quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Pirenópolis by Night — Pt. 2

  

Pirenópolis by Night — Pt. 2

A Outra Cidade · v2

Vampiro: A Máscara — 5ª Edição



Pirenópolis by Night — Pt. 2

A Outra Cidade · v6

Vampiro: A Máscara — 5ª Edição


📐 Antes de começar

Regras, terminologia e a formulação de Frenesi estão no topo da Parte Zero e valem aqui sem alteração.

Habilidades — Sagacidade, Percepção, Persuasão, Subterfúgio, Ladroagem.

Frenesi — Força de Vontade atual + um terço da Humanidade, arredondado para baixo.

Fichas — Ataque e Defesa são resumo de mesa. Quem entra em combate traz a parada real e o dano.

Dano — lâmina, bala e pancada são Superficial. Fogo, sol e certos ataques sobrenaturais são Agravado. Armas naturais de Metamorfose causam Agravado a mortais e Superficial não reduzido pela metade contra vampiros.

⚠️ Esta versão substitui a mecânica do Flagelante das versões anteriores. Ver o Apêndice desta parte.


⚖️ Princípios da Crônica

  1. Não mate quando existir outra saída.
  2. Não mate nem fira inocentes para proteger a Máscara.
  3. Não traia a coterie.

Violar um Princípio gera Máculas. As Convicções, definidas ao fim da Parte Zero, reduzem as Máculas quando o personagem violou o Princípio a serviço delas.

Inocente, aqui, é quem não escolheu estar nisso: mortal comum, carniçal descartado, sangue-fraco abandonado.

Trair a coterie é usar um companheiro como moeda. Discutir, discordar e esconder coisas uns dos outros não quebra nada.


🌙 As noites

Noite Título Status
1 Prestação de Contas Obrigatória
2 Os Três do Solar Opcional
3 Laboratório Santa Rita Opcional
4 Boteco do Tiano Obrigatória
5 A Caçada Obrigatória
6 A Casa dos Fundos Obrigatória
Final Hospital Nossa Senhora do Rosário Obrigatória

🎯 As duas tramas

Esta parte tem dois fios, e eles são independentes. Tocam-se num ponto só, e nenhum dos dois resolve o outro.

Fio político — o que o Canela-Fina pede

Solar Cândido → Coronel Ventura → Laboratório Santa Rita → Sistema Circulatório → chantagem contra o Xerife.

Sangue-fracos desaparecem depois de abordagem policial, e ninguém acha cinza. O Henrique os tria, cataloga e vende os raros. É opcional, e é a única arma que a coterie vai ter contra ele.

Fio principal — o que o Mateus pede

Ismael Bento → Hospital Nossa Senhora do Rosário → o Soro do Retorno → os Flagelantes → Lagolândia.

Um homem atravessa duas vezes por semana uma faixa de estrada que os Garou mandaram deixar vazia, e volta com alguém na garupa. Isso é o que fecha o cerco, e é o que impede a coterie de sair da cidade.

O ponto de contato: o Rosário compra do Santa Rita as bolsas de sangue humano descartadas. O Henrique não sabe para que servem. Fechar a operação dele atrasa a produção do hospital — dois Flagelantes a menos na Pt. 3 — e não a encerra.

A pergunta que a parte responde: quem está fabricando aquilo que pega fogo, e com o quê.


🧠 O que está acontecendo de verdade

Só para o Narrador. Ninguém nesta parte sabe isto inteiro — nem a Doracy.

O Soro do Retorno

O Flagelante não é feito de vitae comum. É feito de uma fórmula ritual criada pela Santa Dica, aplicada no Hospital Nossa Senhora do Rosário como transfusão, e apresentada ao paciente como a cura pelo sangue.

Quatro componentes:

1. Sangue humano comum. O hospital compra bolsas descartadas do Laboratório Santa Rita, por fora, a preço de sucata.

2. Água e terra da gameleira, em Lagolândia, de onde o Ismael traz frascos toda semana.

3. Uma fração da amostra sagrada — sangue ressecado e um fragmento calcificado retirado do coração do Bispo Pompeu durante o ritual que o partiu em 2000, guardados desde então e fracionados em ampolas.

4. O rito, feito pela Doracy, conforme instruções que ela recebe e não discute.

🧠 As ampolas do Jatobá eram o componente 3. "Lote consagrado", entregue ao N.S.R. quinze vezes em quatro meses. A coterie estourou o estoque da relíquia na Pt. 1 e não fazia ideia do que estava explodindo — e, sem saber, atrasou o culto em semanas.

⚠️ O que há sob a gameleira, e o que não há

A gameleira de Lagolândia não guarda o corpo do Pompeu. Guarda a âncora: terra funerária, sangue ressecado e uma relíquia retirada dele no ritual de 2000.

O corpo continua oculto em outro lugar da cidade, e quem o protege não é o culto.

Isso importa porque muda o que a coterie pode fazer: destruir a âncora é possível e é reversível para o culto; destruir o corpo, não. Nenhum dos dois é alcançável nesta parte.

O que a combustão realmente é

Não é reação adversa. É o ritual funcionando.

Cada Flagelante carrega uma parcela do Pompeu. Quando queima, a chama negra consome o corpo e devolve ao Pompeu tudo o que foi depositado nele. Cada combustão o aproxima de despertar.

Quem Quanto sabe
Santa Dica Sabe produzir, comandar e sacrificar. Tem os livros, e lê mal. Não domina todas as consequências do rito
Doracy Conhece a fórmula inteira e desconfia da função da chama. Escreveu uma interrogação e nunca voltou à página
Luciano Nada ainda. É o único capaz de reconstruir a estrutura, o número e as fraquezas
Ismael Nada. Acha que leva candidatos para uma cura
A coterie Nada, e passou duas partes achando que matar Flagelante resolvia

🧠 Narrador · a Santa Dica lê aquele corpus por cima do ombro de quem o escreveu, e é isso que a torna derrotável: ela vai errar alguma coisa na Pt. 3, e o erro é explorável por quem tiver lido melhor que ela.

Os livros são Baali. A Santa Dica não escreveu aquele rito: copiou de um corpus que não é dela e que ela lê mal. O Padre Luciano é o único nesta crônica capaz de ler aquilo direito — e é isso que abre a Pt. 3.

O que os sangue-fracos são

Uma coisa completamente separada, com mecanismo próprio. Não alimentam o culto, não entram no Soro, não são gado de ninguém.

São gente abandonada por senhores incompetentes, e a Camarilla os trata como problema de limpeza. O Henrique tria, cataloga e vende os que têm sangue anômalo. É corrupção comum, e é por isso que dói.



🏛️ Noite 1 — Prestação de Contas

📍 Elísio, na Pousada das Cavalhadas. O Xerife recebe sozinho, sem a corte.

— Boa noite. Se vocês estão aqui, suponho que o armazém do Sabá foi destruído.

— Tiveram algum problema com essa tarefa?

O relato

O que a coterie escolhe contar cria um credor diferente para o resto da parte.

🎲 Carisma + Persuasão, Dif. 2 — relato sincero e favorável.

🎲 Manipulação + Subterfúgio, em disputa contra os 7 dados de Henrique — omitir o Mercúrio, as brigas internas, o quadro, as ampolas ou o caderno.

🧠 Narrador · omissão diante de pergunta direta é Subterfúgio, mesmo que cada frase pronunciada seja verdadeira. Não deixe passar de graça.

🎲 Determinação + Autocontrole, Dif. 2 — recusar entregar uma pista sem demonstrar medo.

🎲 Inteligência + Política, Dif. 2 — entender que a hospedagem oferecida troca de credor.

🎲 Raciocínio + Sagacidade, Dif. 3 — perceber que ele não quer ninguém perto de prédio de saúde.

O que contam Consequência
Dedurar o Mercúrio Ele perde a proteção do Xerife, e cobra caro de vocês para sempre
A rixa Vittoria × Luciano O Xerife registra e guarda. A Vittoria descobre em duas noites
Nada, e colando o Subterfúgio Ele acredita, e fica achando que vocês são competentes, o que é pior
Quadro, ampolas ou caderno Ele estende a mão. Se entregarem, some. Se não, não insiste

Se mostrarem o caderno, ele lê a sigla em voz alta:

— Nossa Senhora do Rosário. É a Matriz.

— Alguém anda entregando coisa na igreja da cidade toda semana, há quatro meses.

Ele diz isso com convicção, e é o que qualquer pessoa em Pirenópolis leria. Ele viu o código de setor na pulseira do cantor semanas antes e sabe que aquilo é numeração de prédio de saúde. Não junta as duas coisas na frente deles. E devolve o caderno, porque acha que não vale nada.

