade reconhecer o nome. O rito começa com uma penalidade permanente: −2 no Relógio do Retorno.

E o Henrique pode não estar lá. Se a confirmação foi adiada junto, ela perde o ofertante.

🧠 Narrador · cancelar é vitória parcial de verdade. Não puna quem pensou. A Dica não some para um lugar desconhecido — ela ainda precisa daquele palco.

📖 O Algoz traduz

Se a coterie entregou os livros, o Luciano passa as duas noites em cima deles e entrega o que ninguém mais tem.

O Yam'Gorá é a metade do Pompeu que ficou sem corpo em 2000. Não é espírito de bicho. É o que os lobos querem morto, e é por isso que a estrada fechou.

Treze. — "Treze retornos". Ela precisa de treze entregas, e vem juntando faz meses. Eu não sei quantas ela já tem. Ela também não tem certeza.

A âncora. — "A parte precisa estar perto da âncora". O que ela tirou de baixo daquela árvore é onde a metade dele mora. Sem aquilo no palco, não há para onde as chamas irem.

O círculo. — Ela não vai deixar aquilo queimar solto em cima dela. Vai ter contenção desenhada no chão, e a contenção vai ter uma linha para cada oferta.

O aplauso. — "O corpo só recebe quando a cidade reconhecer o nome". É o Teatro. É o nome na fachada. É depois dos aplausos.

Se esconderam os livros, ele descobre sozinho na madrugada da Noite 7, tarde demais. E não perdoa.

🧠 Narrador · as feridas do Luciano não são dano comum. Ele repararia um Agravado por noite. É cicatriz ritual — a munição incendiária do Krug era abençoada, e o que ela deixou não fecha. Ele anda, lê e pensa. Não luta, e não vai lutar.

⚰️ O jazigo

📍 Cemitério São Miguel, jazigo da família Curado.

🎲 Destreza + Ladroagem, Dif. 3 — a fechadura é velha, e qualquer um arromba com tempo.

A Celina está deitada na laje. Queimada, rígida — e com uma estaca de madeira no peito.

Ninguém estacou a Celina no incêndio. A estaca é limpa, cortada à máquina, e foi colocada depois.

🎲 Raciocínio + Sagacidade, Dif. 2 — o Henrique não a estacou para protegê-la. Estacou para que ela não acordasse antes da confirmação dele.

Tirar a estaca não a acorda. Ela continua em torpor por dano e repara um Agravado por noite — semanas, não horas.

Para abreviar isso é preciso vitae de Potência de Sangue 4 ou mais. Não há ninguém em Pirenópolis com isso. O Comendador tem 3.

Quem sabe a regra é a Vittoria, e a informação não é de graça:

— Não é geração, é força de sangue. E o sangue dela é mais forte que o de todo mundo que ainda está de pé nesta cidade.

— Eu sou onze porque ele quis assim. E ele não vem antes de cinco dias, e não vem nem por mim.

O preço é um favor menor, e ela faz questão de dizer que é menor:

— Uma coisa pequena. Depois de tudo isso passar, eu vou precisar de quatro pessoas que digam a mesma coisa ao mesmo tempo.

— Não pergunto agora o quê. Vocês também não.

🧠 Narrador · o favor nunca é cobrado dentro desta crônica. Fica pendurado, e é a única coisa que sobrevive a todos os finais.

O que a estaca vale: é prova de que o Henrique manobrou a sucessão. Vale contra ele no Teatro, e vale no Relato.

🎟️ O convite

Como entram Custo
Convidados pelo Henrique Devem a ele, e entram desarmados — é noite de gala
Pela Vittoria, como acompanhantes Ela cobra depois, e cobra caro
Chantageando o Henrique com a estaca Entram armados, e ele os odeia
Por fora — doca, corredor técnico, claraboia Destreza + Furtividade, Dif. 3. Ninguém sabe que estão lá
Não entram A noite final é do lado de fora, e é muito pior

👁️ Vigiar o Teatro

🎲 Raciocínio + Percepção, Dif. 2, uma noite de vigília — funcionários novos, contratados esta semana. Educados, limpos e mortos.

Rende a contagem e a posição: quantos são, quem fica em qual porta, e quais deles a coterie já conhece pelo nome.