A recompensa

— Vocês serão recompensados. Podem se hospedar na Pousada dos Mouros, tem uma bela vista do Cavalhódromo. Digam o meu nome.

Sair da Pousada das Cavalhadas é sair do território da Vittoria. A partir daqui a coterie deve hospedagem ao Xerife, e nem percebeu que trocou de credor.

— Vocês ainda podem provar valor para a Camarilla. É perturbador, mas faltam talentos nesta cidade.

E encerra. Ele não encomenda nada. É a última vez que a coterie o vê satisfeito.

🔥 Na saída

📍 Encostado na moto, na porta da Pousada.

— Olha só se não são os garotos-propaganda da Camarilla.

— E aí, como é puxar o saco de vampiro uma semana mais velho que vocês?

E então, sem transição, o pedido:

— Sangue-fraco aparece nesta cidade, o Ventura recolhe, e ninguém vê de novo.

— Se a Torre estivesse queimando todos, alguém achava cinza. Ninguém acha cinza. Eles estão indo pra algum lugar.

— Tem três escondidos numa casa abandonada, Vila Matutina, perto do córrego. O Solar Cândido. Meus contatos falam que eles andam de dia.

— Dá uma checada pra mim. Se forem ameaça, beleza, me avisa. Mas se só tão tentando sobreviver, não deixa a Torre levar eles também.

Ele não paga adiantado e não esconde que está pedindo favor. É a primeira vez que alguém nesta cidade pede alguma coisa sem cobrar.

🎴 Dr. Henrique Curado — Ventrue, Xerife

Clã Ventrue · Geração 11ª · Potência de Sangue 2 · Humanidade 6

Resumo Ataque 9 · Defesa 6 · Vitalidade 9 · Vontade 8

Perícias Intimidação 4, Investigação 4, Política 5, Liderança 4, Medicina 4

Disciplinas Dominação 3 (Mesmerismo, Esquecer, Comando Aterrador) · Fortitude 3 · Presença 2

Paradas prontas Detectar mentira 7 · Intimidar 8 · Encerrar um assunto 9

Vantagens Sistema Circulatório: Livro Negro · Fazenda · Trânsito Seguro

Nesta parte Aparece na Noite 1 e some. Isso é de propósito

O que ele quer Que ninguém olhe para prédio de saúde

O segredo dele Está catalogando vitae anômala de sangue-fracos e vendendo por fora, escondido do próprio Sistema Circulatório

Fala — Não me interessa julgar. Me interessa contar.

🎴 Rafa "Canela-Fina" Monteiro — Brujah

Clã Brujah · Geração 12ª · Potência de Sangue 1 · Humanidade 7

Resumo Ataque 8 · Defesa 6 · Vitalidade 8 · Vontade 6

Perícias Manha 4, Briga 4, Subterfúgio 4, Condução 3, Liderança 3

Disciplinas Potência 2 · Presença 2 · Ligeireza 2

Influência Ruas e submundo. Boteco do Tiano e Beira Rio

O que ele quer Que ninguém morra à toa

Segredo Tem laço de sangue com a Vittoria, e tem vergonha disso

Fala — A revolução não dorme. Ela só espera a próxima noite.



🏚️ Noite 2 — Os Três do Solar

Opcional. Abre o fio político e entrega aliados que circulam de dia.

📍 Solar Cândido, Vila Matutina, perto do córrego. Muros rachados, reboco caindo. No portão, garrafas sujas de sangue e seringas.

Três jovens entre colchões e panos. Não esboçam reação quando a coterie entra.

🧠 Narrador · eles não têm nada a ver com o Ismael, com o hospital ou com os Flagelantes. Foram Abraçados em Anápolis, num mês, por um Membro que nunca voltou — e desceram a serra fugindo da marcação da Camarilla, achando que cidade pequena não teria Torre. Chegaram três dias antes de a estrada fechar.

🎲 Inteligência + Ocultismo, Dif. 3 — reconhecer os sinais: 14ª geração, vitae diluída, sem Potência de Sangue.

🎲 Inteligência + Auspícios, com Vislumbrar a Alma, em disputa contra Autocontrole + Subterfúgio — o mesmo, e mais rápido.

👤 Rael, o artista faminto

Magro, tatuado, colar de tampinha de garrafa. Segura uma gaiola com um rato morto e está comendo o bicho devagar, quase com vergonha.

— Não olha assim, não. Eu tento não machucar ninguém.

— Já passei noite inteira com fome. Se eu encostar em gente, eu perco o controle. Então rato serve. É quente, é vivo, e não grita tanto.

👩 Jéssica, a enfermeira

Uns 30 anos, ainda de jaleco sujo e rasgado. Segura uma garrafa vazia como amuleto.

— Eu ainda não contei pros meus pais. Eles acham que eu tô trabalhando em Goiânia.

— Como é que eu encaro eles? Dizer que não respiro mais? Que o cheiro deles me dá fome?

Se perguntarem quem os criou:

— Um homem em Anápolis. Bonito, bem vestido, falava manso. Falou que a gente ia ser uma coisa nova.

— Ele fez quatro, em umas três semanas. Depois parou de aparecer.

*— A gente esperou dois meses. Ele não voltou.

👦 Feijão, o adolescente

17 anos, camisa do Goiás desbotada, sangue seco no pescoço.

— Cês viram a Raíssa? A minha mina. A gente desceu junto de Anápolis.

— Ela foi buscar sangue e não voltou. Faz uma semana.

— A mochila dela tá aqui. Eu carreguei. Não consigo abrir aquele caderno de novo.

🎲 Carisma + Sagacidade, Dif. 2 — fazê-lo falar dela sem se fechar.

☀️ Como eles andam de dia

Não é imunidade. Sangue-fraco sob sol direto sofre 1 de dano Superficial por turno.

O que eles fazem: manga comprida, capuz, luva, protetor solar de farmácia, e trajetos de dois minutos entre sombras. Saem de dia porque precisam, não porque podem. O Rael tem queimadura permanente no dorso das mãos.

🧾 A mochila da Raíssa

Está à vista, no chão entre os colchões. Encontrá-la é automático. Dentro, um diário.

"Feijão está pior. O sangue dos animais não basta. O Laboratório Santa Rita guarda bolsas inteiras na geladeira. Amanhã vou pegar o que conseguir e volto antes do amanhecer."

O texto para no meio, com uma gota seca de sangue na última linha.

🎲 Inteligência + Investigação, Dif. 1 — identificar o Santa Rita e a data.

Ela chegou lá, e não saiu. A entrada dela tem número, data e assinatura.

A mochila fica na casa, não com uma pessoa. Se o Feijão for recolhido, ele empurra o caderno na mão de alguém antes de entrar na viatura e diz só: — A Raíssa. Vai lá.

🚔 As viaturas

Vinte minutos depois de a coterie chegar, duas viaturas param na frente. Sem sirene.

Coronel Ventura desce sozinho, fardado, sem arma na mão. Cumprimenta.

— Boa noite. Denúncia de invasão em imóvel particular.

— Os senhores respondem por eles?

Ele é cordial, tem papel, tem procedimento. Não ameaça uma vez, e é isso que dá medo.

🧠 Narrador · é ronda. Ninguém denunciou a coterie e ninguém a seguiu. A viatura passa ali toda semana, e isso não começou com eles.

O procedimento dele parece legal e não é. O convênio que autoriza a remoção para um laboratório particular existe no papel, tem carimbo, e não resistiria a dez minutos de Ministério Público. 🎲 Inteligência + Política ou Erudição, Dif. 3 para notar isso na hora.

🎲 Inteligência + Furtividade, Dif. 3 — esconder os três antes de ele entrar.

🎲 Carisma + Liderança ou Persuasão, Dif. 3 — convencê-lo de que respondem pelo imóvel.

🎲 Manipulação + Subterfúgio, em disputa contra os 7 dados dele — mentir sobre quantas pessoas há dentro.

Escolha O que acontece
Respondem por eles Assinam termo. Ficam com três sangue-fracos na conta. Os três ficam
Mentem e vão embora Os três são recolhidos para averiguação
Entregam Ele agradece pela colaboração
Impedem PM fardada, no centro, com rádio ligado. É a pior noite possível
Escondem Ele revista, não acha, e volta em três noites

Se forem recolhidos, vão para o Laboratório Santa Rita, Câmara 2. Não é o fim deles: a coterie pode resgatá-los na Noite 3.

🎴 Jéssica, Rael e Feijão — Sangue-fracos, 14ª geração

Resumo Ataque 4 · Defesa 4 · Vitalidade 6 · Vontade 4

Soco ou mordida Força + Briga, 4 dados, Superficial

Sem disciplinas. Vitae diluída demais. Potência de Sangue 0

Sol 1 de dano Superficial por turno sob sol direto. Roupa fechada e trajeto curto

Alquimia Sangue-Fraco Nenhum dos três desenvolveu. A Raíssa, sim

O que querem Comer sem machucar, e que alguém explique o que aconteceu com eles

Se protegidos O Rael circula de dia pela coterie. Respeito entre os anarcas

Se entregues Rumor sobre a crueldade da Camarilla. O Canela-Fina passa a desconfiar

🎴 "Coronel Ventura" — Carniçal Ventrue

Mortal. PM experiente, disciplinado, cordial

Resumo Ataque 8 · Defesa 6 · Vitalidade 7 · Vontade 7

Tiro de pistola Autocontrole + Armas de Fogo, 8 dados, +2 Superficial

Perícias Liderança 4, Intimidação 3, Armas de Fogo 4, Política 3

Paradas prontas Conduzir abordagem 8 · Resistir a coação 7 · Chamar reforço 9

Recursos Duas viaturas, rádio, e 70 policiais no batalhão

O que ele faz Não sequestra ninguém pessoalmente. Faz abordagem formal, enquadra por invasão, identidade não comprovada ou risco médico, e despacha para o Santa Rita por um convênio fraudulento de assistência. Tudo tem assinatura e número de protocolo, e quase nada é lícito

O que ele não sabe O que acontece com eles depois da triagem

Fala — Rigor da Lei para os Inimigos da Lei.



🧊 Noite 3 — Laboratório Santa Rita

Opcional. Fecha o fio político e entrega a chantagem contra o Xerife.

📍 Laboratório de análises clínicas, no Centro, perto da Rua do Rosário. Pertence a uma família tradicional da cidade.

🏢 O térreo

É um laboratório de coleta de verdade, e funciona. Recepção com senha eletrônica, três poltronas, centrífuga, geladeira de amostras, cartaz de campanha de doação na parede. De dia atende meia cidade e cobra barato.

O segurança noturno é Phill. Há CFTV na entrada e nos corredores.

🎲 Manipulação + Subterfúgio, Dif. 3 — fingir ordem do Dr. Curado. Ele deixa passar e comenta com o patrão no dia seguinte.

🎲 Carisma + Persuasão, Dif. 3 — convencê-lo de que é emergência médica.

🎲 Manipulação + Intimidação, Dif. 4 — cede, e alerta os outros.

🎲 Inteligência + Tecnologia, Dif. 2 — o painel da porta lateral, que leva à lavanderia e à escada de serviço.

🎲 Destreza + Ladroagem, Dif. 2 — qualquer fechadura convencional.

🎲 Inteligência + Tecnologia, Dif. 3 — apagar ou repetir as imagens do CFTV.

Dominação funciona no Phill, e só nele. O CFTV continua gravando, e a recepcionista do turno da manhã encontra uma lacuna de quarenta minutos no dia seguinte.

Não há nada de errado no térreo, e é para ser assim. A fachada é boa porque não é fachada: o laboratório existe, é lucrativo e é limpo.

🎲 Raciocínio + Percepção, Dif. 2 — piso lavado demais para a hora. Alguém esfrega aquilo toda madrugada.

🎲 Inteligência + Investigação, Dif. 2 — atrás da sala de centrífuga, porta de aço com fechadura eletrônica que não consta na planta afixada na parede.

⬇️ O subsolo

Corredor curto, luz fria, cheiro de amônia. Crucifixos e imagens de Santa Rita de Cássia nas paredes. Três câmaras frias e uma porta de escritório.

Câmara 1 — Alimentação

Bolsas de sangue humano separadas por tipo e por ressonância, com número de lote e destino.

🎲 Inteligência + Medicina, Dif. 2 — identificar as ressonâncias. O Livro Negro dá bônus a quem souber usá-lo.

Parte das bolsas está marcada como descarte — vencidas, hemolisadas, sem valor comercial. Há um carimbo de saída e uma sigla de comprador.

🧠 Narrador · a sigla é N.S.R. É o único ponto material em que os dois fios se tocam, e a transação é conhecida dos dois lados — o que nenhum dos dois conhece é a finalidade do outro. O Henrique acredita estar vendendo descarte hospitalar. A Doracy sabe exatamente o que compra, e acredita estar comprando apenas o primeiro dos quatro componentes.

Câmara 2 — Triagem

Duas baias com braçadeiras, prontuários e equipamento. Se o Ventura recolheu o trio do Solar, eles estão aqui, ainda vivos, ainda catalogáveis.

🎲 Destreza + Ladroagem, Dif. 2 — abrir as braçadeiras.

Resgatá-los é possível e é caro. Três sangue-fracos famintos atravessando o Centro antes do amanhecer.

Câmara 3 — Raíssa

Senha: 1969. A anotação com o código está na mesa do escritório, no fim do mesmo corredor. A mesa vai ter que revirar o escritório antes de abrir a câmara.

🩸 Raíssa

A porta desliza. Compartimento de ferro, luz vermelha, isolamento acústico. Um rádio na prateleira tocando música clássica triste.

Ela está consciente. Sentada numa cadeira metálica, presa pelos pulsos por braçadeiras de aço, com dois tubos nos braços. Não há estaca — estaca não paralisa sangue-fraco, e o Henrique sabe disso melhor que ninguém.

— Achei que o sangue me salvaria. Mas ele me comeu por dentro.

Ela está em Fome 4, e o protocolo do laboratório é alimentá-la antes de cada coleta. A última coleta foi ontem e a alimentação de hoje ainda não veio.

🎲 Inteligência + Medicina, Dif. 2 — desligar os tubos sem feri-la.

🎲 Destreza + Ladroagem, Dif. 2 — abrir as braçadeiras.

Alimentá-la com as bolsas da Câmara 1 antes de soltar — automático, e reduz a Fome conforme o volume. É a jogada limpa, e está a dez metros de distância.

Se soltarem sem alimentar e ela perceber o Phill:

🎲 Frenesi, Dif. 3 — se ela perder, avança nele.

🎲 Força + Briga, em disputa, com trabalho em equipe — contê-la.

🎲 Destreza + Atletismo, Dif. 2 — tirar o Phill da área.

Se o Phill morrer, o Xerife dá um jeito. Acidente de trabalho, comunicado interno, nada em jornal. A coterie nem fica sabendo que foi encoberto — e é exatamente por isso que deveria assustar.

Quando termina, ela chora sangue olhando as próprias mãos.

— Eu só queria parar de doer. O Feijão ainda me ama?

🎲 Carisma + Persuasão, Dif. 3 — convencê-la a não fugir sozinha. Dif. 2 se o Feijão estiver junto.

🧠 Narrador · não há resposta que a mate automaticamente. Se disserem que ela é um perigo, ela acredita, e é pior: sai andando na direção do rio e a coterie tem que decidir se corre atrás.

🎴 Raíssa — Sangue-fraco, 14ª geração

Resumo Ataque 5 · Defesa 4 · Vitalidade 6 · Vontade 5

Fome atual 4. Sobe 1 a cada extração, e o laboratório a alimenta entre elas

Alquimia Sangue-Fraco 2 — é isto que a torna mercadoria, e não descarte

Sol 1 Superficial por turno. Tolerância acima da média para a geração

O que ela quer O Feijão, e parar de doer

Se resgatada É a melhor fonte de informação sobre o interior do laboratório

🗄️ O escritório do subsolo

Sala pequena no fim do corredor, porta destrancada. Está tudo aqui, e nada está escondido — só arrumado. É onde o Xerife trabalha quando vem.

As provas são achado automático para quem revistar. Os testes servem para interpretar.

O prontuário de Raíssa

PACIENTE M-03 — MERCURIANA

Potência de Sangue aparente: 0. Exposição solar: tolerância acima da média. Amostra mantém atividade após refrigeração. Próxima coleta autorizada após alimentação. Destino: Aparecida, lote experimental.

🎲 Inteligência + Medicina, Dif. 2 — "Mercuriana" não é termo médico. É categoria de catálogo.

Na mesa, um relatório com logo da clínica

"A paciente anônima apresenta sinais de regeneração anormal. O sangue reage a estímulos elétricos. Comprador precisa de ressonância Melancólica. Código de amostra: 1969."

🎲 Inteligência + Erudição, Dif. 3 — 1969 não é número de amostra. É ano. O trabalho do Xerife na ditadura não parou: só mudou de prédio.

Na parede

Carta da região presa com percevejos. Cada recolhimento marcado com alfinete de cabeça vermelha. Onze alfinetes, espalhados pela rodoviária, pela BR e pelas saídas da cidade — onde aparece gente descendo a serra.