🎭 Noite 7 — O Teatro

📍 Teatro Sebastião Pompeu de Pina. Casa cheia. Prefeito, juiz, delegado, vereadores, empresários, imprensa de Goiânia. Duzentas pessoas — a menos que a coterie tenha esvaziado a sala.

Nada acontece de errado durante a apresentação. É bonita. Os funcionários são impecáveis — recebem, conduzem, servem, sorriem. E estão mortos.

A coterie reconhece os rostos. Aparecida com a bandeja de taças, Nivaldo na porta do camarote, Sebastiana recolhendo casacos, Gideão no corredor. De uniforme de gala, com a mesma cordialidade de sempre, e nenhum deles acha estranho ver a coterie ali.

Não há o que fazer com esse reconhecimento, e é esse o ponto.

👤 No saguão

A Irmã Doracy está recebendo os convidados, se sobreviveu à Pt. 2. De vestido, sem touca, cumprimentando o prefeito pelo primeiro nome.

— Boa noite. Vieram ver, então.

— Eu falei que ela ia buscar vocês.

Se perguntarem por que deixou um deles em Lagolândia:

— Ele ficou de guarda, meu filho. Alguém tinha que ficar.

— Ele entendeu. Eles entendem tudo. É isso que ninguém quer acreditar.

📐 A contagem de Flagelantes

Monte a tabela antes da sessão. O número não é fixo.

O que aconteceu antes Efeito no Teatro
Porta de aço do hospital não foi aberta Os quatro Estágio II estão aqui, nas portas
Estágio II queimaram no hospital Não aparecem — e já entraram no Relógio
Estágio II escaparam no incêndio Aparecem, e como guardas soltos, não nas portas
Santa Rita destruído na Pt. 2 Dois Estágio I a menos no círculo
Doracy escapou da Pt. 2 +2 Estágio I, produzidos nas semanas seguintes
Doracy presa ou destruída Nenhuma reposição
Flagelante de Lagolândia destruído Reserva perdida. Nada muda no círculo

Padrão, se nada disso se aplicar: oito Estágio I no círculo do palco, quatro Estágio II nas portas.


⭕ O Círculo do Retorno

📍 No palco, sob o cenário retirado, dois círculos concêntricos desenhados no assoalho.

Círculo interno — a Santa Dica, o corpo do Pompeu deitado numa mesa de madeira, e a âncora, uma caixa de pedra do tamanho de um tijolo, aberta.

Círculo externo — onde os Estágio I vão se posicionar.

Entre os dois, treze linhas. Traçadas com cinza das combustões anteriores, terra da gameleira, pó da amostra sagrada, e sangue.

O que o círculo faz

Quando um Flagelante entra em combustão dentro dele, a chama não se espalha. É puxada pela linha e absorvida pela âncora.

A chama negra sobe do corpo, inclina-se contra o ar como se houvesse vento onde não há, e escorre pelo chão. A linha de cinza acende até chegar à caixa de pedra.

Enquanto o círculo estiver íntegro:

  • A Dica e o corpo não sofrem dano das combustões.
  • A chama ritual não incendeia cortina, palco nem cenário.
  • Cada combustão válida acrescenta uma carga.

O que o círculo NÃO faz: não é barreira. Não impede tiro, não impede que alguém atravesse, e fogo comum funciona normalmente dentro dele.

Entender o círculo

🎲 Inteligência + Ocultismo, Dif. 3 — o círculo contém e conduz a combustão, em vez de deixá-la se espalhar.

Com um sucesso a mais — cada Flagelante corresponde a uma linha.

Vitória crítica — romper a linha antes de o Flagelante aquecer o retira do rito sem provocar incêndio.

Se o Luciano traduziu os livros, tudo isso é automático.

Romper o círculo

É a decisão da cena, e ela tem tempo certo.

Quando O que acontece
Antes de aquecerem A linha morre. Aquele Flagelante sai do rito. Sem incêndio
Durante o aquecimento Ele queima fora do compasso: +0 no Relógio, e 2 Agravado por turno em adjacentes, por três turnos
Na última rodada Impede as últimas cargas e solta todas as chamas ativas de uma vez

Romper cedo é seguro e é pouco. Romper tarde salva o Pompeu de acordar e pode condenar o Teatro.