E uma faixa da estrada de Lagolândia circulada a caneta, com traço firme, feito há muito tempo. Nenhum alfinete ali.

🎲 Inteligência + Investigação, Dif. 2, cruzando com o livro de ocorrências — nenhuma viatura foi enviada àquela faixa de noite. Nunca. Em quatro meses.

Ele marcou o lugar de onde vêm os corpos queimados e escolheu não ir.

Na gaveta — a pasta

Duas folhas, e são o único documento da crônica em que alguém escreve o que pensa.

Papel 1 — papel bom, sem timbre, letra de máquina.

Prezado H.,

As três amostras M chegaram em condições adequadas. A segunda manteve atividade depois da refrigeração e produziu efeitos inesperados quando misturada a sangue humano.

Não as ofereci no catálogo regular. O Sistema ainda não reconhece vitae como produto, e alguns dos nossos associados considerariam essa pesquisa uma violação perigosa.

Envie apenas sujeitos estáveis. Não preciso de volume; preciso de singularidade.

— R.

Papel 2 — rascunho em papel timbrado da Polícia Militar.

A concentração geográfica dos recolhimentos é difícil de atribuir ao acaso. Também recolhemos alguns corpos destroçados por garras, e outros queimados de dentro para fora, na faixa de Lagolândia. Precisa da sua intervenção para abafar.

Uma inspeção formal chamaria atenção da Torre de Anápolis. Não sabemos quem é aliado dela.

Mantenho a coleta. Suspendo a apuração até que o volume caia.

— Ventura

🧠 Narrador · a última linha é a prova. Não prova que ele é Sabá — prova coisa pior. Ele sabia, calculou e escolheu. Vale contra ele com a Celina, com a Rosa e no Teatro da Pt. 3.

No arquivo de aço

🎲 Inteligência + Investigação, Dif. 2 — termos de entrega de indigente, em ordem de data, assinados por Ventura.

🎲 Inteligência + Tecnologia, Dif. 2 — copiar tudo sem deixar sinal.

🎲 Inteligência + Política, Dif. 3 — reconhecer o Sistema Circulatório, e entender que ele está operando fora do que a rede autoriza.

🎯 O que fazer com isso

A decisão da noite, e ela é boa porque não tem resposta certa.

Decisão Consequência
Libertar e destruir tudo Salvam os presos e perdem a melhor prova contra o Xerife
Copiar e entregar à Celina Ela ganha controle político sobre o Xerife, e fica devendo a vocês
Entregar à Rosa Anápolis intervém no domínio, e ninguém aqui controla o que vem depois
Dar aos anarcas Primeira coisa em vinte anos que eles podem negociar de igual
Tomar o negócio A coterie passa a administrar uma operação monstruosa
Ignorar O Henrique exporta a Raíssa e os demais em poucos dias

🧠 Narrador · se destruírem o laboratório, o Rosário perde a fonte barata de sangue humano. Isso custa dois Flagelantes a menos no Teatro da Pt. 3, e ninguém jamais vai saber que foi por causa disto.



🍻 Noite 4 — Boteco do Tiano

📍 Comida boa, cerveja gelada, gente de verdade. Nos fundos, uma casa onde os anarcas se reúnem. Refúgio do Canela-Fina.

Ele recebe o relato do Solar e do Santa Rita, se houver. E o Mateus está lá, encostado no batente, com a chave da caminhonete na mão. Não sentou.

— Vocês acham que a Rosa mandou vocês pra cá pra servir a Camarilla?

— Mandou pra vigiar a Celina.

E então a aula que ninguém deu a eles antes:

— Esta cidade era do Sabá. Domínio do Bispo Pompeu, o "Sabá de Luz". Ele sumiu no ano 2000 e nunca acharam o corpo.

— A Celina é criação dele. A Príncipe interina desta cidade foi feita pelo Bispo do Sabá.

— Anápolis sabe disso. Por isso ela é interina há seis anos. E por isso mandaram quatro estranhos.

🛣️ O problema do Mateus

Ele não está interessado no laboratório. O problema dele é a estrada.

— O Canela-Fina tem problema com o Xerife. Eu tenho problema com a estrada.

— Tem um homem atravessando uma faixa que os lobos mandaram deixar vazia. Sobe sozinho, volta com alguém na garupa. Toda quinta e todo domingo, faz quatro meses.

— E três dias depois aparece terra queimada perto da gameleira. Capim torrado num círculo, com forma de gente.

— Os lobos acham que isso é vampiro profanando o lugar deles. E eles acham que é meu, porque eu sou o vampiro que anda naquela estrada.

Se perguntarem por que ele não vai lá:

— Porque eu sou o único que atravessa por acordo. O Aruanã atravessa por mato e por pacto com bicho — outra coisa, outro caminho, e ele não leva carga.

— Se eu passar duas noites numa estrada de terra caçando peão, para a cidade inteira. Tem carga esperando e gente contando as horas.

— E se os lobos decidirem que a rota é minha, eu não atravesso mais. E aí vocês também não saem daqui nunca.

O que ele quer, e diz com todas as letras:

— O sujeito se chama Ismael Bento. Moto velha, sacola de feira no guidão, máscara de boi dentro da sacola.

— Ele é peão. Peão recebe ordem de alguém.

— Eu não quero a cabeça dele. Eu quero saber pra onde ele leva, e quem abriu essa rota.

🧠 Narrador · o Mateus está entregando um serviço que ele mesmo faria melhor, e sabe disso. Não é armadilha — é escassez. Se a mesa insistir para que ele vá junto, ele recusa duas vezes e na terceira oferece a caminhonete sem o motorista.

💰 O que cada um paga

Canela-Fina — território. Caça livre na área dele por um tempo, sem pedir licença a ninguém da Torre, e esconderijo para quem precisar sumir.

Mateus — carro, motorista, carga sem revista, e movimento pelas matas em volta.

E o que o Mateus não dá, e diz na cara:

— Eu passo porque o acordo é comigo. Não é com vocês, e não é com a Camarilla que vocês carregam no bolso.

— Se quiserem sair desta cidade, vão ter que fazer o acordo de vocês. E eu não sei se dá.

🎴 Mateus Sampaio — Gangrel, anarca

Clã Gangrel · Geração 12ª · Potência de Sangue 2 · Humanidade 6

Resumo Ataque 9 · Defesa 7 · Vitalidade 9 · Vontade 7

Garras Força + Briga, 9 dados, +2 de dano. Agravado contra mortais; Superficial não reduzido pela metade contra vampiros

Perícias Sobrevivência 4, Condução 4, Empatia com Animais 3, Manha 3, Intimidação 3

Disciplinas Metamorfose 3 · Fortitude 2 · Animalismo 2

Influência Transporte e mineradoras. Atravessa o cerco pelas rotas comerciais, por acordo negociado com os Garou. Não conhece as trilhas do Aruanã, e o Aruanã não conhece as dele

O que ele quer Que o Sabá não volte, e que o acordo dele com os lobos sobreviva

O que ele não sabe Que o Ismael não é do Sabá. É peão contratado por outra coisa

Fala — Eu não quero a cabeça dele. Eu quero saber pra onde ele leva.



🔪 Noite 5 — A Caçada

Quantas noites a mesa precisar. A coterie tem o nome e a estrada. Falta tudo o mais.

🔎 A investigação

Três frentes, em qualquer ordem. Bastam duas para chegar nele.

🎪 Frente 1 — A máscara

📍 Praça do Coreto. As barracas de artesanato ficam montadas de quinta a domingo. Máscara de boi de Cavalhadas é item de turista: qualquer uma das seis barracas vende.

🎲 Carisma + Persuasão, Dif. 2 — ganhar a confiança da artesã.

🎲 Carisma + Sagacidade, Dif. 2 — fazê-la lembrar de detalhes.

🎲 Inteligência + Investigação, Dif. 2 — descobrir a regularidade das compras.

Um sujeito comprou quatro em três meses. Magro, moto velha, paga em nota amassada, nunca regateia.

— Ele falou que quebra. Sei lá o que ele faz com aquilo.

— Esse aí eu vejo direto no posto da saída, aquele da estrada. Para pra abastecer a moto e comer.

— Sempre quinta ou domingo. Depois das dez.

🧠 Narrador · a máscara é vestimenta ritual, não disfarce de sequestrador. Ele a usa quando recolhe a água na gameleira, porque foi assim que a Santa mandou. Quem a encontrar antes de conhecê-lo vai supor a coisa errada, e isso é bom.

🛣️ Frente 2 — A estrada

📍 Estrada de Lagolândia, terra batida, sem iluminação.

🎲 Raciocínio + Sobrevivência, Dif. 2 — achar o ponto.