Outras formas de sabotar

  • Apagar uma linha com o pé, água ou casaco.
  • Deslocar fisicamente um Flagelante para fora do círculo externo.
  • Retirar a âncora do círculo interno.
  • Tirar o corpo de cima da mesa.
  • Forçar a Dica a cruzar o limite.

🩸 O sacrifício do Henrique

A apresentação termina. A plateia aplaude de pé. A cortina sobe de novo, e não devia.

A Santa Dica está de pé ao lado do corpo, e é a única vez que ela aparece na crônica.

— Não vim castigar ninguém. Vocês não entendem, mas eu vim curar.

— Esta cidade adoece há vinte e seis anos e ninguém aqui sabe por quê. Eu sei.

— Quem estiver vazio, o Sopro há de encher.

Dois Flagelantes trazem o Henrique, amordaçado e amarrado, ainda de terno.

— Este aqui a cidade acabou de reconhecer como autoridade. O sangue de quem manda é o que abre a porta.

⚠️ A coterie tem uma rodada

Uma rodada inteira de ações, antes de ela encostar nele. Diga isso à mesa: vocês têm um turno.

O que fazem Resultado
Atacam a Dica Ela se defende, e o sacrifício atrasa um turno
Arrancam o Henrique dali Conseguem, com Força + Atletismo, Dif. 3, contra os dois Flagelantes
Rompem uma linha Funciona, e ela vê
Gritam para a plateia Antecipa o Relógio do Pânico em 2
Nada Ela o sacrifica

Se o Henrique for salvo: o rito perde o catalisador político. −1 no Relógio do Retorno, e ele passa a lutar do lado da coterie, porque não tem outro lado.

Se morrer: morre. Mas por decisão da mesa, não do texto.

🔒 O trinco

As portas são trancadas por fora. Todas, ao mesmo tempo, sem barulho. Frente, serviço e lateral.

Os Estágio I deixam os postos e caminham até o palco, e ocupam o círculo externo, um por linha. Esse movimento é o primeiro sinal de que o rito começou.

Os Estágio II ficam nas portas. Os cultistas mortais, espalhados pela plateia, mantêm a ladainha e seguram o público.


⏱️ Os três relógios

Rode os três em paralelo, em voz alta. É isso que faz a cena.

1. O Relógio da Ladainha — dez segmentos

Não são dez rodadas. É um contador que avança por eventos:

Evento Avanço
Fim de cada rodada de combate +1
A Dica completa um verso sem ser interrompida +1
Uma falha relevante da coterie +1
Entrada atrapalhada, vinda de fora +1
Vitória crítica da coterie −1
Dica forçada a sair do círculo Para
Segmento O que se vê
1–2 A plateia acha que é parte do espetáculo. Alguns filmam
3–4 A pele dos Flagelantes esquenta. Cheiro de queimado
5–6 Os primeiros brilham por dentro, como brasa dentro de papel
7–8 A ladainha vira um som só
9 As linhas do círculo começam a acender sozinhas
10 Combustão

2. O Relógio do Pânico — seis segmentos

# Estado
1 Filmam
2 Descobrem que as portas não abrem
3 Correria
4 Pisoteamento. Primeiros feridos
5 Fogo alcança gente
6 Mortes em massa, e a Máscara vai junto

Como segurar:

🎲 Carisma + Liderança, Dif. 3 — conter o pânico por uma rodada.

🎲 Teste prolongado. Força + Atletismo, Dif. 3, meta de 3 — abrir uma saída.

🎲 Inteligência + Tecnologia ou Ofícios, Dif. 3 — destravar as portas pelo quadro, ou cortar a energia e abrir no escuro.

Dominação ou Presença em área — funciona, e avança a Máscara: há imprensa na terceira fileira.

Gastar uma ação contra a Dica para salvar gente — sempre disponível, e sempre caro.

3. O Relógio do Incêndio — quatro estados

Estado O que arde
1. Contido Só fumaça e calor ritual
2. Palco Cortina e cenário
3. Auditório Cadeiras e saídas
4. Colapso Teto, passarela e camarotes caindo
Avanço Quando
+1 Romper o círculo depois do aquecimento
+1 Destruir um Estágio II perto de uma porta
+1 Duas combustões fora do círculo
+1 ou +2 Uso de fogo comum pela coterie
−1 Ação bem-sucedida com hidrante, extintor ou Ofícios

Nada apaga a chama negra. O que se consegue é impedir que ela acenda o resto.