🎲 Inteligência + Sobrevivência, Dif. 2 — o capim deitado num círculo e umas quinze guimbas no mesmo lugar. Ele espera. Meia hora, talvez mais.

🎲 Inteligência + Investigação, Dif. 3 — uma marca de arrasto até o acostamento, e nada de luta. A pessoa andou até certo ponto e foi carregada nos últimos metros.

🎲 Inteligência + Condução ou Ofícios, Dif. 2 — pneu de moto saindo com a suspensão afundada. Ele saiu com peso na garupa.

🎲 Raciocínio + Percepção, Dif. 1 — sandália, celular quebrado, mochila vazia. Ninguém limpou nada. Ele não esconde.

🎲 Inteligência + Ocultismo, Dif. 2 — três manchas de queimado no capim, longe do acostamento, com forma de gente. E não há restos humanos nenhum ali. A terra queimou de baixo para cima, como se alguma coisa tivesse atravessado o lugar sem ter corpo.

🧠 Narrador · ninguém trouxe cinzas. A mancha apareceu no mesmo instante em que um Flagelante queimou em outro lugar da região — é a cicatriz do vínculo com a gameleira, marcada na terra por onde a carga passou. É por isso que os Garou acham que há vampiro profanando o lugar deles, e é por isso que o cerco não afrouxa.

Três noites de vigília também funcionam, e são mais lentas — mas quem vigia o vê trabalhando, e isso muda a conversa depois.

🎲 Teste prolongado. Raciocínio + Percepção, Dif. 3, meta de 5 sucessos, uma rolagem por noite. Cada derrota gera uma complicação: Fome, viatura, Garou próximo, ou o Ismael desconfiado.

🚔 Frente 3 — Os desaparecidos

🎲 Inteligência + Investigação, Dif. 3 — no cartório e no batalhão, uma lista de sumiços que não viraram ocorrência: romeiro, andarilho, dependente químico, doente que saiu do hospital e não chegou em casa.

Trinta e um em quatro meses. Nenhum com família na cidade. Nenhum que alguém tenha procurado.

🎲 Manipulação + Persuasão, Dif. 4 — perguntar ao próprio Ventura:

— Some gente assim toda semana em cidade de romaria. Vai pra Trindade, vai pra Aparecida, some. Não é caso de polícia.

🎲 Manipulação + Manha, Dif. 2 — pelo Canela-Fina, no submundo: tem um sujeito de moto oferecendo cura de graça no posto da BR.

⚠️ Cuidado: perguntar demais ao Ventura é perguntar ao Xerife.

🌾 O ponto

📍 Posto de combustível na saída da BR, depois das dez. Moto velha na bomba, sacola de feira amarrada no guidão.

Ismael Bento não está escondido. Nunca esteve. É um homem de trinta e poucos anos comendo pão com mortadela sozinho numa mesa de plástico.

🎲 Destreza + Furtividade, em disputa contra Raciocínio + Percepção dele — segui-lo a pé ou de moto.

🎲 Raciocínio + Condução, em disputa contra a mesma dele — segui-lo de carro.

🎲 Carisma + Persuasão, Dif. 3 — sentar na mesa e conversar. Ele responde. Não sabe que devia mentir.

🎲 Carisma + Sagacidade, Dif. 3 — extrair a história da criação dele.

🎲 Manipulação + Intimidação, Dif. 3 — funciona rápido demais, e ele para de ser útil.

Se seguirem sem tocar, não interrompa. A cena inteira: ele para no acostamento, espera, aborda uma mulher que está andando sozinha, conversa dez minutos, ela sobe na garupa por vontade própria, e ele desce até o rio.

Ela está viva o tempo todo. Isso importa.

🗣️ O que ele diz

— Eu recebo bilhete. Papel de receituário, letra de máquina, sem assinatura.

— Irmã Doracy. É ela que manda.

— Ela nunca fala "traga fulano". Fala "traga mais". Sempre mais.

— Eu já perguntei pra que. Ela disse que é obra, e que obra não se explica pro pedreiro.

Sobre o que ele leva:

— Gente que tá acabando. Eu pergunto se querem ser curados. A maioria quer.

— Eu não engano ninguém, moço. Eu levo pro hospital. Tem hospital, tem freira, tem cama limpa.

— Eu já vi gente levantar lá dentro que tava pra morrer. Vi com esses olhos.

Sobre os frascos:

— Ah, isso é da outra viagem. Eu subo em Lagolândia e encho na raiz da árvore grande. Água e um punhado de terra.

— A máscara é pra isso. Ela falou que sem a máscara eu não podia chegar perto.

🎲 Carisma + Sagacidade, Dif. 3 — sobre a própria história:

— A Irmã me pegou faz um ano. Eu tava com tuberculose, ia morrer no posto.

— Ela me deu o soro e eu levantei. Eu sou prova, moço. Por isso eu faço.

🧠 Narrador · ele está errado. Ele não é Flagelante — foi curado com vitae comum e virou carniçal, e o laço com a Doracy é reforçado com uma frequência acima do normal, porque ele resiste. Isso está escrito num bilhete que ela guardou. Ele nunca vai saber.

O que ele descreve O que é
Portão de ferro na parede de pedra, na beira do rio A entrada de baixo do segundo hospital
Estrada de terra à beira do Rio das Almas Como se chega sem passar pela cidade
Deixa e vai embora, sempre depois das três Turno da noite
Muro alto, telha velha, e um sino que ele já ouviu lá em cima Fecha o nome na Noite Final

Ele entrega o portão e um nome.

⚖️ As saídas

Solução Custo
Seguir e não tocar Ganham o portão, e ele continua trabalhando
Matar O Mateus fica satisfeito. E a fonte não secou: o bilhete chega a outro peão em duas semanas
Entregar ao Mateus Ele resolve por conta, e ninguém pergunta o que aconteceu
Entregar à Torre O Algoz é obrigado a agir, e o Xerife descobre que há estrada demais no assunto
Soltar em troca do portão Ele some da cidade naquela noite
Convencê-lo de que ele mata gente 🎲 Carisma + Persuasão, Dif. 4. Ele desmorona, e é a pior coisa que acontece com ele

🧠 Narrador — Princípios. O Ismael é culpado e é peão, e acredita sinceramente que está levando gente para ser curada. Se a mesa declarar que vai executá-lo desarmado e já tendo entregado tudo, lembre o Princípio 1 em voz alta — sem dizer o que fazer. Uma Mácula não deve ser armadilha.

🎴 Ismael Bento — Carniçal da Irmã Doracy

Mortal com vitae. Trinta e poucos anos, magro, curado de tuberculose há um ano

Resumo Ataque 6 · Defesa 5 · Vitalidade 6 · Vontade 4

Soco Força + Briga, 6 dados, Superficial

Perícias Condução 3, Sobrevivência 2, Persuasão 3, Furtividade 2

Disciplinas Potência 1 (Força Ampliada). É só o que o laço dá a ele

Equipamento Moto velha, máscara de boi na sacola, frascos vazios, isqueiro

Rotina Quinta e domingo. Estrada de Lagolândia e posto da BR, depois das dez

O que ele quer Cumprir a tarefa, e continuar sendo prova de que o milagre existe

O que ele não sabe Que o laço dele precisa ser reforçado o dobro do normal. Que ninguém que ele leva volta

Depois desta noite Some da crônica, morto ou vivo. Não volta na Pt. 3

Fala — Eu não engano ninguém, moço. Eu levo pro hospital.



🏠 Noite 6 — A Casa dos Fundos

📍 Nos fundos do Boteco do Tiano. Canela-Fina, Mateus, e quem sobrou do Solar sentado no chão porque não há cadeira para todo mundo.

A coterie chega com um portão na beira de um rio, um nome de freira, e — se fez o fio político — um rascunho com a letra do Xerife.

🗝️ A rede de segurança

Se a mesa não juntou o portão com o hospital sozinha, o Mateus junta, e sem parecer que está ajudando:

— Portão de ferro, parede de pedra, beira do Rio das Almas, muro e telha lá em cima. Sino dentro.

— Isso é o Nossa Senhora do Rosário. Não a igreja. Tem dois nesta cidade — o outro é hospital, é particular, e eu descarrego lá desde antes de vocês nascerem.

— Então é isso. O Ismael passou quatro meses levando gente viva pra dentro de um hospital.

Se citarem o nome da Irmã Doracy:

— Doracy? Essa eu conheço de vista. Freira braba, turno da noite, manda no prédio todo.

*— Mas essa mulher é da minha idade, rapaz. E eu tô morto faz vinte anos. Como é que ela não envelheceu?

📄 A escolha do papel

Se houver rascunho, vem a pergunta da noite: quem fica sabendo.