🚪 Se estiverem do lado de fora

Todas as entradas funcionam. O que varia é o preço.

Entrada Teste Numa derrota
Doca de serviço Destreza + Ladroagem, Dif. 3 Entram, e a Ladainha avança 2
Claraboia do palco Destreza + Atletismo, Dif. 3 Entram, sofrendo 2 Superficial e caindo em posição ruim
Arrombar a frente Força + Atletismo, Dif. 4 Entram, com o Pânico já em 3
Corredor técnico Destreza + Furtividade, Dif. 3 Entram, e são vistos

Vitória crítica em qualquer uma: entram antes do sacrifício do Henrique.

🧠 Narrador · nenhuma rolagem impede a coterie de chegar ao clímax. A falha custa tempo e posição, nunca acesso.


⚔️ Os antagonistas

🎴 Santa Dica — Lasombra, 10ª geração

Clã Lasombra · Geração 10ª · Potência de Sangue 4 · Humanidade 4

Resumo Ataque 12 · Defesa 8 · Vitalidade 11 · Vontade 10

Braços do Abismo Ataque à distância, 12 dados, Superficial. Alcança qualquer ponto do palco

Defesa Destreza + Atletismo, 8 dados, com Manto da Sombra ativo

Perícias Ocultismo 5, Liderança 5, Intimidação 4, Erudição 4, Sagacidade 4

Disciplinas Oblívio 5 · Dominação 4 · Potência 3

O que ela quer Que o Bispo acorde e veja

O que ela não faz Não ataca primeiro. Tem tempo, tem gente e tem razão, do ponto de vista dela

Prioridade em combate Proteger o círculo, não se proteger. Ela fica no lugar mesmo levando dano

Fala — Eles rezam para Deus. Eu converso com Ele.

🧠 Narrador · ela é letal e não é invencível. Geração não é parada de ataque, e quatro personagens têm quatro ações por rodada contra a dela. O que a protege é o contexto: os relógios correndo, os reféns, os Flagelantes, e o fato de que ninguém pode gastar todas as ações nela. Apresente como adversária perigosa, não como suicídio anunciado.

🎴 Flagelante Estágio I — no círculo

Resumo Ataque 5 · Defesa 3 · Vitalidade 6 · Vontade 3

Agarrar Força + Briga, 5 dados, em disputa

Dominação e Presença FUNCIONAM. Ele tem mente, e é a fraqueza que quase ninguém usa

Não lutam. Rezam. Só reagem se alguém tentar tirá-los da linha

Combustão No segmento 10, ou antes se receberem Agravado. Três turnos, 2 Agravado por turno em adjacentes

Quantos Conforme a tabela de contagem

🧠 Narrador · Dominação sobre um Estágio I no círculo é a jogada mais eficiente da noite. Mandá-lo sair da linha o tira do rito, e não incendeia nada.

🎴 Flagelante Estágio II — nas portas

Resumo Ataque 7 · Defesa 4 · Vitalidade 8 · Vontade 4

Ataque Força + Briga, 7 dados, Superficial

Imunes a Dominação e Presença — a parcela do Pompeu protege o recipiente

Combustão Quando a trilha enche. Fora do círculo, e portanto sem contenção

⚠️ Destruí-los numa porta a bloqueia com fogo que não apaga. É a armadilha, e é honesta

Quantos Conforme a tabela de contagem


🏁 Como o rito termina

Faça a soma na hora, em segredo. O resultado depende do Relógio do Retorno.

0 a 7 — a chamada fracassa

As chamas apagam sem alcançar nada. A âncora racha. O Yam'Gorá se dispersa pelo Cerrado, e os Garou passam meses caçando restos.

A Dica fica de joelhos no palco olhando um corpo que não acorda. Se ninguém a impedir, ela foge. Se a impedirem, ela não se defende direito.

8 a 10 — o Yam'Gorá se manifesta fora do corpo

Alguma coisa entra naquele teatro e não é um homem. Não tem forma estável, não fala, e reconhece a Dica sem obedecê-la.

Não ataca a coterie primeiro. Ataca o corpo.

Os Garou entram na cidade naquela madrugada. É o que eles esperavam há quatro meses, e agora sabem onde está.