Escolha O que acontece
Celina Ela ganha a arma contra o Henrique, e fica devendo a quatro estranhos
Rosa, em Anápolis Derruba o Henrique de longe, e ninguém aqui controla o que vem
Guardam Vale mais quanto mais tarde sair. E cada noite tem gente sendo triada
Entregam ao Mateus Primeira coisa em vinte anos que os anarcas negociam de igual


🏥 Noite Final — Hospital Nossa Senhora do Rosário

Onde: conjunto de dois casarões coloniais ligados por passagem coberta de telhas. Ao fundo, o prédio de serviços entre árvores, e o terreno desce até o Rio das Almas.

Quando: turno da noite. Depois das onze, o hospital de cima adormece e o de baixo abre.

🎯 O que esta noite precisa entregar

# Entrega Sem isso
1 O Flagelante é feito de soro, não de mordida A Pt. 3 fica sem chão
2 A cadeia: estrada → leito → transfusão → escala A mesa acha que resgatou gente e acabou
3 Cinco rostos com nome O reconhecimento em Lagolândia não acontece
4 O nome Santa Dica, dito por quem acredita A Pt. 3 abre no escuro
5 O caderno de transcrições O Luciano não tem o que ler na Pt. 3

🔁 As três provas redundantes

Cada uma sozinha basta. Estão em três lugares diferentes, de propósito, porque a coterie pode entrar por três portas.

A. O arquivo médico, no prédio de serviços — males diferentes, transfusão no mesmo dia, mesma assinatura.

B. O quadro da escala, na copa da ala — cinco fotografias 3×4 com nome, função e turno. Três dos cinco constam como falecidos no arquivo.

C. O receituário na sala da Doracy — a fórmula, escrita à mão, com os quatro componentes e as proporções.

🚪 Como se chega

Rota Quem tem Onde entra
Portão do rio Quem seguiu o Ismael Direto no porão e nos leitos de baixo
Recepção Quem ouviu o Mateus Portaria, com o Milton conferindo crachá
Pelo terreno Quem só tem o endereço Cerca vencida entre as árvores

⏱️ O relógio da Doracy

A cada vinte minutos de tempo de jogo, ela faz uma coisa. Role ou escolha:

  1. Prepara uma dose e leva a um leito.
  2. Transfere um paciente do porão para a ala.
  3. Tranca uma passagem interna.
  4. Percebe que há gente no prédio.
  5. Vai ao encontro da coterie, de prancheta na mão.

É por isso que o falso rastro da Aimée custa caro. Vinte minutos não são nada até serem.


👥 O hospital de cima

🚐 Milton — guarda noturno

Homem forte, desconfiado, e o único ali que sabe que tem coisa errada.

Segredo: extorque paciente. Promete conseguir o milagre mediante pagamento, e não consegue nada.

🎲 Manipulação + Subterfúgio, Dif. 3 — enganá-lo.

🎲 Carisma + Sagacidade, Dif. 2 — conseguir a história dele sem prometer dinheiro:

— Eu fui atacado lá embaixo, junto da água. O homem rezava enquanto me segurava.

— Eu bati nele. Bati com o cassetete, na cara, três vez. Ele não sentiu.

— Depois ele começou a esquentar. Por dentro.

— Aqui dentro é pior que o inferno.

💉 Freira Aimée — técnica de enfermagem

Sensível, cansada, em crise de fé. Some da triagem às 23h todas as noites e volta uma hora depois.

É falso rastro, e é para ser. Está namorando o Milton escondido na cozinha. Anel com o nome dela na bolsa dele.

🧠 Narrador · deixe a mesa perseguir isso. Custa vinte minutos, ensina que nem todo segredo é o segredo, e mexe o relógio da Doracy uma casa.

⚕️ Consultório do Dr. Elias Moura — vazio

Ele sumiu há uma semana. Ninguém deu falta direito.

🎲 Inteligência + Investigação, Dif. 2 — frasco no armário, líquido escuro, ainda bom.

🎲 Inteligência + Medicina ou Ocultismo, Dif. 2 — não é sangue. É sangue com outra coisa dentro.

🎲 Inteligência + Ocultismo, Dif. 3 — a fórmula não é química. Alguma parte daquilo foi feita para ser rezada, não misturada.

🎲 Inteligência + Medicina, Dif. 2 — no caderno de fórmulas: era um médico honesto que recebeu um frasco de um fiel da Santa, viu resultado, e usou sem entender nada.

🧠 Narrador · ele entendeu tarde demais. Está na cela 4 do porão.


🛏️ A ala de internação — o turno da noite

Pavilhão Dr. Sebastião Curado. Depois das onze, quem circula são três de crachá.

Enf. Aparecida — queimadura antiga de sol no pescoço e nas mãos. Troca as bolsas da geladeira.

— A Irmã deixa a escala pronta. Eu só cumpro.

Téc. Nivaldo — mancha escura no branco do olho. Empurra maca vazia pelo corredor.

— Aqui ninguém morre à toa. Aqui é a passagem.

Aux. Sebastiana — reza baixo sem parar. Acende as velas da capela.

— A Santa cura pelo sangue. Quem tem fé levanta.

Os leitos

Simon — jovem pálido, braço ferido, delira orações à Santa. Estágio I recém-feito: o batimento cessou e o corpo continua falando. Ficha: PACIENTE CURADO — ALTA INDEFERIDA.

Gideão — pedreiro, braço enfaixado, mente sobre um acidente que foi ritual. Estágio I. Livrinho de Santa Dica no leito, com um trecho riscado: "O sangue é dado na missa".

🧠 Narrador · Simon e Gideão levantaram há poucas noites. Recém-feito fica no leito até a Irmã pôr o nome dele na escala; depois veste crachá e trabalha.

Guarde os cinco nomes: Aparecida, Nivaldo, Sebastiana, Simon, Gideão. É o que a coterie reconhece debaixo da gameleira, em Lagolândia.

O quadro da escala, na copa

Cinco fotografias 3×4, com nome, função e turno. Escrita a giz, a semana inteira.

🎲 Inteligência + Investigação, Dif. 1, cruzando com o arquivo — três dos cinco têm certidão de óbito arquivada neste mesmo prédio.


🗂️ O prédio de serviços

O arquivo médico

🎲 Inteligência + Investigação, Dif. 2 — os "curados" deram entrada com males diferentes: lepra, anemia, tuberculose, câncer. Todos receberam transfusão no mesmo dia, e a assinatura é do Dr. Elias Moura.

🎲 Inteligência + Erudição, Dif. 2 — anotação na margem, em letra que não é dele:

"O soro foi consagrado com o nome da Virgem e misturado à amostra sagrada — Hæc est sanguis eius."

A sala da Doracy

Porta destrancada, sala vazia. Maço de receituários em branco: o mesmo papel dos bilhetes do Ismael.

A fórmula, escrita à mão num receituário, com os quatro componentes e as proporções.

🎲 Inteligência + Medicina, Dif. 2 — três dos componentes são identificáveis: sangue humano, água, terra.

🎲 Inteligência + Ocultismo, Dif. 3 — o quarto não. Está escrito amostra sagrada, e a quantidade é medida em frações minúsculas.

As anotações dela, em letra feminina apertada:

"Os flagelados após estágio 2 completo são considerados perfeitos para o culto. A mente se esvai, como reação da alquimia."

"Reação adversa: combustão espontânea. (?)"

"O mascarado serve como transporte, mas o laço com ele precisa ser reforçado mais vezes que o normal."

"Sabá de Luz foi o reino ideal, no qual todos são iguais e nada precisa ser escondido. Seremos a imagem e a perfeição da Santa Dica. Na missa noturna ela me disse que teremos que ser fortes antes da provação final."

🧠 Narrador · aquela interrogação vale a crônica inteira. Ela desconfia. Escreveu, olhou, pôs o ponto de interrogação e nunca mais voltou ao assunto, porque voltar seria ter que parar.

📓 O caderno de transcrições

A coisa mais importante desta parte, e parece a menos.

Um caderno escolar de capa dura, com trechos copiados à mão de outro livro. Letra da Doracy, mas o conteúdo não é dela: ela está copiando o que a Santa lhe mostra, e copiando mal. Há palavras deixadas em branco, sinais desenhados de memória, e uma nota no rodapé de uma página: "não consegui ler esta parte".

🎲 Inteligência + Ocultismo, Dif. 4 — não é latim eclesiástico, não é grimório europeu, não é nada que se estude em seminário. Alguém aqui está trabalhando com material de origem infernal, e trabalhando por cima do ombro de outra pessoa.

Ninguém nesta parte consegue ler o caderno. Nem com o teste. O teste só diz o que ele não é.