11 a 12 — o Pompeu desperta incompleto

Ele senta na mesa. Fala com duas vozes, e uma delas está fora do prédio.

Não reconhece a Dica direito, e não reconhece a Celina. Está debilitado — trate como 10ª geração com metade da Vitalidade e sem controle sobre Oblívio.

O Yam'Gorá continua vazando para o Cerrado, e os lobos entram para destruir corpo e sopro.

13 — o Pompeu desperta inteiro

Ele abre os olhos com Fome 5, e a primeira coisa que faz é comer quem estiver mais perto.

A Dica se ajoelha. É a única vez que ela parece pequena.

O cerco vira invasão antes do amanhecer. Todo Lasombra ligado a ele na região sente, incluindo a Celina no jazigo.

A coterie foge, negocia ou morre. Não há quarta opção nesta noite.

Se destruírem o corpo ou a âncora

O vínculo se rompe. O Yam'Gorá perde o caminho de volta: dissipa-se, ou fica preso e vulnerável aos Garou.

O culto perde o propósito no mesmo instante. Os Flagelantes que ainda não queimaram ficam parados, esperando ordem que não vem.

A Dica pode fugir, e sobreviver como antagonista de outra crônica.



🗣️ Depois — o Relato

Corre na mesma noite, com o teatro ainda queimando ou já apagado. É a última cena da crônica.

A coterie é a única testemunha que viu tudo. É por isso que os dois lados vêm atrás deles antes do sol nascer.

🍷 A Vittoria

Chega da Rua do Lazer com o vestido intacto, e é a única Kindred de cargo de pé em Pirenópolis.

— Foi o Sabá. Um culto de fora, que atacou uma cidade da Torre e foi contido pela Torre.

— Isso é verdade. É verdade e é limpo, e é o que Anápolis precisa ouvir.

O que ela quer, e diz claramente:

— Uma declaração oficial, assinada pelos quatro. E silêncio sobre o Xerife.

O que ela oferece: a concessão de território honrada com o selo da Celina reconhecido, status de verdade em Anápolis, e proteção contra o que sobrou do culto.

O que ela não pode dar:

— Sair? Isso continua sendo assunto da Rosa.

🚚 O Canela-Fina

É ele que faz a acusação, não o Mateus. Está encostado na caminhonete, e é a primeira vez na crônica que ele fala sério.

— Foi o Sabá, foi. Ninguém tá negando.

— Mas o Xerife de vocês achou os corpos queimados naquela estrada, reconheceu a rota, e suspendeu a apuração porque não queria Anápolis olhando pro laboratório dele.

— Ele não criou o culto. Ele deixou o culto trabalhar enquanto vendia gente por fora.

— Isso não é desculpa de anarca. Tá escrito, com a letra dele e a assinatura do carniçal dele.

O Mateus confirma a parte dele, e só a parte dele:

— A rota é real. O capim queimado é real. Eu vi.

— Política é com ele. Eu só dirijo.

O que o Canela-Fina quer: que os documentos sejam publicados e mandados a Anápolis com a lista dos mortos.

O que ele oferece: a saída pelas matas antes do amanhecer, nome entre os anarcas de Goiás, e nunca mais dever favor a ninguém de cargo.

⚠️ E se a coterie não jogou a trama política

Sem os documentos, ele tem suspeita e não tem prova. A acusação não derruba ninguém, e a Vittoria controla a narrativa com facilidade.

A oferta de fuga continua de pé. O que muda é que ela não vem acompanhada de vitória política nenhuma.

🧭 A terceira posição

Recusar os dois é escolha válida, e tem custo próprio.

A coterie não assina nada, não publica nada e não pede carona. Fica sem proteção e sem estrada — e fica com tudo o que carrega: o rascunho, a estaca, o quadro, o caderno, e a única testemunha ocular do que aconteceu naquele palco.

Ninguém pode contar a versão completa sem eles, e os dois lados sabem disso. É pouco, é frágil, e é independência.

⚖️ O que a escolha realmente é

Nenhum dos dois está mentindo. A coterie não escolhe entre verdade e mentira — escolhe qual verdade vai ser contada.

Camarilla Anarcas Nenhum
A culpa fica com O Sabá O Xerife, e a Torre atrás dele Ninguém decide
Ganham Território, nome, cadeira A estrada O que carregam na mão
Perdem A saída Território e proteção Proteção e estrada
A cidade vira Domínio da Torre outra vez Terra de ninguém por uma década Disputada

🎭 As variações

Situação O que muda
Henrique morreu no palco Não pode se defender. O rascunho e a estaca valem mais
Henrique vivo Ele aparece no meio da conversa. São três ofertas
Coterie assinou como apoiadora Denunciá-lo exige explicar a própria assinatura
Rascunho já foi à Rosa na Pt. 2 Anápolis já sabe. O Canela-Fina não tem o que oferecer
O rito deu 11 ou mais Não há relato a dar. Os lobos entram, e ninguém escolhe nada
Silêncio total A Vittoria conta a versão dela sozinha. E a coterie sobrevive

🧠 Narrador · não anuncie isso como escolha final, mas também não esconda o que cada lado quer. Os dois dizem em voz alta o que exigem. O que fica implícito é o preço, não o pedido.



⛓️ Epílogo

Três noites depois, o chamado chega onde a coterie estiver.

Ele recebe sentado, e não é o que esperavam: um homem de meia-idade, sem imponência, com a voz de quem está com sono.

— Vocês viram. Isso é raro e isso vale.

— Eu não pergunto de que lado vocês estavam. Naquela noite não havia lados, havia gente na sala.

— Ajoelhem, e vocês têm um lugar. Recusem, e eu não protejo ninguém que eu não conheço.

Jurar é jogar outra crônica. Recusar é terminar esta de pé, e sozinho.

🕯️ E a Celina

Fica em torpor no jazigo dos Curado, reparando um Agravado por noite. Ela acordaria em semanas.

Ninguém a tira de lá, e não é por falta de chave.

Se a coterie contou a versão da Camarilla: a Vittoria sabe exatamente onde ela está, e prefere deixá-la ali. Sem o Henrique, ninguém com poder em Pirenópolis quer a antiga Príncipe de volta — e a Vittoria é quem tem o cargo agora.

Se contaram a versão anarca: também ninguém volta, e por outro motivo. Não sobrou Torre nesta cidade para se importar.

Se a coterie voltar e tirar a estaca, ela acorda em algumas semanas — e vai perguntar quem estacou. Isso é a crônica seguinte.

A concessão de território da Beira Rio continua assinada, selada e válida. Sobre um bairro que os anarcas nunca vão devolver, por uma Príncipe que ninguém quer acordar.

🍷 E a Vittoria

Ela sobreviveu porque estava trabalhando.

Se o Henrique caiu e o Pompeu foi destruído, ela é a única Kindred de cargo de pé em Pirenópolis — Guardiã, cria de 10ª geração, e com um favor menor pendurado no pescoço de quatro neonatos.



⚠️ Continuidade

Item Como ficou
Corpo do Pompeu Museu, em torpor ritual. A Celina o escondeu lá, e mente sobre isso
Yam'Gorá A metade expulsa em 2000. É o que os lobos caçam
Âncora Sob a gameleira até a Noite 2, depois no Teatro
Relógio do Retorno Treze cargas. Substitui a antiga regra do compasso
A fraqueza do rito Não é "um fora do compasso e tudo falha". É reduzir o número de cargas
O círculo Contém e conduz a chama. Romper é escolha com hora certa
A carta Não traz data. Abre na Noite 4, com o nome do Teatro
Estágio I Tem mente. Dominação e Presença funcionam
Estágio II Imune, e a combustão fora do círculo não tem contenção
Torpor da Celina Dano, um Agravado por noite. Encurtar exige Potência de Sangue 4+
A estaca Colocada pelo Henrique, depois do incêndio. É prova
Henrique Tem uma rodada antes de morrer. E não criou o culto: deixou trabalhar
Cancelar o evento Vitória parcial: salva os duzentos e tira 2 cargas
Luciano Cicatriz ritual, não dano comum. Lê, não luta
Os Garou Só entram se o rito passar de 8, ou se o corpo sobreviver intacto
Doracy Se sobreviveu, recebe no saguão e repõe 2 Flagelantes
Comendador Potência de Sangue 3. Não serve para acordar a Celina
O favor da Vittoria Nunca cobrado. Sobrevive a todos os finais
Terceira posição Existe. Recusar os dois lados é escolha, não punição

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