🧠 Narrador · os originais são Baali, e estão com a Santa Dica. O caderno é cópia de terceira mão. O Padre Luciano é o único personagem da crônica capaz de traduzir aquilo, e é isso que dá a ele um papel na Pt. 3.

O que o caderno permite, e só isso: concluir que a combustão é uma entrega, não um defeito.

O que ele não permite: saber quantas são necessárias, qual é o compasso, onde está a âncora e como quebrar o vínculo. Para isso o Luciano precisa dos originais, e os originais estão em Lagolândia.

Se a coterie levar o caderno a ele, ele passa três noites em silêncio e depois diz:

— Isto prova que a chama não é defeito. É pagamento.

— Mas isto é cópia de cópia, e quem copiou não entendia. Eu preciso do que ela copiou.


⬇️ O terreno, e o porão de encosta

A trilha desce entre as árvores até o nível do rio. Lá embaixo, o pé do casarão é uma parede de pedra com um portão de ferro. É onde o Milton foi atacado. É onde a moto encosta.

As celas

Nove portas, seis ocupadas. Prancheta em cada uma: nome de batismo, data de entrada, e uma coluna marcada "doses".

Nome Doses Anotação a lápis
Raimunda 3 não pega. incinerar
Adão 1 aguardar
Elizete 2 responde bem
Tarcísio 4 falhou. dor
Wesley 1 novo
Dr. E. Moura — sabe demais

São mortais vivos. Doentes terminais que o Ismael trouxe, em estágios diferentes da aplicação do soro. Alguns melhoraram. Alguns estão em agonia. Um deles, o Tarcísio, está morrendo de um jeito que não tem nome.

Nenhum deles quer sair. Cinco dos seis pediram para estar ali, e três ainda acham que vão ser curados.

🎲 Inteligência + Medicina, Dif. 2 — diagnosticar. Quem já recebeu duas doses não pode mais ser salvo por medicina nenhuma.

🎲 Destreza + Ladroagem, Dif. 2 — abrir as celas.

🎲 Carisma + Liderança, Dif. 3 — convencer alguém a sair contra a própria vontade.

🎲 Teste prolongado. Raciocínio + Liderança, Dif. 3, meta de 5 sucessos — tirar seis pessoas doentes do terreno antes do amanhecer, sem viatura e com a cidade cercada.

O Dr. Elias Moura fala, e é a testemunha mais valiosa do prédio:

— Eu apliquei. Eu apliquei em onze pessoas antes de entender o que estava aplicando.

— Elas não ficam curadas. Elas ficam obedientes.

No quadro de aviso, a marcador: "Precisamos de mais. Todo dia."

🚪 A porta de aço

Chapa lisa, tranca por fora, sem visor. Papel colado: Estágio II — não abrir.

🧠 Narrador · não é combate equilibrado. É catástrofe. Quatro Estágio II soltos dentro de um hospital de madeira, com pacientes mortais nos leitos de cima e uma trilha estreita como única saída. Se abrirem, a noite acaba e vira incêndio, e o número de mortos é escolha da mesa.

Deixe claro pela ficção antes de alguém puxar a tranca: o papel está lá, e o corredor cheira a queimado.


👤 A Irmã Doracy

11ª geração, cria direta da Santa Dica. Foi enfermeira, morreu em 2009, e levantou. Continua fazendo o mesmo trabalho, com a mesma competência, e considera isso a maior graça que já recebeu.

Ela não se esconde da coterie. Aparece no corredor, de touca e jaleco, com uma prancheta na mão.

— Vocês são os de fora. A Irmã Celina mandou, ou foi o outro?

— Não interessa. Olhem à vontade. Eu não tenho o que esconder de quem já desceu lá embaixo.

🎲 Carisma + Sagacidade, Dif. 2 — fazê-la explicar a própria justificativa:

— Eu recebo gente que ia morrer no chão. Aqui eles morrem em cama limpa, e alguns não morrem.

— O soro é da Santa. Eu só tenho a mão firme e a agulha certa.

— Vocês querem que eu diga que é crime? Eu enterrei sozinha mil e duzentas pessoas nesta cidade antes de morrer. Vocês não me falam de crime.

Sobre quem manda:

— A Santa Dica. Que não é santa de reza, é santa de andar.

— E não adianta perguntar onde. Ela é que procura.

🎲 Manipulação + Intimidação, Dif. 4, ou Carisma + Persuasão, Dif. 4 convencendo-a de que a Santa a está usando:

— Lagolândia. Debaixo da gameleira, onde enterraram ela.

— Mas não vão de noite, não. A estrada não é de vocês.

Se alguém mostrar a anotação da interrogação e perguntar — a única fissura dela:

— Eu escrevi isso faz sete meses.

(pausa longa)

— Eu não voltei nessa página.

Ela não luta

🎲 Destreza + Furtividade, em disputa contra Raciocínio + Percepção — segui-la.

🎲 Destreza + Atletismo, em disputa — impedir a fuga.

Capturá-la é conflito normal. Quatro contra uma não é sucesso automático: ela tem Manto da Sombra, conhece cada porta do prédio, e o prédio é escuro de propósito.

Se a coterie partir para cima sem preparo, ela recua para a capela, tranca por dentro e sai pela porta dos fundos. Deixa o selo do Sabá em cima da mesa.

🧠 Narrador — rede de segurança. Se ela morrer ou fugir sem falar, Lagolândia continua acessível: está no livro de entregas do Ismael, no receituário (água e terra da gameleira, Lagolândia), e no livrinho de devoção do leito do Gideão, que traz um mapa de romaria com a árvore desenhada.

🎴 Irmã Doracy Alves de Sousa — Lasombra, 12ª geração

Geração 11ª · Potência de Sangue 2 · Humanidade 5

Resumo Ataque 6 · Defesa 5 · Vitalidade 7 · Vontade 8

Ataque Força + Briga, 6 dados, Superficial. Ela não ataca primeiro

Esquiva Destreza + Atletismo, 5 dados

Perícias Medicina 4, Ocultismo 3, Sagacidade 4, Liderança 3, Furtividade 3

Disciplinas Oblívio 2 (Manto da Sombra, Toque do Abismo) · Dominação 2 · Potência 1

O que ela quer Cumprir a escala, e ser digna da provação final

O que ela sabe A fórmula, os estágios, o culto, e que a chama tem alguma finalidade

O que ela não sabe Qual. E onde os Flagelantes serão usados

Se atacada Recua. Não morre por orgulho

Fala — Eu não curo eles. Eu entrego eles. Tem diferença.



🩸 Fecho da Parte 2

📍 Quatro e vinte da manhã. O céu na direção de Anápolis já está com uma faixa cinza, e ninguém ali tem carro para todo mundo.

O que a coterie carrega para fora daquele terreno, conforme o que fez: seis doentes que não querem ir embora, um médico que aplicou onze doses, um caderno que ninguém consegue ler, e o nome de um lugar.

Se soltaram os Estágio II, carregam também um incêndio às costas e a contagem de mortos.

O que muda na cidade

O hospital não fecha. Abre no dia seguinte, com o pessoal do turno da manhã, que não sabe de nada. A ala continua funcionando. O que para é a escala — e a escala não é o prédio, é a Doracy.

Se ela fugiu, o Rosário continua produzindo e o culto sabe que foi descoberto.

Se ela foi presa ou destruída, a produção para. E o Retorno não para, porque o que já está pronto continua queimando.

Se destruíram o Santa Rita antes, faltam bolsas. Dois Flagelantes a menos na Pt. 3.

🧠 Narrador — a acusação certa contra o Xerife, para a Pt. 3. Ele não criou o culto e não sabia do rito. O que ele fez foi achar os corpos queimados, reconhecer a rota, e suspender a apuração porque uma varredura ameaçaria o próprio negócio.

A frase é "ele deixou o culto trabalhar", não "ele alimentou o Sabá". A segunda é falsa, e se alguém a usar no Teatro, ele desmonta com número, data e assinatura — e sai por cima.

Quem faz a acusação é o Canela-Fina. O Mateus confirma a rota e o capim queimado, e não conduz denúncia política — não é o papel dele e ele não quer.

A conversa que fecha a parte

📍 Casa dos Fundos, na noite seguinte. O Mateus ouve tudo e não interrompe uma vez.

— Então não é vampiro. É gente viva que aceitou.

(longa pausa)

— Isso é pior, e vocês sabem que é pior.

E depois:

— Os lobos vão continuar fechando a estrada enquanto aparecer capim queimado perto daquela árvore.

— Vocês querem sair desta cidade? Então é lá que vocês vão ter que ir. Lagolândia.

— De dia. Nem que seja de dia.

🕯️ Remorso. Encerrada a sessão, quem acumulou Máculas rola pelos espaços vazios da trilha de Humanidade.

📦 O que sobrou na mão deles

Item Vale em
O caderno de transcrições Pt. 3 — é o que o Luciano lê
A fórmula do soro Pt. 3 — prova que Flagelante não é vampiro
Os cinco nomes Pt. 3 — o reconhecimento debaixo da gameleira
"Santa Dica" e "Lagolândia" Pt. 3
O rascunho do Ventura, se pegaram Chantagem contra o Xerife, e vale no Teatro
O Dr. Elias Moura, se o tiraram de lá Testemunha viva
Os do Solar, se protegidos Circulam de dia. Vale muito na Pt. 3
A Raíssa, se resgatada Alquimia Sangue-Fraco 2


📕 Apêndice — O Flagelante, versão revisada

Esta versão substitui a Parte Zero e as Pts. 1 e 3. A mudança é de origem, não de comportamento: o que muda é de onde eles vêm e o que a chama faz.

🧪 O Soro do Retorno

Não é vitae. Não é Alquimia Sangue-Fraco. É uma fórmula ritual que a Santa Dica copiou de um corpus Baali e adaptou.

1. Sangue humano comum — bolsas descartadas, compradas do Laboratório Santa Rita.

2. Água e terra da gameleira de Lagolândia, onde o Bispo Pompeu está enterrado.

3. Fração da amostra sagrada — sangue coagulado e cinzas do coração do Pompeu, guardados desde 2000 e fracionados em ampolas. Eram as ampolas do Jatobá.

4. O rito, feito pela Doracy, com as palavras que ela copiou e não entende.

Aplicado como transfusão, a um doente desenganado, apresentado como a cura pelo sangue.

🔴 Estágio I — primeira dose

O paciente morre biologicamente e continua se movendo. Mantém memória, linguagem e boa parte da personalidade. Levanta, veste o crachá e cumpre a escala.

Resumo Ataque 5 · Defesa 3 · Vitalidade 6 · Vontade 3

Agarrar Força + Briga, 5 dados, em disputa

Defesa Destreza + Atletismo, 3 dados

Dominação e Presença FUNCIONAM nele. Ele ainda tem mente. Isto é mudança em relação às versões anteriores

Mantém memória, linguagem, hábitos e raciocínio limitado. Conversa, responde, lembra do que era, negocia coisas pequenas e improvisa dentro da antiga rotina

O que ele não consegue é desobedecer conscientemente a uma ordem ritual direta da Santa Dica ou da Doracy. Sem intervenção sobrenatural, ele cumpre — mesmo chorando

Não sente dor nem cansaço

Dano Recebe como vampiro: lâmina e bala são Superficial

Trilha cheia de Superficial — cai e para. Não queima. Sobra corpo

Combustão do Estágio I

Não há combustão espontânea. Estágio I nunca pega fogo sozinho.

Só queima ao receber dano Agravado, ou por meio da ladainha completa, que força o que a natureza dele não faz.

Três turnos. 2 Agravado por turno em adjacentes, Frenesi Dif. 2, incendeia o que estiver em volta, e não se apaga com água.

🔴 Estágio II — doses seguintes

Cada transfusão deposita mais essência ritual. A personalidade desaparece. O corpo vira recipiente saturado.

Resumo Ataque 7 · Defesa 4 · Vitalidade 8 · Vontade 4

Ataque Força + Briga, 7 dados, Superficial

Defesa Destreza + Atletismo, 4 dados

Imune a Dominação e Presença — não por falta de mente, mas porque a parcela do Pompeu dentro dele protege o recipiente

Não sente dor. Não recua. Não foge

Combustão do Estágio II

Dispara em duas situações, e só nessas duas:

1. Quando a trilha de Vitalidade fica completamente preenchida, por qualquer dano.

2. Por comando ritual — à distância, sem contato, e sem que ele reaja.

Efeito idêntico ao do Estágio I: três turnos, 2 Agravado por turno, Frenesi Dif. 2, não apaga.

🕯️ O que a chama faz

A combustão é o funcionamento correto do rito.

O corpo e tudo que foi depositado nele são consumidos, e a parcela do Pompeu retorna à âncora, sob a gameleira de Lagolândia. Cada Flagelante queimado carrega a âncora um pouco mais.

Quem sabe: a Santa Dica, pelos livros. Quem desconfia: a Doracy. Quem descobre: o Luciano, se receber o caderno.

⏳ O Relógio do Retorno

Contador secreto de treze espaços. O Narrador marca e nunca mostra.

Evento Espaços
Estágio II queimado 1
Estágio I queimado pela ladainha 1
Estágio I queimado por acidente ou por fogo alheio 0 — desperdiçado

O que cada faixa produz

Espaços Resultado do rito final
0 a 7 O rito não alcança. Não há retorno, e o culto se desfaz
8 a 10 Alguma coisa se manifesta e não entra no corpo. Não é o Pompeu
11 a 12 Ele desperta incompleto e debilitado
13 Ele desperta inteiro

Treze é o número que a Santa Dica precisa. Abaixo disso ela erra, e erra de maneiras diferentes.

Já preenchidos quando a Pt. 2 termina:

Parte Zero, o Festival — 1, se o Estágio II queimou.

Pt. 1, Rua do Lazer — 4. Foi disparo por comando, e foi de propósito.

Pt. 1, Jatobá — 0, se os três acorrentados queimaram no incêndio. Não conta, e ninguém sabe disso.

A Santa Dica pretende acumular a carga em Lagolândia e gastá-la em outro lugar. Antes do rito final, o culto retira a âncora da gameleira e a leva para dentro de Pirenópolis, onde ela é reunida ao corpo.

É por isso que Lagolândia está vazia quando a coterie chega na Pt. 3. Eles já saíram.

🧠 Narrador — a saída. A mesa não precisa impedir todas as combustões, e não pode. O vínculo se quebra de outro jeito: destruindo a amostra sagrada, profanando o local do rito, ou separando os Flagelantes da relíquia. Erros antigos não podem tornar a vitória impossível.

❌ O que não existe

  • Não existe Estágio III.
  • Flagelante não transmite a condição, não morde, não contamina.
  • Flagelante não é feito de vitae de sangue-fraco. Sangue-fraco não tem nenhuma relação com o culto.
  • Flagelante derrubado por Superficial não vira cinza. Sobra corpo, e corpo é prova.


🧭 Apêndice — Notas de arbitragem

Se pularem o fio político inteiro

Podem. A trama principal não perde nada — perdem a chantagem contra o Xerife, os aliados diurnos e as bolsas.

Consequência: o Henrique chega à Pt. 3 intocável, e no Teatro isso pesa.

Se entrarem pelo portão do rio e nunca subirem

As três provas redundantes existem por isso. A prova C está na sala da Doracy, que fica no prédio de serviços, no meio do caminho entre o porão e a ala. Quem sobe a trilha passa por ela.

Se ainda assim saírem só com o porão, o Dr. Elias Moura conta o resto, e ele está na cela 4.

Se matarem a Doracy no primeiro turno

Lagolândia continua acessível por três rotas: o receituário com a fórmula, o livro de entregas do Ismael, e o livrinho de devoção do leito do Gideão, com o mapa de romaria.

O que se perde é o nome dito por quem acredita — e a Pt. 3 abre mais fria.

Se abrirem a porta de aço

Quatro Estágio II num hospital de madeira. Não tente equilibrar: deixe ser desastre.

Fogo se espalha por um cômodo por turno. Há dezoito pacientes mortais na ala de cima. A trilha de descida comporta duas pessoas lado a lado.

Máculas. Não conte um Princípio por morto — isso destrói a trilha de Humanidade da mesa inteira numa cena e transforma o Princípio em armadilha.

Abrir depois dos avisos e abandonar os pacientes é violação grave do Princípio 2: 2 a 3 Máculas, conforme o esforço posterior do personagem para conter o desastre.

Abrir por engano e arriscar tudo para tirar gente de lá não é a mesma coisa, e não deve custar o mesmo. Convicções reduzem normalmente.

Se os jogadores fizerem a conta dos desaparecidos

Deixe. Trinta e um em quatro meses, todos sem vínculo local, numa cidade de romaria: é escondível, e por pouco. Se a mesa achar que é demais, o Ventura tem a resposta pronta e ela é verdadeira.

Se acharem que é de menos, também está certo: é lento de propósito, e é por isso que o bilhete diz sempre "mais".

Se quiserem provar a cadeia inteira

É possível, e exige três peças: a fórmula, o arquivo de transfusões, e um dos cinco rostos com certidão de óbito arquivada.

Com as três, a coterie pode provar a qualquer Kindred que existe uma fábrica. Não pode provar para quê — isso é a Pt. 3.

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